quinta-feira, março 15, 2007

Tarde Tensa no Palácio de Mentiras

Por Márcio Accioly, Alerta Total
.
O deputado federal Márcio Junqueira (PFL) compareceu ao Palácio do Planalto ontem, onde participou de reunião de trabalho com o chefe de gabinete da Casa Civil, Telton Melo e o sub-chefe de ação governamental, Johannes Eck, para discutir a questão fundiária de Roraima.

O encontro só foi possível porque o representante roraimense, desde que tomou posse, vem bombardeando a Casa Civil quase que diariamente com ofícios em que solicita audiência com a ministra Dilma Rousseff, sem sucesso.
.
Sem meios de se livrar da insistência do parlamentar, a ministra designou seu chefe de gabinete para contato inicial, classificado como “prévio”, a fim de tentar solucionar a questão ou verificar a possibilidade de agendar compromisso posterior com a própria titular da Casa Civil.
.
Busca-se empurrar o assunto para frente até cair no vazio.
.
Márcio Junqueira expôs, então, dificuldades enfrentadas pelo seu estado (em função de extensas áreas territoriais destinadas a enclaves indígenas), mostrando que a criação da Reserva Raposa/Serra do Sol causa graves danos à economia de Roraima. Ela elimina toda área de produção de arroz, um trabalho de 30 anos!
.
O deputado estava acompanhado dos rizicultores Valcir Centenário, Nelson Itikawa, Genor Faccio e Paulo César Quartieiro, este último prefeito do município de Pacaraima (fronteira com a Venezuela), cassado recentemente e que está recorrendo da decisão junto ao TSE – Tribunal Superior Eleitoral.
.
Além dos rizicultores, o ex-reitor da UFRR Hamilton Gondim integrou também a comitiva, tendo em vista o fato de ter atuado como relator do Grupo de Trabalho (GT) que examinou a polêmica demarcação da Raposa/Serra do Sol.
.
Os argumentos iam avançados quando Johannes Eck se juntou aos participantes, assumindo postura agressiva e enfatizando a irreversibilidade da situação. Quando Junqueira lembrou que o governo federal está entregando a Amazônia aos estrangeiros, inclusive com o “arrendamento de florestas”, Eck o chamou de “mentiroso”.
.
O tempo fechou: Márcio Junqueira exigiu “respeito”, disse que estava ali como representante parlamentar e defendendo o direito da população do estado. Acrescentou que quem mente é o governo federal, “ao prometer uma coisa e agir de forma inteiramente diferente”. Eck se viu obrigado a pedir desculpas.
.
Hamilton Gondim lembrou aos representantes do governo que a maioria dos integrantes do Grupo de Trabalho que analisou a demarcação das terras, “sequer tinha conhecimento de suas reais atribuições”. Telton Melo deixou claro que desconhecia a questão.
.
Márcio Junqueira se despediu do encontro avisando que irá colocar, dentro em breve, um plano “B” em ação: vai exibir um vídeo num telão, diante do Palácio do Planalto, mostrando a violência praticada no instante da demarcação e a mobilização policial para a remoção dos habitantes da área.
.
Ele acredita que dessa maneira o presidente ou a ministra Dilma Rousseff terminará por dispensar ao tema a importância devida, e um dos dois ou os dois irão se decidir, por fim, a recebê-lo.
.
Na opinião do parlamentar, não se tem como empurrar o drama de centenas de famílias para debaixo do tapete da omissão, especialmente agora que já se anuncia a criação de uma outra reserva. Pressionado, só resta ao governo procurar justificativas.
.
Márcio Accioly é Jornalista.

COMENTANDO A NOTICIA: Em 2006, publicamos aqui um resumo da dramática situação vivida atualmente pela população de Roraima. Apenaqs para que o leitor tenha uma idéia, do total da área geográfica ocupada por aquele Estado, tirando-se as reservas indígenas e áreas de preservação, sobram não mais do que 12% de área física para a população viver, plantar, ocupar. É um acinte, convenhamos !

Desconhecemos a quem ou a que grupos de interesses este governo inconseqüente de Lula esteja a serviço, mas certamente nenhum deles atende aos interesses do povo brasileiro. Veja-se o caso da privatização de extensas áreas da floresta, ajunte-se a isto a posição de subserviência perante as expropriações promovidas pela Bolívia no patrimônio da Bolívia, para quem Lula e escancara a bolsa e o bolso, inclusive patrocinando a reforma agrária de lá que acabará desapropriando brasileiros que lá se estabeleceram. Agregue-se ainda o tal tratado firmado pelo governo Lula quanto a autodeterminação dos povos indígenas que, se estivesse em vigor, teria o dom de esfacelar o território nacional em dezenas de pequenos países independentes. E, apesar dos ódios e ressentimentos desferidos no país por milhares de imbecis semana passada, por ocasião de visita do presidente americano, George W. Bush, devemos agradecer-lhe o fato do tal tratado não estar vigorando, pelo voto contrário da delegação americana que anteviu em si mesma o problema que os brucutus e megalomaníacos da diplomacia brasileira que não conseguiram enxergar.

A falta de respeito, a arrogância que imperam no governo federal quando se trata de ouvir os apelos da população, mereceriam o repúdio da sociedade.