sábado, abril 28, 2007

TRAPOS E FARRAPOS...

Adelson Elias Vasconcellos, Comentando a Noticia

Ódio à democracia e injustiça tributária

Aquele ressentimento todo que destila de alguns jornalistas pseudo liberais ou como eles próprios se dizem, “isentos”, contra os EUA, aquela reverberação de ódio com o presidente americano que salta de cada linha, parágrafo e vírgula, bem que poderia fazê-los de vez em quando assistirem algum programa de entrevistas, ou lerem alguns jornais e revistas americanas para saberem o que é e como se faz a grandeza de um país.

Apanhemos um exemplo, David Lettermann. Para quem tem a felicidade de ser assinante de tevê a cabo e pode sintonizar seu programa, poderia apreender, por exemplo, que a crítica, a contrariedade de opinião, a discordância em relação ao que um presidente de um país faz, no caso do Estados Unidos, é algo que não choca, não cria clima de guerra, se sai dizendo que os críticos sejam adversários ou inimigos. E nem por isso a instituição da presidência deixa de ter sua aura mítica, e em nenhum outro país do mundo, a figura presidencial é tão reverenciada, independendo de quem a ocupe.

No Brasil, parlamentares roubam, corrompem e mentem desbragadamente e, ao menor sinal de critica, se alvorotam todos, e mesmo a crítica sendo verdadeira, já saem a filosofar a necessidade de se colocar freios no direito de expressão, regulamentarem a imprensa, e4, como tem-se visto muito por aqui, chamam a banca de advogados e processam os jornalistas. E pela simples razão de que eles não concordam com a mediocridade e a falcatruas que muitos deles cometem.

Esta gente que odeia democracia, liberdade, imprensa independente quando se posicionam na sua contrariedade, demonstram que para sua mentes perturbadas, o bom mesmo é a tirania, o autoritarismo, claro, com eles no comando. Há muitos petistas que adorariam ver no Brasil implantada sua ditadura civil.

O caso do Diogo Mainardi, e neste semana a virulenta discordância de Arlindo Chinaglia contra Arnaldo Jabor, é demonstrativo do nível de estupidez que esta gentalha assume diante dos que comungam no seu catecismo deprimente. E diga-se que Jabor até que foi bonzinho: no caso do gasto escandaloso e imoral dos combustíveis que a Câmara de Deputados pagou nos dois primeiros meses do ano, seria caso de serem expulsos da vida pública. O que ali se praticou foi um atentado à cidadania, foi roubo, foi assalto descarado e a céu aberto. Pena que faltem mais Arnaldos na imprensa: enquanto a verdadeira vive e convive plena e harmonicamente com a crítica e a discordância, na debilidade senil dos sistemas latinos de cafajestes, impera o ranço, o atraso e desfaçatez.

A crítica de FHC fez o PSDB respirar.
O ex-Presidente Fernando Henrique, entrevistado nesta semana pelo JBTV, criticou as posturas de alguns pessedebistas, por se deixarem aliciar pelos conchavos de Lula. A crítica foi certeira ao presidente (?) do partido, senador Tasso Jereissati, por este ter subido a rampa do Planalto para bater um papo com Lula. O líder do partido tomou conhecimento da visita pela imprensa. Tasso não reuniu ninguém para compor uma agenda comum de interesses do partido para discuti-la com Lula. Sozinho foi, sozinho voltou.

Não se está criticando o fato de Tasso aceitar um convite para conversar com o presidente. Mas sendo ele um presidente de partido, e do maior partido de oposição à Lula, deveria ter se dado conta do seu verdadeiro papel. Fosse ele apenas um cidadão comum, vá lá. Não mesmo que dar satisfação de seus atos a quem quer que seja, a não ser à sua própria consciência. Mas na qualidade de presidente do PSDB, Tasso cometeu ao meu ver tres pecados capitais que explicam um pouco esta inconcebível apatia dasa oposições em relação ao governo Lula.

