sábado, abril 28, 2007

Juros: quem está certo?

Luiz Carlos Mendonça de Barros, especial para a Revista EXAME
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A decisão da última reunião do Copom apanhou o mercado financeiro de surpresa. Não pela redução de 25 pontos na taxa Selic, que era esperada pela maioria dos analistas, mas pelo inusitado do resultado da votação: quatro membros votaram pela redução de 25 pontos e três pela de 50 pontos. É muito raro uma decisão com uma divisão tão profunda nas reuniões de política monetária dos maiores Bancos Centrais do mundo desenvolvido. O normal é que as divergências entre seus membros sejam discutidas com profundidade durante a reunião, mas, na votação final, haja o maior consenso possível.
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O Banco Central em uma economia de mercado é hoje a maior referência para os agentes econômicos. Por isso, a questão da credibilidade da instituição é fundamental para que os mercados financeiros operem com certa estabilidade. Um Banco Central dividido é um sinal claro de dúvidas quanto ao comportamento futuro da economia. Por isso a decisão do Copom desta semana acaba por ter uma importância tão grande e provocará especulações sobre seu alcance até a divulgação da ata da reunião em que ela foi tomada.
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A questão dos juros no Brasil tem provocado um intenso debate entre os analistas, aqui e no exterior, que acompanham nossa economia. Depois de décadas em que tivemos a liderança absoluta entre as economias com os juros reais mais elevados, nos últimos meses temos vivido um período de quedas constantes nos juros. Pela primeira vez, em décadas, temos títulos do governo com juros nominais inferiores a 10%, com apenas um dígito, portanto. Eu, que trabalho no mercado financeiro desde 1968, não tinha ainda vivido esta situação. Agora, em 2007, começamos a conviver com juros civilizados e começamos a colher os frutos desta normalidade.
Mesmo assim existe uma grande pressão sobre o Banco Central para uma redução ainda mais rápida da taxa Selic. E aqui uma primeira provocação que faço ao leitor da Exame: quem está certo nessa polêmica? O BC, que quer moderar a queda dos juros, ou o mercado, que está prefixando juros bem mais baixos? Coloco, para ajudar o leitor, a curva de juros futuros operado pelo mercado, a chamada estrutura a termo de taxas de juros.

Para facilitar sua decisão eu afirmo que o Banco Central está errado e o mercado, certo. Aceito réplicas e farei tréplicas de maneira civilizada.Vou colocar brevemente neste blog textos que vão discutir as origens dessas incríveis mudanças que estão ocorrendo no mercado financeiro brasileiro e suas repercussões sobre nossa economia.