Editorial do Jornal do Brasil
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A renúncia do ex-ministro do Supremo Tribunal Federal, Nelson Jobim, à disputa pela presidência do PMDB demonstra que os mais desprezíveis interesses continuam a prevalecer no partido. Jobim enfrentaria o atual presidente peemedebista, o deputado Michel Temer, mas desistiu ao reconhecer a intervenção do Palácio do Planalto no centro da eleição interna para o comando do partido - um dia depois de afirmar e reafirmar que seguiria em frente. "Os acontecimentos das últimas horas enunciam opção objetiva do governo quanto à disputa do PMDB", escreveu na nota divulgada ontem. "Diante disso resta-me afastar-me em definitivo da contenda".
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Menos pelo ex-ministro e mais pelas trilhas obscuras seguidas pelos dirigentes peemedebistas, o partido que um dia foi abrigo de homens provados na resistência e o principal instrumento para a redemocratização transformou-se numa federação de interesses regionais e pessoais. Dividido mais por tais interesses do que pelo método de ação, o PMDB está capitulando diante do Palácio do Planalto. No Congresso e nos Estados, a sigla materializa as causas menores e mesquinhas que balizam a atividade legislativa da maioria dos parlamentares. Revela-se um partido hegemônico apenas no terreno numérico. Há muito tempo sua força política carece de qualidade compatível à sua densidade eleitoral.
Menos pelo ex-ministro e mais pelas trilhas obscuras seguidas pelos dirigentes peemedebistas, o partido que um dia foi abrigo de homens provados na resistência e o principal instrumento para a redemocratização transformou-se numa federação de interesses regionais e pessoais. Dividido mais por tais interesses do que pelo método de ação, o PMDB está capitulando diante do Palácio do Planalto. No Congresso e nos Estados, a sigla materializa as causas menores e mesquinhas que balizam a atividade legislativa da maioria dos parlamentares. Revela-se um partido hegemônico apenas no terreno numérico. Há muito tempo sua força política carece de qualidade compatível à sua densidade eleitoral.
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Para a maioria dos leitores, o noticiário dos trâmites para a eleição peemedebista consegue a proeza de ser tão aborrecido quanto os informes sobre a formação da equipe ministerial do segundo termo do presidente Lula. Infelizmente, é disto que se trata: a exibição, sem disfarces, da disputa por fatias do poder oferecido pelo Planalto. A velha esquizofrenia peemedebista, que sempre resultou em intermitentes surtos, ora governistas ora oposicionistas, vem à tona mais uma vez. É essa debilidade que habitualmente o torna um partido grande, mas não tão forte.
Para a maioria dos leitores, o noticiário dos trâmites para a eleição peemedebista consegue a proeza de ser tão aborrecido quanto os informes sobre a formação da equipe ministerial do segundo termo do presidente Lula. Infelizmente, é disto que se trata: a exibição, sem disfarces, da disputa por fatias do poder oferecido pelo Planalto. A velha esquizofrenia peemedebista, que sempre resultou em intermitentes surtos, ora governistas ora oposicionistas, vem à tona mais uma vez. É essa debilidade que habitualmente o torna um partido grande, mas não tão forte.
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Não fosse pela intensa vocação governista de uma de suas alas, o partido não submeteria o debate interno à agenda ministerial do "novo" governo Lula. Do lado do Planalto, o equívoco é estimular a saciedade dos eventuais aliados. As tratativas para a definição do futuro gabinete se dão sob o signo de uma conta de chegar: quantas e quais pastas tocarão a tais ou quais agremiações. Nenhuma palavra - ou nada que mereça ser levada a sério - sobre a qualificação dos ministeriáveis que os chefes partidários teriam a oferecer. Em cada agremiação, PMDB incluído, o erro está na filtragem dos nomes, que obedece primordialmente às conveniências da caciquia e aos arranjos regionais.Alguns asseguram alguma mínima unidade. O PMDB, nem isso. Sábios conhecedores da cosmologia peemedebista informam que os movimentos da legenda costumavam seguir a partitura de um minueto que só Tancredo Neves e Ulysses Guimarães dominavam. Quem tentasse entrar na dança acabava no chão. A coisa piorou. A morte de Tancredo e, logo depois, a de Ulysses, desorientaram a legenda. Seus substitutos na pista exibem passos erráticos. O minueto virou capoeira.
Não fosse pela intensa vocação governista de uma de suas alas, o partido não submeteria o debate interno à agenda ministerial do "novo" governo Lula. Do lado do Planalto, o equívoco é estimular a saciedade dos eventuais aliados. As tratativas para a definição do futuro gabinete se dão sob o signo de uma conta de chegar: quantas e quais pastas tocarão a tais ou quais agremiações. Nenhuma palavra - ou nada que mereça ser levada a sério - sobre a qualificação dos ministeriáveis que os chefes partidários teriam a oferecer. Em cada agremiação, PMDB incluído, o erro está na filtragem dos nomes, que obedece primordialmente às conveniências da caciquia e aos arranjos regionais.Alguns asseguram alguma mínima unidade. O PMDB, nem isso. Sábios conhecedores da cosmologia peemedebista informam que os movimentos da legenda costumavam seguir a partitura de um minueto que só Tancredo Neves e Ulysses Guimarães dominavam. Quem tentasse entrar na dança acabava no chão. A coisa piorou. A morte de Tancredo e, logo depois, a de Ulysses, desorientaram a legenda. Seus substitutos na pista exibem passos erráticos. O minueto virou capoeira.
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Que tenham juízo. Os peemedebistas fariam um bem enorme ao país e ao sistema partidário brasileiro se revissem a patuscada contínua que menospreza a inteligência do eleitor, ignora a sensatez e avilta a integridade de sua história. A vida política brasileira carece de partidos fortes, estáveis e com algum grau de identidade. O PMDB desperdiça uma grande oportunidade de oferecer a contribuição para tanto. Amiúda-se com a fragmentação e com o absoluto silêncio em relação ao que pensa, deseja e faz pela nação.
Que tenham juízo. Os peemedebistas fariam um bem enorme ao país e ao sistema partidário brasileiro se revissem a patuscada contínua que menospreza a inteligência do eleitor, ignora a sensatez e avilta a integridade de sua história. A vida política brasileira carece de partidos fortes, estáveis e com algum grau de identidade. O PMDB desperdiça uma grande oportunidade de oferecer a contribuição para tanto. Amiúda-se com a fragmentação e com o absoluto silêncio em relação ao que pensa, deseja e faz pela nação.