A primeira, porque jamais saiu em defesa do governo FHC, período em que o país de fato atingiu e conquistou suas estabilidades política e econômica. Segundo, porque pela primeira nos últimos anos houve avanços institucionais no sentido de se moralizar as administrações públicas do país. Terceiro, porque o Estado foi estruturado adequadamente para permitir avanços nas áreas sociais. Isto só, já seria suficiente para derrubar os discursos de Lula que, desde janeiro de 2003, vem apregoando como suas, conquistas obtidas nos governos anteriores. Tasso ao calar-se, covardemente, permitiu que nos espaço vazios deixados pelo seu silêncio, fossem tomados por Lula e seus asseclas.

Depois, ainda na campanha de 2006, Tasso largou o candidato do partido de lado, para aliar-se ao candidato adversário, do mesmo partido do “amigo” Ciro Gomes. Além, claro, de jamais haver se empenhado pela vitória de Alckmin.

E agora esta derrapada. Já há muito que FHC vem dizendo que se o governo montar uma agenda de assuntos de interesse comum, o lugar para a discussão deverá ser no âmbito do Congresso Nacional. Ao contrário, Tasso Jereissati reuniu-se sozinho, sem prévio aviso aos líderes do partido, com o presidente que mais atacou o ideal e as heranças do PSDB. Aliás, defendo desde o ano passado, que o PSDB deveria imediatamente buscar alguém com energia, inteligência e vigor necessários para presidir o partido. Com Tasso no comando, o PSDB perde cada vez mais consistência, não apenas como partido de oposição ao PT, mas perde a consistência como partido político também.

A reforma tributária tem que priorizar a justiça tributária.
Mais adiante, vocês lerão um artigo do Pedro Coutto, na Tribuna da Imprensa, em que com imensa e bem detalhada explicação, ele nos descreve a grande palhaçada que é a estrutura do sistema de impostos no Brasil.

Apenas para que vocês possam refletir um pouco segue trecho do artigo: “(...)Nós, empregados, pagamos impostos indiretos (ICMS e o IPI) e diretos, como o de Renda, todos os dias. Mas injustamente, não podemos deduzi-los quando apresentamos a declaração anual de rendimentos. Mas eles são abatidos.

Por quem? Pelas empresas, entre elas os bancos, a maior expressão universal do capitalismo. Quer dizer: nós pagamos os tributos, cujos valores seguem embutidos nos preços. As pessoas jurídicas, que não sofreram a cobrança, é que deduzem o que foi recolhido. Creio que só no Brasil, País no qual, em conseqüência, a renda mais se concentra (...)”.

E se pode acrescentar outra aberração no sistema de arrecadação de impostos no Brasil, além da burocracia imbecil: o prazo de recolhimento. Antes mesmo de qualquer bem ou serviço possam gerar a renda que deles se espera, o contribuinte é obrigado a recolher o tributo sobre fatos futuros. Claro que a carga é impiedosa, mas a antecipação no pagamento como praticamos, é simplesmente uma estupidez. E este processo de “antecipação” iniciou-se com a hiper-inflação vivida nos anos 80. Como a correção dos preços se fazia diariamente, o governo passou a reduzir os prazos de recolhimento dos impostos para que estes não fossem corroídos pela inflação galopante.

Pois bem, terminada a inflação, os prazos não foram restabelecidos. No volume imenso de impostos que se paga, tal aberração faz com que o capital de giro das empresas sejam minados pelo próprio governo na sua ganância de arrecadação. Tome-se alguns exemplos como México, Espanha e Estados Unidos. Além da carga menor e da simplificação na forma com que se paga, os prazos permitem que as empresas possam efetivamente realizar e gerar a renda para a qual o produto ou serviços são criados.

Portanto, uma reforma tributária decente deveria considerar este aspecto. E é até estranho que os empresários não pressionem mais o governo neste sentido.

É preciso entender que o governo não produz absolutamente nada. Portanto, deve ele ajustar-se aos eventos econômicos que a sociedade produz e faz acontecer. E não o contrário, como acontece no Brasil.