Pedro do Coutto, Tribuna da Imprensa
O PIB brasileiro, como o IBGE revelou nos jornais de quinta-feira, cresceu muito pouco em 2006, taxa de 2,9 por cento dentro de um índice demográfico de 1,3, que equivale ao nascimento de 2 milhões de novos habitantes no espaço de doze meses. O avanço, como todos reconhecem, a partir do próprio governo, foi muito pequeno, insuficiente. Sobretudo para descontar atrasos sucessivos, como os que aconteceram ao longo do período Fernando Henrique Cardoso. Em 97, em vez de evolução, houve retrocesso efetivo de 1,4 por cento. No ano 2000, uma descida de 0,7.
A população, claro, continuou - e continua - subindo, como é natural. Em 2004, já na era Lula, recuo de 0,9. O avanço de 2,9 pontos no ano passado não compensou o déficit acumulado, tampouco representou uma etapa positiva em termos de Produto Interno Bruto em face da população. O processo de desenvolvimento econômico-social ficou contido, como acentua o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Não há marketing capaz de convencer a opinião pública se não se basear em algo concreto. O governo continua devendo, por mais um ano, este algo concreto.
A explicação para a economia encontrar-se pouco veloz está no fato de que a política econômica é muito mais voltada para o plano financeiro do que para a produção. E sem produção não é possível atingir o desenvolvimento. Está faltando um projeto para o Brasil. Como aquele que o País teve a partir do momento em que Juscelino Kubitschek assumiu a presidência da República a 31 de janeiro de 56. No dia primeiro de fevereiro, o "Diário Oficial" publicava o plano de metas para o qüinqüênio.
JK convocou a primeira reunião do ministério para as 7 horas da manhã, no Palácio do Catete, logo ao início de sua administração, e, a partir daquele momento, começou a tocar o projeto. Os resultados apareceram. Não havia um centavo de dívida interna, esta só começou com Mário Henrique Simonsen na Fazenda, governo Geisel. A dívida externa na administração Kubitschek atingiu 2 bilhões de dólares.
Hoje, a dívida interna mobiliária, está no "Diário Oficial" de 28 de fevereiro, revelada pelo secretário do Tesouro Nacional em exercício, Tarcísio José Godoy, alcança 1 trilhão e 251 bilhões de reais. A dívida externa, em torno de 140 bilhões de dólares. Porém, o mais importante é que a taxa de investimentos públicos prevista para este ano é de apenas 67 bilhões de reais.
O orçamento passa de 1 trilhão e 600 bilhões, o PIB atinge o montante aproximado de 1 trilhão e 900 bilhões de reais. A proporção percentual dos investimentos programados em relação ao PIB, como se vê, está na escala de 3,5 por cento. Muito baixa. Impossível crescer assim. Inclusive as aplicações de capital mais expressivas acham-se concentradas na Petrobras e Furnas, as duas maiores estatais do País.
Isso de um lado. De outro, a leitura do trabalho de Tarcísio José Godoy leva a diversas descobertas. Aliás, como digo sempre, nada melhor do que a leitura do "Diário Oficial" para derrubar mitos que atravessam o tempo. Por exemplo: o déficit da Previdência Social, na realidade, não existe. As despesas com o funcionalismo civil e militar da União, em 2006, foram de 115 bilhões. Deste total, 66,1 bilhões com o pessoal ativo, 48,9 bilhões de reais com os aposentados, reformados e pensionistas. O que fazem os tecnocratas?
Misturam a seguridade do funcionalismo público com o INSS dos trabalhadores particulares, computam esses 48,9 bilhões e lançam esta parcela como déficit. Não é nada disso. Os servidores civis e militares, durante a vida toda, contribuíram com 11 por cento sobre seus vencimentos, sem limite, para garantir a aposentadoria integral. Onde está o déficit? O que fez o governo, ao longo do tempo, com a receita arrecadada?
Um mito desaba. Tanto assim que o mesmo balanço publicado pelo STN separa esta rubrica daquela que se refere aos aposentados e pensionistas do INSS. Esta assinala uma despesa de 231,7 bilhões e abrange 24 milhões de aposentados e pensionistas originários das relações trabalhistas com empresas privadas.
Outro dado importante contido no levantamento de Tarcísio Godoy é que as despesas com pagamento de juros aos bancos para rolagem da dívida interna estão previstas no montante de 165,8 bilhões este ano. No ano passado, atingiram 179,5 bilhões de reais. A explicação é a descida da taxa, atualmente no valor de 13 por cento ao ano. A dívida mobiliária federal, como vimos, está calculada em 1 trilhão e 251 bilhões.
Impossível de ser paga. Pois o trabalho da Secretaria do Tesouro Nacional assinala que a receita tributária, em 2007, encontra-se estimada em 589,9 bilhões de reais. Se a receita tributária representa algo em torno de um terço da dívida, como esta poderá ser saldada algum dia? Não há hipótese. Economia nos gastos está sendo feita, principalmente no que se refere à folha do funcionalismo público. Vamos encontrar a seguinte comparação: em 2006, ela custou ao Tesouro 115 bilhões.
A perspectiva para este ano é de que alcance apenas 118,7 bilhões de reais. Um aumento em torno de 1,5 por cento. Logo, a folha deste exercício não prevê reposição inflacionária para os funcionários. Se estivesse prevendo, teria que acrescentar pelo menos 3,6 por cento à despesa, já que 3,6 pontos foram a inflação identificada pelo IBGE no decorrer de 2006. O "Diário Oficial" continua sendo o grande revelador do País. Inimigo dos mitos.
