Falta saber
Carlos Alberto Sardenberg, G1
Dá a impressão que o acordo Brasil-Bolívia foi apressado por razões políticas. São imprecisas as informações sobre os novos preços. Não se sabe qual o valor a mais que afinal será pago pela Petrobrás.
Sabe-se que será variável, mas não ficaram claros os critérios, nem os números. O custo adicional, aparentemente, ficará para a Petrobrás, já que ela não poderá repassá-lo para as distribuidoras às quais revende o gás. Os contratos atuais não permitem esse repasse.
Além disso, autoridades brasileiras falaram vagamente em outros entendimentos, tais como restabelecer projeto do pólo gás-químico de Corumbá – que a Petrobrás suspendera por ocasião das nacionalizações do ano passado – e a implantação do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, parte em Rondônia, parte na Bolívia.
Falou-se até numa maior ajuda brasileira para o combate à febre aftosa na Bolívia.
A idéia de calcular o preço adicional pela qualidade do gás foi copiada do acordo Argentina-Chile.
Enfim, dá a impressão de que o presidente Lula mandou fechar o acordo e aí improvisaram umas fórmulas para fechar o negócio.
E assim, o preço extra a ser pago pela Petrobrás será conhecido somente mais à frente.
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Que protagonista
Carlos Alberto Sardenberg, G1
Dá a impressão que o acordo Brasil-Bolívia foi apressado por razões políticas. São imprecisas as informações sobre os novos preços. Não se sabe qual o valor a mais que afinal será pago pela Petrobrás.
Sabe-se que será variável, mas não ficaram claros os critérios, nem os números. O custo adicional, aparentemente, ficará para a Petrobrás, já que ela não poderá repassá-lo para as distribuidoras às quais revende o gás. Os contratos atuais não permitem esse repasse.
Além disso, autoridades brasileiras falaram vagamente em outros entendimentos, tais como restabelecer projeto do pólo gás-químico de Corumbá – que a Petrobrás suspendera por ocasião das nacionalizações do ano passado – e a implantação do Complexo Hidrelétrico do Rio Madeira, parte em Rondônia, parte na Bolívia.
Falou-se até numa maior ajuda brasileira para o combate à febre aftosa na Bolívia.
A idéia de calcular o preço adicional pela qualidade do gás foi copiada do acordo Argentina-Chile.
Enfim, dá a impressão de que o presidente Lula mandou fechar o acordo e aí improvisaram umas fórmulas para fechar o negócio.
E assim, o preço extra a ser pago pela Petrobrás será conhecido somente mais à frente.
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Que protagonista
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Acredita em Papai Noel quem defende a versão de que a visita de Bush reforça a posição da Casa Branca favorável ao protagonismo do presidente Lula na região, em contraposição ao papel de liderança entre vizinhos que busca ter o venezuelano Hugo Chávez, ácido crítico da política de Washington.Tal versão é plantada pelos petistas para esconder o fato de que eles, como membros do Foro de São Paulo, pensam igualzinho ao companheiro Chávez e ao grande mestre Fidel Castro.
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A palavra é ...
Sérgio Rodrigues, NoMínimo
Acredita em Papai Noel quem defende a versão de que a visita de Bush reforça a posição da Casa Branca favorável ao protagonismo do presidente Lula na região, em contraposição ao papel de liderança entre vizinhos que busca ter o venezuelano Hugo Chávez, ácido crítico da política de Washington.Tal versão é plantada pelos petistas para esconder o fato de que eles, como membros do Foro de São Paulo, pensam igualzinho ao companheiro Chávez e ao grande mestre Fidel Castro.
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A palavra é ...
Sérgio Rodrigues, NoMínimo
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Blitzes x blitzen x blitze
Blitzes x blitzen x blitze
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O plural de blitz – e como elas têm se pluralizado nas ruas das grandes cidades brasileiras, ainda que com efeito pífio sobre os índices de criminalidade – é um foco permanente de polêmica. A palavra quer dizer “relâmpago” e foi importada do alemão como forma reduzida de Blitzkrieg, literalmente “guerra-relâmpago”, um tipo de ataque maciço e surpreendente celebrizado pelas tropas alemãs na Segunda Guerra Mundial. Não há registros confiáveis sobre o momento em que o termo foi adotado em português com o sentido de batida policial aparatosa. O certo é que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa de 1981 já incorporava o termo.
