sábado, abril 21, 2007

Vazio social

por Juliano Schiavo, Blog Diego Casagrande

Não tenho assunto a discutir: há um vazio. Entre as folhas de jornal, a programação televisiva, o coro insistente dos ambientalistas contra o efeito estufa, a lágrima da mãe que perde seu filho por bala perdida, há um vazio. Entre todos os assuntos, um vazio que cresce e toma dimensões nunca vistas. É a sociedade vazia.
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Esse texto, que tenta argumentar sobre a sociedade vazia, nada acrescenta e nada tira, apenas existe. É ineficaz com suas palavras, que não emocionam e nem fazem uma revolução. É repetitivo e nasce da rotina diária, desde o acordar até o dormir – ele brota das observações da vida, reflexo dessa inconstância de sentimentos de amor e ódio, de tristeza e felicidade.
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Mas ele existe por que, mesmo quando as forças se esvaem, há sempre uma folha verde de esperança, de um verde novo que há de vir a brotar nesse solo ressecado chamado sociedade. Essa sociedade onde se morre aos poucos.
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Morre-se aos poucos quando os olhos se fecham para o novo, a vida restringe-se somente a uma repetição diária e quando não há vontade de se crescer intelectualmente. Morre-se aos poucos quando a televisão ocupa a vida, quando os vícios falam mais alto e quando a violência se torna coisa natural. Tudo isso é reflexo do vazio social, onde o homem passou a ser mercadoria e seus direitos de cidadão passaram a ser direitos de consumidor.
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Esse é o vazio onde pouco se muda, nada se transforma e a grande parte das ações se estagna. É o fruto dessa demagogia, onde se prega a mudança do outro e não sua própria mudança. É o vazio humano, tão presente nas ações diárias. É a filosofia do “eu sou perfeito, o outro que é ruim”. Cabe a quem mudar esses rumos?
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Não há mudança que se inicie sem que o homem eleve sua voz contra a injustiça, mesmo que num processo solitário. A transformação individual é o caminho para uma sociedade melhor.