O PIB brasileiro, como o IBGE revelou nos jornais de quinta-feira, cresceu muito pouco em 2006, taxa de 2,9 por cento dentro de um índice demográfico de 1,3, que equivale ao nascimento de 2 milhões de novos habitantes no espaço de doze meses. O avanço, como todos reconhecem, a partir do próprio governo, foi muito pequeno, insuficiente. Sobretudo para descontar atrasos sucessivos, como os que aconteceram ao longo do período Fernando Henrique Cardoso. Em 97, em vez de evolução, houve retrocesso efetivo de 1,4 por cento. No ano 2000, uma descida de 0,7.
A população, claro, continuou - e continua - subindo, como é natural. Em 2004, já na era Lula, recuo de 0,9. O avanço de 2,9 pontos no ano passado não compensou o déficit acumulado, tampouco representou uma etapa positiva em termos de Produto Interno Bruto em face da população. O processo de desenvolvimento econômico-social ficou contido, como acentua o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Não há marketing capaz de convencer a opinião pública se não se basear em algo concreto. O governo continua devendo, por mais um ano, este algo concreto.
A explicação para a economia encontrar-se pouco veloz está no fato de que a política econômica é muito mais voltada para o plano financeiro do que para a produção. E sem produção não é possível atingir o desenvolvimento. Está faltando um projeto para o Brasil. Como aquele que o País teve a partir do momento em que Juscelino Kubitschek assumiu a presidência da República a 31 de janeiro de 56. No dia primeiro de fevereiro, o "Diário Oficial" publicava o plano de metas para o qüinqüênio.
JK convocou a primeira reunião do ministério para as 7 horas da manhã, no Palácio do Catete, logo ao início de sua administração, e, a partir daquele momento, começou a tocar o projeto. Os resultados apareceram. Não havia um centavo de dívida interna, esta só começou com Mário Henrique Simonsen na Fazenda, governo Geisel. A dívida externa na administração Kubitschek atingiu 2 bilhões de dólares.
Hoje, a dívida interna mobiliária, está no "Diário Oficial" de 28 de fevereiro, revelada pelo secretário do Tesouro Nacional em exercício, Tarcísio José Godoy, alcança 1 trilhão e 251 bilhões de reais. A dívida externa, em torno de 140 bilhões de dólares. Porém, o mais importante é que a taxa de investimentos públicos prevista para este ano é de apenas 67 bilhões de reais.
O orçamento passa de 1 trilhão e 600 bilhões, o PIB atinge o montante aproximado de 1 trilhão e 900 bilhões de reais. A proporção percentual dos investimentos programados em relação ao PIB, como se vê, está na escala de 3,5 por cento. Muito baixa. Impossível crescer assim. Inclusive as aplicações de capital mais expressivas acham-se concentradas na Petrobras e Furnas, as duas maiores estatais do País.
Isso de um lado. De outro, a leitura do trabalho de Tarcísio José Godoy leva a diversas descobertas. Aliás, como digo sempre, nada melhor do que a leitura do "Diário Oficial" para derrubar mitos que atravessam o tempo. Por exemplo: o déficit da Previdência Social, na realidade, não existe. As despesas com o funcionalismo civil e militar da União, em 2006, foram de 115 bilhões. Deste total, 66,1 bilhões com o pessoal ativo, 48,9 bilhões de reais com os aposentados, reformados e pensionistas. O que fazem os tecnocratas?
Misturam a seguridade do funcionalismo público com o INSS dos trabalhadores particulares, computam esses 48,9 bilhões e lançam esta parcela como déficit. Não é nada disso. Os servidores civis e militares, durante a vida toda, contribuíram com 11 por cento sobre seus vencimentos, sem limite, para garantir a aposentadoria integral. Onde está o déficit? O que fez o governo, ao longo do tempo, com a receita arrecadada?
Um mito desaba. Tanto assim que o mesmo balanço publicado pelo STN separa esta rubrica daquela que se refere aos aposentados e pensionistas do INSS. Esta assinala uma despesa de 231,7 bilhões e abrange 24 milhões de aposentados e pensionistas originários das relações trabalhistas com empresas privadas.
Outro dado importante contido no levantamento de Tarcísio Godoy é que as despesas com pagamento de juros aos bancos para rolagem da dívida interna estão previstas no montante de 165,8 bilhões este ano. No ano passado, atingiram 179,5 bilhões de reais. A explicação é a descida da taxa, atualmente no valor de 13 por cento ao ano. A dívida mobiliária federal, como vimos, está calculada em 1 trilhão e 251 bilhões.
Impossível de ser paga. Pois o trabalho da Secretaria do Tesouro Nacional assinala que a receita tributária, em 2007, encontra-se estimada em 589,9 bilhões de reais. Se a receita tributária representa algo em torno de um terço da dívida, como esta poderá ser saldada algum dia? Não há hipótese. Economia nos gastos está sendo feita, principalmente no que se refere à folha do funcionalismo público. Vamos encontrar a seguinte comparação: em 2006, ela custou ao Tesouro 115 bilhões.
A perspectiva para este ano é de que alcance apenas 118,7 bilhões de reais. Um aumento em torno de 1,5 por cento. Logo, a folha deste exercício não prevê reposição inflacionária para os funcionários. Se estivesse prevendo, teria que acrescentar pelo menos 3,6 por cento à despesa, já que 3,6 pontos foram a inflação identificada pelo IBGE no decorrer de 2006. O "Diário Oficial" continua sendo o grande revelador do País. Inimigo dos mitos.