LONDRES - O banco HSBC revisou sua previsão para a cotação do real diante do dólar no final deste ano de R$ 2,10 para R$ 1,95. Em nota para clientes, o economista do banco britânico, Alexandre Bassoli, explicou que essa decisão reflete principalmente uma avaliação mais positiva para as perspectivas dos preços das commodities em 2007.
"Os preços de itens relevantes das exportações brasileiras estão crescendo vigorosamente", disse Bassoli. Como exemplo, ele citou o caso dos preços atuais do alumínio, aço, soja e suco de laranja, que estão, respectivamente, 11,2%, 6,9%, 28,6% e 16,6% acima dos seus preços médios em 2006.
Segundo o economista, as exportações brasileiras continuarão sendo beneficiadas por um crescimento econômico mundial robusto, apesar das incertezas com a inflação e o crescimento econômico nos Estados Unidos. "Vemos a emergência da China como o fator chave para a mudança nos preços relativos a favor das commodities", disse.
O HSBC prevê que a economia chinesa continue registrando um crescimento de dois dígitos neste ano e em 2008. "O aumento da produção do etanol nos Estados Unidos tem implicações potencialmente positivas para os preços dos grãos e proteínas animais, que são relevantes para as exportações brasileiras", afirmou.
O analista disse que, com o ambiente favorável para as exportações e a enorme demanda externa por ativos brasileiros, o balanço de pagamentos do país registra um volumoso superávit. "Isso significa que as forças de mercado apontam rumo a uma maior valorização do real", afirmou. "As intervenções do Banco Central podem conter essas forças no curto prazo, mas sob a estrutura de meta inflacionária com intervenções esterilizadas, o BC não é capaz de estabelecer metas para a taxa de câmbio".
Ele observou que apesar das intervenções do BC, o real se fortaleceu continuamente nos últimos 17 trimestres, com exceção do segundo trimestre de 2004. "Se acreditamos que os preços das commodities não vão erodir significativamente o superávit do balanço de pagamentos, a conclusão é que a obtenção de um novo equilíbrio deverá demandar uma maior valorização do real", disse.
Bassoli também ressaltou que a revisão para cima do PIB brasileiro nos últimos anos com a nova metodologia do IBGE e seu impacto positivo em indicadores como a relação entre a dívida pública e o PIB também sustentam essa avaliação.
"Obviamente, continua sendo imperativa a redução da expansão dos gastos públicos se o Brasil pretende acelerar seu crescimento potencial, mas é preciso reconhecer que os temores sobre a solvência fiscal parecem um pouco menos relevantes agora", disse. "É claro que isso deverá ser traduzido numa melhor avaliação do risco soberano e numa maior demanda pelos ativos brasileiros".
Selic
O HSBC também alterou sua previsão para a trajetória da Selic neste ano. Segundo o banco, a Selic deverá cair para 11,25% em dezembro de 2007, após seis cortes 0,25 ponto percentual nas seis próximas reuniões do Copom. "Continuamos acreditando que a economia vai ganhar ritmo nos próximos trimestres e com isso o hiato da produção vai se estreitar", disse o economista do banco britânico, Alexandre Bassoli. Segundo ele, uma valorização do real tem implicações desinflacionárias para os preços dos bens comerciáveis.
"Os preços de itens relevantes das exportações brasileiras estão crescendo vigorosamente", disse Bassoli. Como exemplo, ele citou o caso dos preços atuais do alumínio, aço, soja e suco de laranja, que estão, respectivamente, 11,2%, 6,9%, 28,6% e 16,6% acima dos seus preços médios em 2006.
Segundo o economista, as exportações brasileiras continuarão sendo beneficiadas por um crescimento econômico mundial robusto, apesar das incertezas com a inflação e o crescimento econômico nos Estados Unidos. "Vemos a emergência da China como o fator chave para a mudança nos preços relativos a favor das commodities", disse.
O HSBC prevê que a economia chinesa continue registrando um crescimento de dois dígitos neste ano e em 2008. "O aumento da produção do etanol nos Estados Unidos tem implicações potencialmente positivas para os preços dos grãos e proteínas animais, que são relevantes para as exportações brasileiras", afirmou.
O analista disse que, com o ambiente favorável para as exportações e a enorme demanda externa por ativos brasileiros, o balanço de pagamentos do país registra um volumoso superávit. "Isso significa que as forças de mercado apontam rumo a uma maior valorização do real", afirmou. "As intervenções do Banco Central podem conter essas forças no curto prazo, mas sob a estrutura de meta inflacionária com intervenções esterilizadas, o BC não é capaz de estabelecer metas para a taxa de câmbio".
Ele observou que apesar das intervenções do BC, o real se fortaleceu continuamente nos últimos 17 trimestres, com exceção do segundo trimestre de 2004. "Se acreditamos que os preços das commodities não vão erodir significativamente o superávit do balanço de pagamentos, a conclusão é que a obtenção de um novo equilíbrio deverá demandar uma maior valorização do real", disse.
Bassoli também ressaltou que a revisão para cima do PIB brasileiro nos últimos anos com a nova metodologia do IBGE e seu impacto positivo em indicadores como a relação entre a dívida pública e o PIB também sustentam essa avaliação.
"Obviamente, continua sendo imperativa a redução da expansão dos gastos públicos se o Brasil pretende acelerar seu crescimento potencial, mas é preciso reconhecer que os temores sobre a solvência fiscal parecem um pouco menos relevantes agora", disse. "É claro que isso deverá ser traduzido numa melhor avaliação do risco soberano e numa maior demanda pelos ativos brasileiros".
Selic
O HSBC também alterou sua previsão para a trajetória da Selic neste ano. Segundo o banco, a Selic deverá cair para 11,25% em dezembro de 2007, após seis cortes 0,25 ponto percentual nas seis próximas reuniões do Copom. "Continuamos acreditando que a economia vai ganhar ritmo nos próximos trimestres e com isso o hiato da produção vai se estreitar", disse o economista do banco britânico, Alexandre Bassoli. Segundo ele, uma valorização do real tem implicações desinflacionárias para os preços dos bens comerciáveis.