Daniel Bramatti, Terra Magazine
Eternamente insatisfeitos com os juros, o câmbio e a carga tributária, os empresários do setor industrial terão em breve mais um motivo para reclamar. O retrato da economia brasileira a ser divulgado em março pelo IBGE vai mostrar um país menos industrializado, em termos proporcionais.
Ainda não é possível saber se o novo PIB será maior ou menor. Mas é dada como certa a perda de participação da indústria para o setor de serviços e para a agropecuária.
Pelos últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2005, os serviços respondiam por 57% do PIB, e a indústria por 39,9%. O avanço da economia de serviços é um fenômeno mundial - no Brasil, porém, há preocupantes sinais de desindustrialização precoce, segundo Edgard Pereira, economista-chefe do IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).
"Normalmente, a indústria começa a perder espaço quando um país atinge um patamar de renda per capita elevado, quando a população já tem suas necessidades materiais atendidas, quando todos têm casa, carro, saneamento", disse Pereira a Terra Magazine.
No Brasil, esse quadro de primeiro mundo está longe de se instalar. O fenômeno aqui pode ser explicado pelo impacto diferenciado da globalização sobre os vários ramos da indústria. Há uma crescente - e também precoce - especialização na economia brasileira, aponta Pereira. "É um comportamento muito heterogêneo. Os setores mais vinculados às exportações, principalmente de commodities e semi-manufaturados, estão crescendo bem. E estão perdendo os setores mais voltados ao mercado interno, que sofrem com a concorrência dos importados."
Afetados pela abertura da economia, os setores "perdedores" têm seu desempenho mais prejudicado ainda pela desvalorização do dólar, que barateia as importações. Desvalorização esta que é alimentada pelo sucesso dos demais setores exportadores, que têm compensado o problema cambial graças ao aumento dos preços de seus produtos - commodities, semi-manufaturados - no mercado internacional.
É quase um processo de canibalização, que alguns preferem chamar de "doença holandesa" - referência ao processo de desindustrialização sofrido pela Holanda nos anos 60 e 70 graças à explosão das exportações de gás natural, o que valorizou a moeda local e provocou perda de competitividade no setor manufatureiro.
Guardadas as devidas diferenças - que são significativas -, é como se o Brasil estivesse, a passos lentos, voltando a se aproximar do modelo econômico pré-1929, baseado na exportação intensiva de produtos primários e na importação de produtos elaborados, aponta o economista-chefe do IEDI. "Esse modelo pode levar a um problema cambial grave no futuro, se os preços das commodities desabarem, o que já aconteceu diversas vezes na história", alertou Pereira.
Sobre a nova metodologia de cálculo do PIB, o economista afirma que a mudança é positiva, por incorporar novos dados e permitir um acompanhamento mais preciso da evolução da economia. Para ele, o recálculo do PIB desde 1995 tende a resultar em um crescimento um pouco maior do que o retratado atualmente, mas, dada a falta de dados conclusivos, ressalva: "Isso é quase um chute".
Eternamente insatisfeitos com os juros, o câmbio e a carga tributária, os empresários do setor industrial terão em breve mais um motivo para reclamar. O retrato da economia brasileira a ser divulgado em março pelo IBGE vai mostrar um país menos industrializado, em termos proporcionais.
Ainda não é possível saber se o novo PIB será maior ou menor. Mas é dada como certa a perda de participação da indústria para o setor de serviços e para a agropecuária.
Pelos últimos dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), de 2005, os serviços respondiam por 57% do PIB, e a indústria por 39,9%. O avanço da economia de serviços é um fenômeno mundial - no Brasil, porém, há preocupantes sinais de desindustrialização precoce, segundo Edgard Pereira, economista-chefe do IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).
"Normalmente, a indústria começa a perder espaço quando um país atinge um patamar de renda per capita elevado, quando a população já tem suas necessidades materiais atendidas, quando todos têm casa, carro, saneamento", disse Pereira a Terra Magazine.
No Brasil, esse quadro de primeiro mundo está longe de se instalar. O fenômeno aqui pode ser explicado pelo impacto diferenciado da globalização sobre os vários ramos da indústria. Há uma crescente - e também precoce - especialização na economia brasileira, aponta Pereira. "É um comportamento muito heterogêneo. Os setores mais vinculados às exportações, principalmente de commodities e semi-manufaturados, estão crescendo bem. E estão perdendo os setores mais voltados ao mercado interno, que sofrem com a concorrência dos importados."
Afetados pela abertura da economia, os setores "perdedores" têm seu desempenho mais prejudicado ainda pela desvalorização do dólar, que barateia as importações. Desvalorização esta que é alimentada pelo sucesso dos demais setores exportadores, que têm compensado o problema cambial graças ao aumento dos preços de seus produtos - commodities, semi-manufaturados - no mercado internacional.
É quase um processo de canibalização, que alguns preferem chamar de "doença holandesa" - referência ao processo de desindustrialização sofrido pela Holanda nos anos 60 e 70 graças à explosão das exportações de gás natural, o que valorizou a moeda local e provocou perda de competitividade no setor manufatureiro.
Guardadas as devidas diferenças - que são significativas -, é como se o Brasil estivesse, a passos lentos, voltando a se aproximar do modelo econômico pré-1929, baseado na exportação intensiva de produtos primários e na importação de produtos elaborados, aponta o economista-chefe do IEDI. "Esse modelo pode levar a um problema cambial grave no futuro, se os preços das commodities desabarem, o que já aconteceu diversas vezes na história", alertou Pereira.
Sobre a nova metodologia de cálculo do PIB, o economista afirma que a mudança é positiva, por incorporar novos dados e permitir um acompanhamento mais preciso da evolução da economia. Para ele, o recálculo do PIB desde 1995 tende a resultar em um crescimento um pouco maior do que o retratado atualmente, mas, dada a falta de dados conclusivos, ressalva: "Isso é quase um chute".