domingo, março 11, 2007

Juros em queda

Carlos Sardenberg , G1
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Pontos a notar na decisão do Copom de reduzir a taxa básica de juros de 13% para 12,75% ao ano:
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. foi por unanimidade (as duas decisões anteriores haviam sido por 5 a 3).
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. foi a 14a. redução seguida da taxa de juros, indicando um consistente processo.
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. fica implícito que a queda de juros continua, no ritmo indicado no comunicado anterior do BC e que pode ser assim reduzido: de 0,25 em 0,25 se vai mais longe.
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. a taxa real de juros, descontada a inflação esperada, está na casa dos 8,5%, o nível mais baixo desde a introdução do regime de metas de inflação.
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. a taxa real de juros já chegou a 8% no Brasil, mas por um mau motivo, a alta da inflação.
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Agora, a taxa está na casa do 8% com inflação baixa e expectativa contida.Há especialistas no assunto que acreditam que o BC poderia ter sido mais rápido na redução dos juros. Mas não se pode negar que o BC está entregando o serviço que se espera dele: colocar a inflação no chão e mantê-la lá. Conseguiu isso e está derrubando os juros.
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Não é pouca coisa.
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Ah!, mas o Brasil não cresce, dizem.
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Sim, mas que tal procurar as causas em outro lugar?

COMENTANDO A NOTÍCIA: Há questão de um pouco mais de um atrás, lançamos aqui esta questão: se derrubarem o juro a zero porcento, quanto crescerá o país ? A nossa resposta foi... praticamente nada. De tempos em tempos se lançam no país mitos que servem para justiçar até abortos naturais, tempestades no deserto, chuvas fora de época, calor fora da estação, até para cunha encravada. O jumento empacado do crescimento brasileiro não é e não será nunca por um aspecto apenas. Quando se olha para o mundo civilizado,l até pode ser. Mas no Brasil, há conjunto imenso de variantes que acabam pesando demasiado nas costas da iniciativa privada, e provocam o travamento de investimentos em produção, sejam em expansão e modernização de plantas industriais já existentes, ou na aberturas de novas indústrias. O governo até pode ajudar com incentivos aqui e ali, porém se terá algumas bolhas e nada mais. O que importa dizer é que a conjugação de juros altos, com burocracia sufocante, com tributação excessiva, com infra-estrutura sucateada, com falta de segurança jurídica, não apenas quanto a demora de decisões vitais mas pela constante mudança nas regras do jogo, com uma base educacional de baixíssima qualidade, com um nível de renda de quinta categoria, tudo isso junto, e mais algumas querelas, acabam gerando um cenário danoso para investimentos. Vejam o caso dos juros.

Dez em cada dez especialistas passaram os últimos quatro anos e pouco proclamando aos quatros ventos que eles impediam o país de crescer. Junto com os demais fatores, sim, mas isoladamente, de modo algum. Temos aí um tal de PAC que o governo Lula canta em verso e prosa como a mola propulsora que fará o crescimento dar saltos. Será ? E a carga tributária ? E a segurança jurídica ? E o excesso de normas, medidas e regulamentos que tornam a burocracia sufocante não conta ? E o excessivo peso de encargos sobre a folha de pagamentos que transformam qualquer salário mínimo num custo mais do que dobrado ?

Portanto, seria bom que os “especialistas se detivessem um pouco no cenário global que compõem o conjunto de fatores que nos impede de crescer nos mesmos níveis dos demais países emergentes. Isto seria já seria um grande avanço, do que escolherem apenas uma razão e ficarem martelando inutilmente em cima dela em tempo integral. Além de ser uma justificativa falsa, porque incompleta, acaba, como sempre, gerando enorme frustrações.