domingo, março 11, 2007

Köhler questiona economia brasileira

Tiago Pariz Do G1, em Brasília

Ex-diretor do FMI, presidente alemão Horst Köhler foi recebido por Lula.
Antes, tomou café com presidente do BC e ministro do Desenvolvimento.


O presidente da Alemanha, Horst Köhler, demonstrou preocupação com a baixa taxa de crescimento do Brasil nos últimos quatro anos. E questionou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e o ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) sobre os fundamentos da economia.
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Antes de ser recebido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio do Planalto, Köhler, ex-diretor-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), teve um café-da-manhã com Furlan e Meirelles. O presidente alemão perguntou por que o Brasil cresce a uma média abaixo da América Latina se tem inflação baixa e superávit comercial.
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Meirelles respondeu que era preciso realizar a reforma tributária e Furlan afirmou que a taxa básica de juros ainda está em patamares elevados. Na quarta-feira (7), o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 12,75% por ano.
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Köhler era diretor-gerente do FMI em 2002 e foi responsável por garantir um acordo de US$ 30 bilhões com objetivo de estabilizar a economia. Na época, os mercados sofreram uma forte turbulência por temer a eleição de Lula, então-candidato do PT à Presidência.

Recepção
Depois do café-da-manhã com os dois, Köhler teve a tradicional recepção com honras de chefe de estado no Palácio do Planalto (na Alemanha, a chefe de estado é a primeira-ministra Angela Merkel). Ele passou em revista as tropas, foi recepcionado por Lula, pela primeira-dama Marisa Letícia e pelo chanceler Celso Amorim.
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Entre os temas que serão debatidos por Lula e Köhler estão o aumento de investimentos da Alemanha em energia e infra-estrutura e o desembaraço da rodada de Doha pela liberalização comercial.
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A Alemanha é o principal parceiro do Brasil na Europa, apesar de hoje ocupar o sexto lugar em investimentos diretos, com um volume de US$ 9 bilhões estimado pelo Banco Central. O país europeu é ainda um dos únicos em que o Brasil registra déficit comercial.
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Depois de visitar Brasília, Köhler vai a São Paulo, Recife e termina o giro de cinco dias pelo Brasil em Manaus. A comitiva alemã é composta principalmente de empresários.