sábado, abril 28, 2007

Municípios acham o piso alto; professores discordam

A proposta de piso salarial de R$ 850 para professores do ensino básico conseguiu desagradar aos principais interlocutores do governo nas negociações. Municípios alegam que o novo valor vai inviabilizar as contas das prefeituras a médio prazo, com as novas despesas criadas pelo Fundo de Desenvolvimento do Ensino Básico (Fundeb). Já os professores programam passeata para hoje em Brasília, por considerar o valor baixo, e reclamar da falta de incentivos à formação acadêmica.

Os professores defendem o piso salarial de R$ 1.050, para uma carga horária de 30 horas semanais, mais adicionais para habilitações, como mestrado ou especialização, e plano de carreira. O governo promete ajudar os municípios a arcarem com os gastos, com mais repasses federais para a educação. Serão R$ 2 bilhões a mais neste ano, outros R$ 5 bilhões em 2010 para ajudar com a despesa extra, assegura o ministro da Educação, Fernando Haddad.

Além disso, a implementação do piso deve ocorrer de forma gradual, para que o novo valor não tenha impacto muito forte nas contas das prefeituras. Segundo Haddad, o novo valor foi calculado para cumprir acordo firmado em 1994 entre o governo e a categoria. De acordo com o ministério, 39% dos professores no país, hoje, recebem salários abaixo de R$ 850. O percentual sobe para 55% no caso de professores em início de carreira.

- A idéia do piso foi uma conquista, mas o que o governo trouxe como piso é um conceito destrutivo - disse a presidente da Confederação Nacional de Trabalhadores em Educação (CNTE), Juçara Dutra Vieira.

- Isso é uma bomba de efeito retardado - critica o presidente da Confederação Nacional de Municípios, Paulo Ziulkoski. - O mais grave é que o piso virá com o aumento de demanda por mais professores. Ao longo do tempo, é insustentável. (K.C.)