Carolina Benevides e Florença Mazza, Agência JB
RIO - O menino A., de 13 anos, cursa este ano a 6ª série de uma escola da rede municipal e, desde o dia 25 de abril, não precisa mais se preocupar em estudar para ser aprovado. Uma resolução assinada pelo prefeito Cesar Maia acabou com o conceito Insuficiente (I), que permitia a reprovação, e ampliou o sistema de Ciclos de Formação, que há seis anos já é utilizado da 1ª à 4ª série, para todo o ensino fundamental. Na prática, 625 mil alunos vão chegar ao ensino médio sem nunca repetir de ano.
– A realidade hoje é a seguinte: os professores da rede municipal vão para as salas de aula fazer figuração, já que só podem dar os conceitos Muito Bom(MB), Bom (B) e Regular (R). É triste, porque somos obrigados a contribuir para que estudantes cheguem ao último ano sem saber interpretar um texto ou somar – conta uma professora de ciências, que preferiu não se identificar.
Professor de português há mais de 20 anos, X. diz que em média, em uma turma que conta com 40 alunos, 10% ficariam reprovados.
– Nem todos têm condições de passar de ano e mais difícil do que lidar com a aprovação automática vai ser tentar fazer com que os alunos estudem. Afinal, a maioria vai achar que é perda de tempo passar horas em frente aos livros já tendo a garantia da aprovação – alerta X., lembram
do que a notícia ainda não se espalhou pelas salas de aula, mas que isso é questão de pouco tempo: – Teremos de comunicar aos pais e aos alunos que o sistema mudou. Não temos como começar a dar conceitos R para estudantes que sempre tiraram I sem explicar o que aconteceu. A comunidade escolar vai ter de saber e de se adaptar ao novo método.
Professora de matemática, H., que dá aulas há oito anos, já se prepara para a debandada de alunos de suas salas.
– Que adolescente que não gosta de matemática vai ficar indo a uma aula regularmente sabendo que basta aparecer para fazer a prova? – pergunta-se H.
Os professores, que já perderam tanta coisa nos últimos anos, vão perder agora o respeito.
Fazendo coro à reclamação dos professores, o deputado estadual Comte Bittencourt (PPS) diz que a aprovação automática é danosa não só para o processo de aprendizagem mas também para a vida dos alunos.
– Sou radicalmente contra ualquer processo de aprovação automática. É fundamental que o sistema de ciclos retenha, quando necessário, o aluno em determinadas séries. Corremos o risco de criar uma geração de alfabetizados funcionais, tendo alunos na 5ª, 6ª série que ainda estão aprendendo a ler – diz Comte, que acredita que o currículo escolar não deve cumprir apenas o papel de construir o conhecimento. – É necessário que ensine a formar responsabilidades.
Para o prefeito Cesar Maia não há motivo para tanto alarde em torno da medida.
– O sistema é o que se usa nos países onde a educação é máxima prioridade – diz Cesar. – O conceito é o seguinte: em uma sociedade da informação, num mundo descontínuo, especialmente para os mais pobres – base da escola pública – que são submetidos a TV dos adultos e não têm escrivaninha, estante ou laptop em casa, querer ter um processo seriado e contínuo nas escolas é criar uma escola excludente. Seria como voltar aos padrões do século 19.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Pois é, isto é o Brasil: precisando melhorar tanto o nível ensino, e os caras vem com uma medida absurda destas !!! Na verdade, e já falamos disto muitas vezes, quando o poder público não consegue cumprir seu papel por absoluta incompetência ou omissão e negligência, também, acaba lavando serenamente suas mãos. Veja o caso das drogas e do aborto. O que está propondo com a legalização, não mais é do que o atestado que o Estado está dando a si mesmo de sua incompetência em cumprir o mandamento constitucional que versa ser sua a obrigação de fiscalizar. Como não o faz, e quando o faz, faz mal e porcamente, é preferível “legalizar” o crime, porque com tal medida, ele se livra do abacaxi e joga tudo para a sociedade se danar. Então prá que governo ?
Do mesmo modo, agora se comporta César Maia, tanto quanto o Alckimin já fizera em São Paulo: se o aluno não consegue melhorar sua instrução por culpa da má gestão do ensino público, puna-se, então, o aluno, retirando dele o direito de ser avaliado. Sem avaliação, vende-se a idéia de que tudo vai bem. Ora, César Maia, faça o favor: educação é coisa séria, com ela não se brinca, nem tampouco o assunto merece ser tratado com tamanha irresponsabilidade. Como um pai ou mãe, doravante, conseguirão argumentar com seus filhos da obrigatoriedade deles irem à escola? E como agirão em cobrar deles que façam seus deveres e tarefas escolares, e se preparem para exames e avaliações ? E ainda vem com a conversa mole de que está modernizando o ensino com esta medida imbecil?
