quinta-feira, março 15, 2007

O que é ser PT

Lúcio Lopes, Minuto Político

O PT atacou o nepotismo desde que nasceu, sempre que foi oposição. Agora mesmo, nas últimas eleições, a senadora Ana Júlia Carepa, candidata ao governo do Pará, virou a corrida eleitoral - tornando-se a primeira governadora eleita da história do PT - martelando durante toda a campanha eleitoral que acabaria com o nepotismo deixado pelo ex-governador Simão Jatene.

Ela era tida como um dos melhores quadros do PT, em termos de correção.Pois bem, com pouco mais de 2 meses de mandato ela já nomeou:

- três irmãos;
- um primo;
- um ex-marido;
- um ex-cunhado;
- uma ex-concunhada.

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Logo de cara ela nomeou José Otávio Carepa, seu primeiro irmão, para o cargo de secretário-adjunto dos Esportes.

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Em seguida nomeou o segundo irmão, Artur Carepa, que já era funcionário da Assembléia Legislativa, foi içado a secretário geral da Casa, o cargo mais importante do legislativo em termos administrativos.

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Em seguida, o terceiro irmãozinho a compor o governo foi o médico Luiz Roberto Vasconcelos Carepa, nomeado diretor da escola técnica do SUS, vinculado à Secretaria da Saúde.
Em seguida veio o ex-marido de Ana Júlia, Marcílio Monteiro, nomeado secretário Extraordinário de Projetos Estratégicos, pela qual passam os grandes projetos de todo o governo do Pará.

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Depois nomeou o primo Arthur Emilio Carepa Aliverti como assessor especial.Em seguida nomeou o irmão do ex-maridinho, Maurílio de Abreu Monteiro, que assumiu a Secretaria de Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia.

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Depois nomeou Maria Joana, mulher do Maurílio, que vai assumir o centro de convenções.O pior de tudo nesta história é que, além de serem parentes, dois deles, Marcílio e Maria Joana, já foram investigados num esquema de fraudes de extração ilegal de madeiras e grandes madeireiras.

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Em nota à imprensa, a governadora disse que não há prática de nepotismo em sua gestão, e que sempre achou esta, uma prática negativa. A competência profissional está acima das relações pessoais, disse ela na nota, e que é preciso ter regras claras e critérios válidos para recrutamento de servidor público.É muita cara de pau, mas este é o PT que poucos conheciam, mas que se revelou a todos quando assumiu o poder.


COMENTÁRIO DE ADRIANA VANDONI, do Prosa & Política:

A turma safra legal de Ana Júlia
Por Adriana Vandoni, Prosa & Política
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Uma complementação à matéria do Lúcio Lopes publicada abaixo.Segundo apurou a CPI da Biopirataria (2005), o ex-marido da governadora Ana Júlia, Marcílio Monteiro, chefiava um esquema de corrupção na época em que era gerente executivo do Ibama no Pará, claro, por indicação da própria Ana Julia.

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O esquema chamado de Plano Safra Legal funcionou de novembro de 2004 até abril de 2005 e era usado para arrecadar de forma irregular recursos financeiros para políticos ligados ao PT. Funcionava da seguinte maneira: funcionários do Ibama vendiam autorizações para extração e transporte de madeira, por fora, sem passar pelos trâmites do Ibama, porém, com o consentimento do gerente executivo, Marcílio Monteiro, desde que uma parte do recebido fosse usado para campanhas do PT.

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Durante as investigações, o sindicalista Mário Rubens Rodrigues, Presidente do Sindifloresta do Pará, confirmou o esquema e disse que parte da propina era depositada nas contas bancárias de Maria Joana da Rocha Pessôa, assessora da então senadora e cunhada do ex-marido. A quebra de sigilo bancário de Maria Joana revelou que somente em 2004, em duas contas dela, houve um total de depósitos de mais de 2 milhões de reais, a maior parte feita em dinheiro vivo, e feitos na maioria das vezes em datas próximas de pleitos eleitorais.

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Para passar pela fiscalização, os caminhões usavam um adesivo escrito: “oPTante do Plano Safra Legal”. Era a senha do esquema de corrupção.

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Várias pessoas foram indiciadas, mas a senadora fez um acordo com a CPI para que ela e o ex-maridinho ficassem fora da lista.