O plural de blitz – e como elas têm se pluralizado nas ruas das grandes cidades brasileiras, ainda que com efeito pífio sobre os índices de criminalidade – é um foco permanente de polêmica. A palavra quer dizer “relâmpago” e foi importada do alemão como forma reduzida de Blitzkrieg, literalmente “guerra-relâmpago”, um tipo de ataque maciço e surpreendente celebrizado pelas tropas alemãs na Segunda Guerra Mundial. Não há registros confiáveis sobre o momento em que o termo foi adotado em português com o sentido de batida policial aparatosa. O certo é que o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa de 1981 já incorporava o termo.
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A controvérsia sobre o plural de blitz, que se reflete na ausência de um padrão nas páginas de jornais e revistas, começa nesta indefinição de base: deve-se fazê-lo segundo as regras da língua original, o alemão, ou do idioma importador, o português? Aurélio e Houaiss recomendam o plural em alemão, recusando-se a dar cidadania brasileira à palavra – o que é estranho, pois se trata de vocábulo bem enraizado e de ampla circulação. O problema aqui é que os dicionários não se entendem sobre a forma correta em alemão: blitze para o Aurélio, blitzen para o Houaiss.
A controvérsia sobre o plural de blitz, que se reflete na ausência de um padrão nas páginas de jornais e revistas, começa nesta indefinição de base: deve-se fazê-lo segundo as regras da língua original, o alemão, ou do idioma importador, o português? Aurélio e Houaiss recomendam o plural em alemão, recusando-se a dar cidadania brasileira à palavra – o que é estranho, pois se trata de vocábulo bem enraizado e de ampla circulação. O problema aqui é que os dicionários não se entendem sobre a forma correta em alemão: blitze para o Aurélio, blitzen para o Houaiss.
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A resposta a essa questão é mais complexa do que parece, por ser o alemão, como o latim, uma língua declinativa. Consta que a opção do Aurélio faz mais sentido, pois a do Houaiss estaria restrita ao caso gramatical dativo. Como meu alemão é tão afiado quanto meu javanês, essas considerações se baseiam num estudo do pesquisador Sérgio Paulo Gomes de Vasconcelos, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, em que o problema do plural de “blitz” é analisado com riqueza de detalhes.
A resposta a essa questão é mais complexa do que parece, por ser o alemão, como o latim, uma língua declinativa. Consta que a opção do Aurélio faz mais sentido, pois a do Houaiss estaria restrita ao caso gramatical dativo. Como meu alemão é tão afiado quanto meu javanês, essas considerações se baseiam num estudo do pesquisador Sérgio Paulo Gomes de Vasconcelos, da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, em que o problema do plural de “blitz” é analisado com riqueza de detalhes.
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Blitze ou blitzen, o fato é que o alemão não me interessa neste caso. E não me interessa por parecer evidente que a palavra está incorporada à nossa língua e, assim, deve obedecer às regras gramaticais daqui. No dia em que ocorrer a alguém fazer o plural de pizza em pizze, à italiana, eu posso reconsiderar minha opinião – que, por acaso, é a mesma de Vasconcelos no estudo citado acima. Já pensou? “Duas pizze de calabresa, por favor!” Até lá, não sejamos pernósticos: blitzes, blitzes, blitzes. O leitor comum agradece.
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PT perderá espaço no ministério de Lula
Cláudio Humberto
O presidente Lula deixou escapar, para assessores e aliados, uma decisão que explica a recente “rebeldia” do PT: vai diminuir os espaços do partido em seu governo. “Estou cansado disso, o PT só fez cag(*)!”, queixou-se ele ontem, novamente. Fechado em copas, ele não compartilha com ninguém o futuro ministério, mas deixou claro que a vaga que pretende reservar ao PDT, em seu ministério, sairá da cota atualmente controlada pelo PT.
