domingo, março 11, 2007

Doença bem remunerada

Estado de Minas
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O ex-deputado José Janene (PP-PR) recebeu verba indenizatória para ficar em casa. Pesquisa no bancos de dados da Câmara sobre os gastos com a ajuda de custo mostra que o parlamentar embolsou R$ 138,5 mil, entre outubro de 2005 e dezembro de 2006, período em que permaneceu praticamente longe do Parlamento, alegando problemas de saúde. Janene foi acusado de participar do esquema do mensalão, sendo absolvido pelos colegas em votação no plenário.
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O paranaense apresentou nove licenças médicas à Câmara para ficar em repouso com a justificativa de ser portador de cardiopatia grave (doença no coração), tendo como contra-indicação a exposição a situações de estresse emocional. Mas descanso, ao que parece, foi algo que o deputado não quis desfrutar durante sua permanência no Paraná. Do total indenizado, segundo informações oficiais, R$ 112,4 mil (ou 81,1%) se destinaram a despesas com combustíveis e lubrificantes.
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Em fevereiro do ano passado, foram repassados a Janene R$ 18,4 mil, dos quais 100% declarados como despesas com combustíveis. Ele encheu o tanque até de barcos, pois, em novembro de 2005, o ex-deputado recebeu R$ 5,5 mil referentes a despesas com combustível para embarcações. O Estado de Minas apurou que as indenizações recebidas por Janene , no período de seu afastamento, variaram de R$ 4 mil (recebida em abril de 2006) a R$ 20,6 mil (fevereiro de 2006). Entre outubro de 2005 e dezembro de 2006, foram declaradas ainda despesas com aluguel de imóveis, aquisição de material de expediente e divulgação da atividade parlamentar. A reportagem confirmou no setor de registro parlamentar da Câmara que todo o período esteve coberto por atestados de saúde.
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Um suplente só é convocado para substituir um parlamentar de licença médica depois de 120 dias de afastamento. Ou seja, mesmo em casa por recomendação dos médicos, o deputado licenciado continua a receber o salário e as verbas indenizatórias a que têm direito para gastos com serviços postais, combustíveis, divulgação da atividade parlamentar. Coincidentemente, apesar de ter ficado afastado quase um ano, Janene renovava as licenças a cada 30 ou 60 dias, evitando, assim, que se completassem os 120 dias, já que o prazo vencido obrigaria a convocação de um suplente para o lugar.
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A oposição classificou as licenças médicas de Janene como ato de manobra para se protelar o desfecho de seu processo no Conselho de Ética da Câmara. Em razão das licenças, seu processo por quebra de decoro, por causa de seu envolvimento com o mensalão, foi concluído apenas em dezembro passado, apesar de ter sido aberto ainda em 2005. Mas, depois de passar por três juntas médicas, incluindo duas da Câmara, ele recebeu o diagnóstico de portador de cardiopatia grave. Em janeiro passado, foi aposentado pelo ex-presidente da Câmara Aldo Rebelo (PCdoB) com vencimento integral, hoje no valor de R$ 12.847,20 — salário que passa a receber até o fim da vida. O Estado de Minas ligou para quatro telefones que, conforme a companhia telefônica, pertencem a Janene, mas apenas uma ligação foi respondida e a pessoa, que não quis se identificar, disse que o ex-deputado só atenderia em seu escritório, que estava fechado.

COMENTANDO A NOTICIA: Enquanto canalhas como a deste tipinho andarem soltos, rindo às nossas custas, e flanando pose de marajá bancado com dinheiro roubado do povo, enquanto vermes ordinários como Janene não responderem na Justiça por seus crimes, e condenados, pagarem sua dívida devidamente encarcerados, é a partir desta imunda impunidade que nascerão os crimes, e aumentará a violência. É esta gentalha que torna o país pobre e miserável, atrasado e selvagem.