RIO - O menino A., de 13 anos, cursa este ano a 6ª série de uma escola da rede municipal e, desde o dia 25 de abril, não precisa mais se preocupar em estudar para ser aprovado. Uma resolução assinada pelo prefeito Cesar Maia acabou com o conceito Insuficiente (I), que permitia a reprovação, e ampliou o sistema de Ciclos de Formação, que há seis anos já é utilizado da 1ª à 4ª série, para todo o ensino fundamental. Na prática, 625 mil alunos vão chegar ao ensino médio sem nunca repetir de ano.
– A realidade hoje é a seguinte: os professores da rede municipal vão para as salas de aula fazer figuração, já que só podem dar os conceitos Muito Bom(MB), Bom (B) e Regular (R). É triste, porque somos obrigados a contribuir para que estudantes cheguem ao último ano sem saber interpretar um texto ou somar – conta uma professora de ciências, que preferiu não se identificar.
Professor de português há mais de 20 anos, X. diz que em média, em uma turma que conta com 40 alunos, 10% ficariam reprovados.
– Nem todos têm condições de passar de ano e mais difícil do que lidar com a aprovação automática vai ser tentar fazer com que os alunos estudem. Afinal, a maioria vai achar que é perda de tempo passar horas em frente aos livros já tendo a garantia da aprovação – alerta X., lembram
do que a notícia ainda não se espalhou pelas salas de aula, mas que isso é questão de pouco tempo: – Teremos de comunicar aos pais e aos alunos que o sistema mudou. Não temos como começar a dar conceitos R para estudantes que sempre tiraram I sem explicar o que aconteceu. A comunidade escolar vai ter de saber e de se adaptar ao novo método.
Professora de matemática, H., que dá aulas há oito anos, já se prepara para a debandada de alunos de suas salas.
– Que adolescente que não gosta de matemática vai ficar indo a uma aula regularmente sabendo que basta aparecer para fazer a prova? – pergunta-se H.
Os professores, que já perderam tanta coisa nos últimos anos, vão perder agora o respeito.
Fazendo coro à reclamação dos professores, o deputado estadual Comte Bittencourt (PPS) diz que a aprovação automática é danosa não só para o processo de aprendizagem mas também para a vida dos alunos.
– Sou radicalmente contra ualquer processo de aprovação automática. É fundamental que o sistema de ciclos retenha, quando necessário, o aluno em determinadas séries. Corremos o risco de criar uma geração de alfabetizados funcionais, tendo alunos na 5ª, 6ª série que ainda estão aprendendo a ler – diz Comte, que acredita que o currículo escolar não deve cumprir apenas o papel de construir o conhecimento. – É necessário que ensine a formar responsabilidades.
Para o prefeito Cesar Maia não há motivo para tanto alarde em torno da medida.
– O sistema é o que se usa nos países onde a educação é máxima prioridade – diz Cesar. – O conceito é o seguinte: em uma sociedade da informação, num mundo descontínuo, especialmente para os mais pobres – base da escola pública – que são submetidos a TV dos adultos e não têm escrivaninha, estante ou laptop em casa, querer ter um processo seriado e contínuo nas escolas é criar uma escola excludente. Seria como voltar aos padrões do século 19.
COMENTANDO A NOTÍCIA: Pois é, isto é o Brasil: precisando melhorar tanto o nível ensino, e os caras vem com uma medida absurda destas !!! Na verdade, e já falamos disto muitas vezes, quando o poder público não consegue cumprir seu papel por absoluta incompetência ou omissão e negligência, também, acaba lavando serenamente suas mãos. Veja o caso das drogas e do aborto. O que está propondo com a legalização, não mais é do que o atestado que o Estado está dando a si mesmo de sua incompetência em cumprir o mandamento constitucional que versa ser sua a obrigação de fiscalizar. Como não o faz, e quando o faz, faz mal e porcamente, é preferível “legalizar” o crime, porque com tal medida, ele se livra do abacaxi e joga tudo para a sociedade se danar. Então prá que governo ?
Do mesmo modo, agora se comporta César Maia, tanto quanto o Alckimin já fizera em São Paulo: se o aluno não consegue melhorar sua instrução por culpa da má gestão do ensino público, puna-se, então, o aluno, retirando dele o direito de ser avaliado. Sem avaliação, vende-se a idéia de que tudo vai bem. Ora, César Maia, faça o favor: educação é coisa séria, com ela não se brinca, nem tampouco o assunto merece ser tratado com tamanha irresponsabilidade. Como um pai ou mãe, doravante, conseguirão argumentar com seus filhos da obrigatoriedade deles irem à escola? E como agirão em cobrar deles que façam seus deveres e tarefas escolares, e se preparem para exames e avaliações ? E ainda vem com a conversa mole de que está modernizando o ensino com esta medida imbecil?