Folha de S. Paulo
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Em nota divulgada ontem, o ministro da Defesa, Waldir Pires, admitiu que impediu a publicação de um artigo do jornalista Boris Casoy sobre o levante comunista de 1935 na revista "Informe Defesa", da Assessoria de Comunicação Social do ministério.
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A informação foi divulgada ontem na coluna de Elio Gaspari na Folha.
A informação foi divulgada ontem na coluna de Elio Gaspari na Folha.
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Na nota, Pires afirma que "toda a vida, sem nenhuma transigência" lutou pelas liberdades, "inclusive a de imprensa", mas que considerou o texto "inadequado" à revista.
Na nota, Pires afirma que "toda a vida, sem nenhuma transigência" lutou pelas liberdades, "inclusive a de imprensa", mas que considerou o texto "inadequado" à revista.
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"O "Informe Defesa" é um veículo informativo oficial do Ministério da Defesa, para a comunicação dos seus atos e notícias. Não é uma publicação de natureza, ou missão, polêmica". O ministro afirmou também que a finalidade da revista é transmitir "a necessidade de um conceito de que as Forças Armadas são uma instituição essencial da Nação".
"O "Informe Defesa" é um veículo informativo oficial do Ministério da Defesa, para a comunicação dos seus atos e notícias. Não é uma publicação de natureza, ou missão, polêmica". O ministro afirmou também que a finalidade da revista é transmitir "a necessidade de um conceito de que as Forças Armadas são uma instituição essencial da Nação".
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"Os equívocos da história não são seu objetivo [da publicação]. Mas, ao contrário, a idéia de transmitir ao país a necessidade de um conceito de que as Forças Armadas são uma instituição essencial da Nação, para sua segurança e seu destino democrático, em meio aos riscos do mundo contemporâneo."
"Os equívocos da história não são seu objetivo [da publicação]. Mas, ao contrário, a idéia de transmitir ao país a necessidade de um conceito de que as Forças Armadas são uma instituição essencial da Nação, para sua segurança e seu destino democrático, em meio aos riscos do mundo contemporâneo."
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Pires conclui dizendo que não sabia que o ministério havia encomendado o artigo a Casoy. "Não sabia, nem o meu gabinete, do convite ao jornalista Boris Casoy, para sua contribuição. Suas convicções respeito-as e delas divergi, desde sempre, com apreço e cordialidade pessoal. Mas a página que escreveu está desenganadamente inadequada ao conteúdo de um informe oficial."
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Fica difícil para um ministro de “Defesa”, no qual se abrigam as Forças Armadas, sair a campo dizendo que praticou a censura no texto do Casoy porque a “finalidade da revista é transmitir a necessidade de um conceito de que as Forças Armadas são uma instituição essencial da Nação".
Primeiro, que Waldir Pires parece desconhecer pelo que as Forças Armadas lutaram no período compreendido pela ditadura militar. Foi justamente contra o terrorismo vermelho, já de há muito infiltrado no país. E é simples de Waldir Pires saber disto: basta perguntar a Jarbas Passarinho, vivo e lúcido, uma das mais importantes figuras daquele período, e que lhe pode passar todas as informações que ele, ministro, possa necessitar. Segundo, que ao informar algumas questões da famosa intentona comunista de 35, Casoy prestava uma solidariedade à própria instituição militar, ao demonstrar que no passado a luta pela causa democrática, também se constitui num dos pressupostos básicos e inerentes à instituição militar.
E mais, não tendo o senhor Waldir Pires nenhuma formação militar, até pelo contrário, é contrário a ela e contra ela se insurgiu e se indispôs (se com razão ou não é outra questão), deveria, por uma questão de princípio ético, submeter ao crivo dos próprios militares que lhe estão próximos, a adequação do texto ou não. Deixassem que eles, que melhor do que o ministro sabem o que é do interesse da instituição ou não.
Terceiro, seria mais prudente que o ministro admitisse que cometeu um equívoco de julgamento. Seria mais honesto confessar-se em erro, do que tentar justificar de forma tão pueril o cometimento de ato insano e anti-democrático, que é a prática de censura. Censura, da forma como a que o Ministro a fez., não se justifica a menos que se viva num país de regime totalitário.
Quarto, mais honesto ainda seria se o ministro dissesse que o jornalista Casoy, foi censurado pelo governo Lula, que tudo fez para que a Rede Record o demitisse, injustificadamente, pela razão das críticas (todas pertinentes, por sinal) que Boris fazia no tele-jornal do qual era o âncora. E que, além de forçar sua demissão, ainda tentou de todas as formas evitar sua contratação por outros canais de tevê. E sendo assim, independente do conteúdo do texto, sendo o mesmo escrito e assinado pelo Casoy, não se furtaria o governo que Pires representa, de dar-lhe a censura que entendia ser devida.
O que não pode, é um ministro vir dizer que censurou o texto sem saber quem era seu autor. É querer passar para o público um atestado de idiotia e imbecilidade que parte do público do país pelo menos ainda não tem. Seja sincero, ministro, não fale mentiras e não tente dar uma de Rolando Lero, a exemplo da ideologia instalada no governo atual. Você sabia sim quem era o autor, e independentemente do conteúdo do texto, censurou-o ao perceber quem o assinava.
