quinta-feira, março 15, 2007

TV do governo Lula reflete aparelhamento do Estado

Folha de S. Paulo
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O presidente da Abepec (Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais), Jorge da Cunha Lima, diz que há uma ruptura dentro do governo em relação à televisão pública.
Para Cunha Lima, o projeto do ministro Hélio Costa (Comunicações) reflete a posição de segmentos do governo favoráveis ao aparelhamento político do Estado. "Felizmente, não é esta a posição de todo o governo. Prevejo grandes crises." A proposta do ministro atropelou a discussão sobre o futuro da televisão pública no país, promovida pelo Ministério da Cultura, que realizará, em abril, o 1º Fórum Nacional de TVs Públicas no Brasil.
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O Minc, a Radiobrás, as TVs educativas dos Estados, as TVs legislativas e as que se definem como do "campo público", como as comunitárias e as universitárias, defendem o conceito de que a TV pública é a que tem autonomia de gestão e programação voltada para os interesses da sociedade, e não para os dos governantes.
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O fórum é preparado desde o ano passado. Na última sexta-feira, diante de rumores de que setores do governo preparavam uma proposta de criação de uma rede nacional estatal, os organizadores enviaram uma carta a ministros pedindo que nenhum projeto nesse sentido fosse feito antes do evento.
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A carta foi assinada pela Abepec, pela ABTU (Associação Brasileira de Televisão Universitária), pela Astral (Associação Brasileira de Televisões e Rádios Legislativas) e pela Abccom (Associação Brasileira de Canais Comunitários).Hélio Costa diz defender que a nova TV tenha perfil semelhante ao da BBC, famosa por sua independência editorial em relação ao governo britânico.
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Público vs. Estatal
Para estudiosos do setor, porém, a comparação é improcedente, pois a BBC é uma emissora pública. As divergências deles com a proposta do ministro começam pelo nome dado ao projeto - Rede Nacional de TV Pública do Executivo."Há um equívoco conceitual", diz Gabriel Priolli, presidente da ABTU. "Se é uma rede que vai usar um canal da União tocado por órgãos estatais, não é uma TV pública, é estatal. Vamos dar nome aos bois."
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"Está havendo uma confusão entre estatal e público na proposta do ministro", concorda Laurindo Leal Filho, sociólogo e professor da Escola de Comunicações e Artes da USP. Para ele, o Executivo não precisa de outro canal se já possui o NBR, vinculado à Radiobrás.
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Eles lamentaram ainda a forma como o projeto foi apresentado -"a portas fechadas", de acordo com Leal Filho- e antes do fórum que ocorre em abril. Procurada, a TV Globo não quis falar sobre o projeto. A TV Record e a TV Cultura não responderam à Folha até o fechamento desta edição.
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COMENTANDO A NOTÍCIA: Projeto a portas fechadas uma ova ! Desde 2004 sabe-se das reais intenções do governo Lula com relação a uma política de aparelhamento nos sistemas de comunicações do país, e seja ele da grande mídia televisiva quanto a impressa. Ainda na campanha eleitoral para a reeleição de Lula, houve um momento em que o assunto chegou a constar de seu fajuto programa de governo, e diante das discussões que se abriram, resolveram retirá-lo. Mas se disse na época que o projeto para as comunicações não estava abandonado.

Além disto, a presença de Hélio Costa à frente do Ministério das Comunicações sempre foi um indicativo das reais pretensões do governo Lula neste campo. Sabe-se também que o secretário, Luiz Dulci, preparou durante um longo tempo, um projeto direcionado neste sentido. Então, nenhuma surpresa. Pelo menos para os informados, ou os não iludidos pelo canto de sereia governamental.

O que estamos assistindo é uma continuidade de tudo o que já se disse em relação a este desgoverno. Em todas as direções, Lula e seus capangas, sinalizam para o aparelhamento do Estado, para a privatização do governo pelo PT, e tudo regado pela ideologia retrógrada que os move. Só não vê quem não quer.

Todas as “revoluções” que Lula alardeia apontam na direção da cubanização do país, isto é, a cada dia mais nos tornamos atrasados, selvagens, convivendo diariamente com instituições em estado de calamidade, até estabelecer-se o caos total e, num golpe, instalar-se este ranço autoritário que petistas vem desenhando em todas as suas cores e matizes há mais de vinte anos.