sábado, abril 21, 2007

Copa: Governo não está preocupado com violência

BRASÍLIA - O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, e o ministro dos Esportes, Orlando Silva, minimizaram ontem a violência existente no País e o fato de ela poder atrapalhar a candidatura brasileira para receber a Copa de 2014. Os dois participaram de audiência com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no Palácio do Planalto, em Brasília, quando falaram sobre os detalhes do projeto para trazer o Mundial para o Brasil.

Foi o terceiro encontro entre Ricardo Teixeira e Lula para falar sobre o projeto brasileiro de organizar o Mundial - um deles teve até a participação do presidente da Fifa, Joseph Blatter. Ontem, inclusive, a CBF oficializou a candidatura do Brasil para a Copa de 2014, com a inscrição na Fifa.

"Violência tem no mundo todo", disse Ricardo Teixeira. "Eu também tenho pavor de ir a alguns países aí. Tenho medo de ir à Turquia e ter uma bomba explodindo ou de entrar em um trem em Madri. Ao ser indagado se violência e infra-estrutura eram problemas para trazer a Copa para o Brasil, Ricardo Teixeira respondeu: "Violência não".

Já o ministro dos Esportes, ao ser questionado se temia se a violência no País seria um tema fundamental para dizer que o Brasil não tem capacidade para receber a Copa, respondeu laconicamente: "Não". Depois, Orlando Silva emendou: "Violência é um outro tema. É um tema cuja pauta não está vinculada à Copa do Mundo. O que eu acredito é que problemas que o País enfrenta na área social, inclusive fenômenos vinculados a manifestações como a violência, não terão qualquer tipo de influência na definição da candidatura brasileira em 2014".

O ministro Orlando Silva declarou ainda que a sua responsabilidade "é cooperar com a CBF, por orientação do presidente, para que a candidatura brasileira seja forte e para que nós possamos preparar o Brasil para a Copa do Mundo". Para ele, "o tema violência é outra pauta, só que é artificial fazer uma vinculação, querer subordinar a abordagem de um tema à candidatura brasileira."

"Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa. O problema da violência tem de ser enfrentado por demanda da sociedade brasileira, que deseja ter um ambiente mais seguro. Não é um problema da Copa do Mundo", explicou Orlando Silva.

Apoio
Na audiência, o presidente da CBF apresentou ao presidente Lula a marca da campanha brasileira para organizar a Copa e o convidou para estar em Zurique, na Suíça, em novembro, quando a Fifa deverá confirmar a escolha do Brasil como sede para 2014.

Ricardo Teixeira também relatou o andamento dos contatos e da preparação da candidatura, enquanto Lula manifestou todo o apoio e o compromisso do governo federal para que a Copa seja realizada no Brasil.

"O presidente tem a perspectiva de que a Copa seja aqui em 2014" disse o ministro dos Esportes. Sobre o fato de o Brasil ser candidato único, depois da desistência da Colômbia, Orlando Silva considerou que isso "pode complicar nossa vida, porque pode levar a haver um rigor maior na avaliação de tudo".

Segundo o ministro, após a conquista da sede do Mundial em 2014, o Brasil vai ter de estruturar um novo PAC. "Será o Programa de Aceleração para a Copa. E aí, vamos ter de organizar um financiamento de tarefas que são de responsabilidade dos poderes públicos", explicou Orlando Silva.

O ministro informou ainda que a CBF vai apresentar à Fifa uma proposta de 18 estádios, dos quais a entidade irá escolher 12 para receber os jogos em 2014. "Dia 31 de julho vai ser entregue um dossiê com o projeto do Brasil e aí vem uma comissão da Fifa para fazer uma avaliação, inclusive decidir quais estádios serão escolhidos para realização dos jogos, avaliando, inclusive, a infra- estrutura que o cerca. Mas a definição de estádios a serem construídos pode ficar para depois da escolha do país, depois de novembro", contou.

Datas e prazos
Ricardo Teixeira afirmou que o presidente Lula assegurou que apoiará em tudo aquilo que for necessário para que o Brasil consiga trazer a Copa de 2014. Ele explicou que o governo brasileiro "tem de dar uma demonstração tácita à Fifa de que o governo brasileiro apóia a feitura da Copa do Mundo no Brasil".

O presidente da CBF contou que até o dia 31 de julho o Brasil vai entregar o caderno de encargos respondido à Fifa e, em cima disso, a entidade irá fazer a vistoria em setembro. Depois, em novembro, haverá a definição da sede.

Ricardo Teixeira também disse que o presidente Lula está "muito entusiasmado" com a possibilidade de o Brasil sediar a Copa. "Ninguém mais do que ele, que é um torcedor, está entusiasmo e se colocou à disposição para ajudar inclusive politicamente na área internacional para cabalar votos junto conosco. Acho que mais do que isso é impossível", declarou.

No final, Ricardo Teixeira aproveitou para convidar Lula para ir ao novo estádio de Wembley, em Londres, acompanhar o amistoso entre Brasil e Inglaterra, no dia 1º de junho. O presidente gostou da idéia, mas disse depender dos compromissos de sua agenda.

COMENTANDO A NOTÍCIA: Mas deveria preocupar sim, por ser um quesito indispensável para sermos escolhidos. E até parece que a violência no Brasil é coisa eventual e não preocupa a 80% da nossa população conforme pesquisa recente. Ricardo Teixeira comentando que tem medo de bomba na Turquia e trem explodindo na Espanha chega a ser uma delinqüência só ! Apenas para lembrar: a Espanha já realizou Olimpíadas e Copa do Mundo. Ninguém morreu nem houve trem explodindo. No Brasil morrem por atacado centenas de pessoas só com balas perdidas. Imaginem ! Mas a violência não deve ser a única preocupação com relação à Copa. Como deverão ser inúmeras obras em estádios, hotelaria, comunicações e transportes, é de se perguntar no estado em que encontram, quanto isto representará para o país em termos, sabendo-se de antemão que “obras públicas” no governo Lula corre-se o risco de falcatruas e custar de quatro a cinco vezes o valor orçado ? Podemos, na atual situação bancar isto tudo ? Um país que não consegue debelar uma epidemia de dengue nos estados do sul e sudeste, vai atrair que turistas ? Adoraria ver o Brasil bancando um nova copa do mundo, mas, querem saber, não acho o momento oportuno. Vamos pagar um preço muito alto e de retorno muito, mas muito duvidoso.