Vagner Ricardo , Jornal do Brasil
Até fevereiro, antes de conseguir um emprego fixo, mas modesto, Leonardo Rodrigues da Silva preparava tapioca, um prato típico do Nordeste, numa carrocinha em Ipanema, onde reconhecia alguns dos passageiros que atendia nos vôos nacionais ou internacionais ou mesmo ex-colegas de tripulação. O ex-comissário, que fala inglês e espanhol, trabalha numa empresa de ambulâncias, encarregado de fiscalizar entradas e saídas dos veículos, fora eventuais avarias, e recebe um salário médio equivalente a um terço da época de aeronauta.
Desempregada desde o ano passado, na seqüência da venda judicial da empresa, Mirian Macedo teve de fazer sua escolha de Sofia: cancelar o plano de saúde do pai, de 77 anos, para manter o da mãe, de 68. O motivo é que sua renda hoje, proveniente de balões decorativos para festas ou das aulas dessa técnica, é insuficiente para custear todas as despesas da casa.
- Como havia gasto parte do meu FGTS na compra de um imóvel para meus pais e o que tinha para retirar com a demissão não foi depositado, minha situação, como as dos demais dispensados, tornou-se ainda mais dramática - admite Mirian, que foi comissária por 16 anos.
Os dois, que até o ano passado tinham um renda média de R$ 3 mil, hoje contentam-se com um rendimento pífio se comparado aos tempos de comissário de bordo.
Para quem ainda tem dúvidas, eles são os órfãos da antiga Varig, aqueles aeronautas demitidos sem pagamento das indenizações trabalhistas, que não tiveram sequer de volta as contribuições feitas ano a ano para o fundo de pensão Aerus, extinto no ano passado. Os aeronautas, a rigor, são a parte mais atingida com a pá de cal jogada sobre a Varig.
Suas histórias retratam um pouco do drama das quase 9 mil famílias que foram à bancarrota com o esfacelamento da Varig e hoje tentam lançar mão de todos os recursos para sobreviver.
Comissário por 21 anos, Ambrósio Costa Filho, por exemplo, é gerente do único quiosque do bar Na Pressão instalado na praia de Icaraí, e não tem planos de retomar a antiga carreira, tamanha sua decepção. Ele, que teve 8% do salário descontado para o plano de previdência e chegou a reunir R$ 130 mil em reservas técnicas, não tem esperanças de reaver o que aplicou no fundo de pensão extinto.
A debacle avizinha-se também para o aposentado Paulo Resende, ainda um privilegiado nesse quadro de caos, que se assusta com o fantasma de ver extinta até o próximo mês a aposentadoria complementar, já diminuída em R$ 1 mil desde que o fundo Aerus acabou. Seu temor, de que tenha de submeter a família a novos sacrifícios, é realidade para o ex-comissário Adari José de Oliveira, que, vez por outra, precisa ensinar a reagir às agressões no colégio público para o qual foi transferido.
A compra da Nova Varig, a parte saneada da empresa vendida em leilão judicial pela Gol anima a poucos, apesar da promessa de recontratação de parte dos demitidos do ano passado. Em parte porque os funcionários mantidos na companhia incorporada tiveram o salário reduzido a um terço. Significa dizer que o salário de um piloto, entre R$ 8 mil e R$ 10 mil líquidos, hoje está reduzido a R$ 3 mil ou R$ 4 mil, dependendo dos adicionais por hora voada. O de comissário não supera R$ 1 mil.
Até fevereiro, antes de conseguir um emprego fixo, mas modesto, Leonardo Rodrigues da Silva preparava tapioca, um prato típico do Nordeste, numa carrocinha em Ipanema, onde reconhecia alguns dos passageiros que atendia nos vôos nacionais ou internacionais ou mesmo ex-colegas de tripulação. O ex-comissário, que fala inglês e espanhol, trabalha numa empresa de ambulâncias, encarregado de fiscalizar entradas e saídas dos veículos, fora eventuais avarias, e recebe um salário médio equivalente a um terço da época de aeronauta.
Desempregada desde o ano passado, na seqüência da venda judicial da empresa, Mirian Macedo teve de fazer sua escolha de Sofia: cancelar o plano de saúde do pai, de 77 anos, para manter o da mãe, de 68. O motivo é que sua renda hoje, proveniente de balões decorativos para festas ou das aulas dessa técnica, é insuficiente para custear todas as despesas da casa.
- Como havia gasto parte do meu FGTS na compra de um imóvel para meus pais e o que tinha para retirar com a demissão não foi depositado, minha situação, como as dos demais dispensados, tornou-se ainda mais dramática - admite Mirian, que foi comissária por 16 anos.
Os dois, que até o ano passado tinham um renda média de R$ 3 mil, hoje contentam-se com um rendimento pífio se comparado aos tempos de comissário de bordo.
Para quem ainda tem dúvidas, eles são os órfãos da antiga Varig, aqueles aeronautas demitidos sem pagamento das indenizações trabalhistas, que não tiveram sequer de volta as contribuições feitas ano a ano para o fundo de pensão Aerus, extinto no ano passado. Os aeronautas, a rigor, são a parte mais atingida com a pá de cal jogada sobre a Varig.
Suas histórias retratam um pouco do drama das quase 9 mil famílias que foram à bancarrota com o esfacelamento da Varig e hoje tentam lançar mão de todos os recursos para sobreviver.
Comissário por 21 anos, Ambrósio Costa Filho, por exemplo, é gerente do único quiosque do bar Na Pressão instalado na praia de Icaraí, e não tem planos de retomar a antiga carreira, tamanha sua decepção. Ele, que teve 8% do salário descontado para o plano de previdência e chegou a reunir R$ 130 mil em reservas técnicas, não tem esperanças de reaver o que aplicou no fundo de pensão extinto.
A debacle avizinha-se também para o aposentado Paulo Resende, ainda um privilegiado nesse quadro de caos, que se assusta com o fantasma de ver extinta até o próximo mês a aposentadoria complementar, já diminuída em R$ 1 mil desde que o fundo Aerus acabou. Seu temor, de que tenha de submeter a família a novos sacrifícios, é realidade para o ex-comissário Adari José de Oliveira, que, vez por outra, precisa ensinar a reagir às agressões no colégio público para o qual foi transferido.
A compra da Nova Varig, a parte saneada da empresa vendida em leilão judicial pela Gol anima a poucos, apesar da promessa de recontratação de parte dos demitidos do ano passado. Em parte porque os funcionários mantidos na companhia incorporada tiveram o salário reduzido a um terço. Significa dizer que o salário de um piloto, entre R$ 8 mil e R$ 10 mil líquidos, hoje está reduzido a R$ 3 mil ou R$ 4 mil, dependendo dos adicionais por hora voada. O de comissário não supera R$ 1 mil.