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Bush a negócios
Blitze ou blitzen, o fato é que o alemão não me interessa neste caso. E não me interessa por parecer evidente que a palavra está incorporada à nossa língua e, assim, deve obedecer às regras gramaticais daqui. No dia em que ocorrer a alguém fazer o plural de pizza em pizze, à italiana, eu posso reconsiderar minha opinião – que, por acaso, é a mesma de Vasconcelos no estudo citado acima. Já pensou? “Duas pizze de calabresa, por favor!” Até lá, não sejamos pernósticos: blitzes, blitzes, blitzes. O leitor comum agradece.
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PT perderá espaço no ministério de Lula
Cláudio Humberto
O presidente Lula deixou escapar, para assessores e aliados, uma decisão que explica a recente “rebeldia” do PT: vai diminuir os espaços do partido em seu governo. “Estou cansado disso, o PT só fez cag(*)!”, queixou-se ele ontem, novamente. Fechado em copas, ele não compartilha com ninguém o futuro ministério, mas deixou claro que a vaga que pretende reservar ao PDT, em seu ministério, sairá da cota atualmente controlada pelo PT.
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Bush a negócios
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A visita do presidente dos EUA, George Bush, à América Latina começa no próximo dia 8.
No encontro com Lula, em São Paulo, os dois presidentes têm um assunto em pauta já definido: energias alternativas.
A visita do presidente dos EUA, George Bush, à América Latina começa no próximo dia 8.
No encontro com Lula, em São Paulo, os dois presidentes têm um assunto em pauta já definido: energias alternativas.
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Não por coincidência, o negócio interessa às empresas da família do presidente norte-americano.
Bush vai passar por Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México.
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Jeitinho para faturar algum
Ao deixar a presidência da Finep para assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia, o ex-ministro Sérgio Machado não pediu exoneração. Foi exonerado. A “sutileza” lhe garantiu aviso prévio indenizado, multa sobre FGTS e uma ajudinha e tanto: R$ 33.642, ou dois meses de salário, para se instalar na Capital. A Finep diz que foi tudo conforme as leis trabalhistas.
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Demagogia in natura
O ex-governador de Alagoas Ronaldo Lessa (PDT) arrebentou as finanças do Estado, mas ontem rompeu com o sucessor, Teotônio Vilela (PSDB), que administra a massa falida, para “ficar ao lado dos trabalhadores”. Se o Poder Judiciário não fosse tão inútil, apesar do seu altíssimo custo e da demagogia de grande parte dos magistrados, este safado deveria era estar com bens indisponíveis, e preso, para aprender primeiro a respeitar o dinheiro público, segundo para aprender a administrar com competência, e terceiro, para deixar de ser canastrão.
Não por coincidência, o negócio interessa às empresas da família do presidente norte-americano.
Bush vai passar por Brasil, Uruguai, Colômbia, Guatemala e México.
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Jeitinho para faturar algum
Ao deixar a presidência da Finep para assumir o Ministério da Ciência e Tecnologia, o ex-ministro Sérgio Machado não pediu exoneração. Foi exonerado. A “sutileza” lhe garantiu aviso prévio indenizado, multa sobre FGTS e uma ajudinha e tanto: R$ 33.642, ou dois meses de salário, para se instalar na Capital. A Finep diz que foi tudo conforme as leis trabalhistas.
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Demagogia in natura
O ex-governador de Alagoas Ronaldo Lessa (PDT) arrebentou as finanças do Estado, mas ontem rompeu com o sucessor, Teotônio Vilela (PSDB), que administra a massa falida, para “ficar ao lado dos trabalhadores”. Se o Poder Judiciário não fosse tão inútil, apesar do seu altíssimo custo e da demagogia de grande parte dos magistrados, este safado deveria era estar com bens indisponíveis, e preso, para aprender primeiro a respeitar o dinheiro público, segundo para aprender a administrar com competência, e terceiro, para deixar de ser canastrão.