quinta-feira, março 15, 2007

Lula volta a criticar redução da maioridade

Carolina Iskandarian Do G1

'Daqui a pouco vão punir a idéia de ter um filho', afirmou o presidente. Para Lula, jovens criminosos são resultado 'do descaso das últimas três décadas'

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a criticar nesta terça-feira (13) as propostas de redução da maioridade penal, em reação a movimentos na sociedade e no Congresso que buscam a punição para menores de 18 anos após a morte do garoto João Hélio, no Rio de Janeiro, no dia 7 de fevereiro.

"Acho um absurdo discutir redução da maioridade penal. Daqui a pouco vão punir a idéia de ter um filho. Mas ninguém pensa em punir a geração que foi deserdada", disse Lula. De acordo com ele, os jovens que estão fora da escola e suscetíveis a entrar para a criminalidade, são resultado "do descaso das últimas três décadas".

Uma semana após o crime, Lula já havia se posicionado contra qualquer mudança: "fico imaginando que se aceitarmos a diminuição da idade para 16 anos depois será 15, depois 10 e, quem sabe, algum dia, queiram até punir o feto", disse o presidente, no dia 16 de fevereiro.

Educação
Lula criticou ainda a forma de avaliação de ensino no Brasil, que, segundo ele, deveria ser diária. "Não consigo conceber que uma criança entra na escola e é avaliada só quatro anos depois. É preciso ter um critério de avaliação", disse ele, referindo-se aos ciclos de avaliação escolar, que variam em cada estado - não necessariamente são de 4 em 4 anos.
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O presidente voltou a elogiar o PAC, Programa de Aceleração para o Crescimento, afirmando "ser o mais importante projeto de desenvolvimento já feito no país". "Não tenho medo de dizer que é o mais importante, com cabeça, tronco e membros. Sabemos o que queremos, quando começar e quanto investir em cada área".

COMENTANDO A NOTICIA: Não fosse um semi-analfabeto preguiçoso e uma pessoa de caráter duvidoso, Lula jamais faria uma afirmação tão leviana, irreal e sem base alguma. A começar que a avaliação a que ele se refere de quatro em quatro anos, é feita das “escolas” e não dos “alunos”. Este, a cada bimestre é avaliado sim, e caso não logre êxito nas provas bimestrais, deverá repetir a série que cursou, no ano seguinte. Segundo, que ele já está há quatro anos na presidência, e tanto quanto os exames do ENEM/SAEB comprovaram, o ensino neste período perdeu qualidade se comparado, por exemplo, há dez anos atrás. Então, antes de atirar críticas infundadas e levianas nos presidentes anteriores, Lula deveria mirar-se no espelho e responder para si mesmo o que fez, no quesito educação, para melhor qualificar os jovens. Terceiro, se ele não fosse tão loroteiro, poderia também avaliar o que o seu primeiro mandato contribuiu para a redução da criminalidade na área de segurança por exemplo, na qual o contingenciamento de verbas, sugou dos estados a sua capacidade de investir em melhorias e capacitação na prevenção ao crime. Quarto, de nada vale subir no palanque e jogar a culpa dos próprios erros nos outros, pois sua omissão irresponsável e criminosa ao deixar impunes os companheiros acusados de corrupção, ativa e passiva, contribuiu para incentivar ainda mais o grau de violência no país. E em quinto lugar, se ele estivesse realmente preocupado com a criminalidade que aflige todo o país, porque, e apenas para citar um exemplo, ao invés de construir os cinco presídios de segurança máxima, previstos em seu pomposo plano de segurança, lá de 2003, conseguiu concluir apenas um, ainda assim, já ao final do primeiro mandato. A diferença, entre um estadista e um bravateiro, é que o primeiro assume responsabilidades e riscos e faz o que precisa ser feito, sem transferir culpas para quem quer que seja. O segundo é Lula, que só fala, fala, fala...

Portanto, não é este o melhor caminho para resolver problemas. Neste quesito, o primeiro passo é reconhecer a existência do problema e atacá-lo e combatê-lo com firmeza e vontade. Do modo como este presidente se porta e se comporta, dentro de quatro anos, ele ainda estará transferindo responsabilidades e culpas. O problema tende, assim, ficar cada vez pior.