Só que precisa ficar claro é o seguinte: não estamos no tempo de se sonegar informações ou as verdades do grande público para evitar as “repercussões”. Tudo que aqui se faz, de parte do poder público, acaba cedo ou tarde sendo descoberto. Estas ações belicosas de censura prévia, de sonegar informações sob o manto cretino de “segurança nacional” chega a ser ridícula, num país democrático, e que não se encontra em ação de guerra contra quem quer que seja. A censura, da forma como a praticada por Waldir Pires, denota o ranço autoritário, contra o qual dizem que o ministro um dia lutou. Era tão contrário, que acabou por praticar as mesmas barbaridades.
Ou o fez por desinformação absoluta do que seja a instituição militar em relação à Nação (indesculpável para um ministro de Defesa), ou por absoluta conivência com os métodos totalitários empregados pelo governo que representa. De um modo ou de outro, tanto a censura não era devida, quanto a justificativa chega a ser patética e ridícula. Com isto, e com toda a prosopopéia que o ministro Waldir Pires arrumou no apagão aéreo, o melhor que sua excelência faria para o bem do país, seria imediatamente pegar seu boné e ir prá casa. Já nos basta um presidente mentiroso e incompetente.
Pires conclui dizendo que não sabia que o ministério havia encomendado o artigo a Casoy. "Não sabia, nem o meu gabinete, do convite ao jornalista Boris Casoy, para sua contribuição. Suas convicções respeito-as e delas divergi, desde sempre, com apreço e cordialidade pessoal. Mas a página que escreveu está desenganadamente inadequada ao conteúdo de um informe oficial."
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Fica difícil para um ministro de “Defesa”, no qual se abrigam as Forças Armadas, sair a campo dizendo que praticou a censura no texto do Casoy porque a “finalidade da revista é transmitir a necessidade de um conceito de que as Forças Armadas são uma instituição essencial da Nação".
Primeiro, que Waldir Pires parece desconhecer pelo que as Forças Armadas lutaram no período compreendido pela ditadura militar. Foi justamente contra o terrorismo vermelho, já de há muito infiltrado no país. E é simples de Waldir Pires saber disto: basta perguntar a Jarbas Passarinho, vivo e lúcido, uma das mais importantes figuras daquele período, e que lhe pode passar todas as informações que ele, ministro, possa necessitar. Segundo, que ao informar algumas questões da famosa intentona comunista de 35, Casoy prestava uma solidariedade à própria instituição militar, ao demonstrar que no passado a luta pela causa democrática, também se constitui num dos pressupostos básicos e inerentes à instituição militar.
E mais, não tendo o senhor Waldir Pires nenhuma formação militar, até pelo contrário, é contrário a ela e contra ela se insurgiu e se indispôs (se com razão ou não é outra questão), deveria, por uma questão de princípio ético, submeter ao crivo dos próprios militares que lhe estão próximos, a adequação do texto ou não. Deixassem que eles, que melhor do que o ministro sabem o que é do interesse da instituição ou não.
Terceiro, seria mais prudente que o ministro admitisse que cometeu um equívoco de julgamento. Seria mais honesto confessar-se em erro, do que tentar justificar de forma tão pueril o cometimento de ato insano e anti-democrático, que é a prática de censura. Censura, da forma como a que o Ministro a fez., não se justifica a menos que se viva num país de regime totalitário.
Quarto, mais honesto ainda seria se o ministro dissesse que o jornalista Casoy, foi censurado pelo governo Lula, que tudo fez para que a Rede Record o demitisse, injustificadamente, pela razão das críticas (todas pertinentes, por sinal) que Boris fazia no tele-jornal do qual era o âncora. E que, além de forçar sua demissão, ainda tentou de todas as formas evitar sua contratação por outros canais de tevê. E sendo assim, independente do conteúdo do texto, sendo o mesmo escrito e assinado pelo Casoy, não se furtaria o governo que Pires representa, de dar-lhe a censura que entendia ser devida.
O que não pode, é um ministro vir dizer que censurou o texto sem saber quem era seu autor. É querer passar para o público um atestado de idiotia e imbecilidade que parte do público do país pelo menos ainda não tem. Seja sincero, ministro, não fale mentiras e não tente dar uma de Rolando Lero, a exemplo da ideologia instalada no governo atual. Você sabia sim quem era o autor, e independentemente do conteúdo do texto, censurou-o ao perceber quem o assinava.
Só que precisa ficar claro é o seguinte: não estamos no tempo de se sonegar informações ou as verdades do grande público para evitar as “repercussões”. Tudo que aqui se faz, de parte do poder público, acaba cedo ou tarde sendo descoberto. Estas ações belicosas de censura prévia, de sonegar informações sob o manto cretino de “segurança nacional” chega a ser ridícula, num país democrático, e que não se encontra em ação de guerra contra quem quer que seja. A censura, da forma como a praticada por Waldir Pires, denota o ranço autoritário, contra o qual dizem que o ministro um dia lutou. Era tão contrário, que acabou por praticar as mesmas barbaridades.
Ou o fez por desinformação absoluta do que seja a instituição militar em relação à Nação (indesculpável para um ministro de Defesa), ou por absoluta conivência com os métodos totalitários empregados pelo governo que representa. De um modo ou de outro, tanto a censura não era devida, quanto a justificativa chega a ser patética e ridícula. Com isto, e com toda a prosopopéia que o ministro Waldir Pires arrumou no apagão aéreo, o melhor que sua excelência faria para o bem do país, seria imediatamente pegar seu boné e ir prá casa. Já nos basta um presidente mentiroso e incompetente.