segunda-feira, fevereiro 19, 2007

Requisitos são cumpridos, afirma governo

Folha de S.Paulo
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O MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) e o Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) informaram, em uma nota conjunta, que o governo cumpre os requisitos do 2º PNRA (Plano Nacional de Reforma Agrária), lançado em 2003 pela administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Instados a comentar números e dúvidas específicas levantadas pela Folha, o ministério e o Incra não se manifestaram até o fechamento desta edição. Os titulares dos dois órgãos também não aceitaram conceder entrevista, pedido feito pela reportagem.
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De acordo com a nota, emitida no último dia 8, um "balanço preliminar" do número de famílias assentadas no primeiro mandato de Lula deverá ser "concluído nos próximos dias", sem informar a data exata.
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Os órgãos afirmaram que "o Incra, conforme anunciado anteriormente, irá divulgar um balanço detalhado das suas ações no período de 2003 a 2006. Dados divulgados em janeiro mostram que, nos últimos quatro anos, foram criados 2.343 projetos de assentamento, sendo que, destes, 717 foram criados em 2006".
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"Inversão"Os órgãos defenderam a utilização de reservas extrativistas e áreas públicas. Afirmaram que esse uso está previsto no Plano Nacional, embora tenha havido uma "inversão" nos números inicialmente previstos.
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"O 2º PNRA previa que 71% da meta de assentar 400 mil famílias viria da utilização de formas onerosas de obtenção de terras e o restante, 29%, via formas não onerosas", diz o texto. E segue: "O balanço preliminar do Incra, que deverá ser concluído nos próximos dias, revela uma inversão: 40% das famílias teriam sido assentadas por meio de obtenção onerosa e 60% via forma não onerosa.Vale esclarecer que a forma onerosa envolve desapropriação e compra, via decreto 433, e a forma não onerosa inclui basicamente a utilização de terras públicas decorrentes da destinação de terras arrecadadas pelo Incra que estavam ocupadas ilegalmente e pela destinação de terras de outros órgãos federais, como o DNOCS, o Ibama ou ainda de terras públicas estaduais, como é o caso dos assentamentos na região do Pontal do Paranapanema".
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ReservasSegundo a nota conjunta, o uso das reservas também acompanha o plano, que teria previsto "a implementação de assentamentos adequados aos biomas de cada região e às suas possibilidades de desenvolvimento sustentável"."Nestes quatro anos houve uma ação integrada do Ministério do Meio Ambiente, do Ministério do Desenvolvimento Agrário e de outros órgãos federais visando conter o desmatamento da Amazônia e criar alternativas de desenvolvimento sustentável para a região."
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Para tanto, diz a nota, "uma imensa área da região foi destinada para a criação de unidades de conservação com diferentes graus de uso sustentável. A implementação dessa estratégia demandou o aperfeiçoamento dos procedimentos do Incra para a criação e o desenvolvimento dos assentamentos"."Instrumentos anteriores foram ajustados, sua implementação, ampliada e novos instrumentos foram criados. É neste contexto que se insere a utilização desses instrumentos para viabilizar uma reforma agrária ecológica na região Amazônica", afirmaram o Ministério do Desenvolvimento Agrário e o Incra, na nota divulgada em conjunto.´