Fabiano Angélico, Especial para Terra Magazine
Para evitar dizer a seus clientes externos que o preço vai aumentar - porque a moeda brasileira está mais forte e por isso a margem de lucro caiu -, os exportadores brasileiros têm adotado estratégias como a antecipação do contrato de câmbio (para ganhar aplicando em reais no mercado financeiro), a terceirização de parte da produção (especialmente na China, onde os custos são mais baixos) e até artimanhas tributárias.
Com essas táticas e com o bom momento por que passa a economia mundial, as exportações brasileiras vêm crescendo. Porém, as taxas anuais de mais de 30% estão dando lugar a crescimentos mais tímidos, abaixo de 20%.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior indicam que o Brasil exportou US$ 144 bilhões no período de 12 meses encerrado em abril. No período anterior (maio 2005 a abril 2006), esse valor foi de US$ 123 bilhões. No período de 12 meses anterior, as vendas externas do Brasil totalizaram US$ 104 bilhões.
Entre maio de 2004 e abril do ano seguinte, o crescimento das exportações brasileiras foi de 33%. No período seguinte, esse percentual caiu para 19%. Finalmente, nos últimos 12 meses, o ritmo foi reduzido para 17%.
Entre maio de 2006 e o mês passado, o valor médio do dólar foi de R$ 2,14. No período anterior, era R$ 2,26 e, entre maio de 2004 e abril de 2005 - aquele período em que as vendas saltaram 33% -, a moeda norte-americana valia, em média, R$ 2,80.
Com a coincidência nas duas curvas (ritmo de crescimento e valor do dólar decrescentes), alguns economistas elevam o tom nas críticas quanto à política cambial do governo.
"O setor produtivo descobriu que era necessário transpor fronteiras e buscar o mercado externo para crescer, já que a renda per capta do brasileiro ainda é baixa. Num primeiro momento, conquistamos espaço no mercado externo por conta de qualidade e competitividade", avalia o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP), Wilson Villas Boas Antunes. "Mas isso tem um limite", diz.
"Não podemos ter dólar rígido, como no tempo do Gustavo Franco, quando o valor do dólar não representava a inflação que existia. Mas por outro lado, hoje, este câmbio colocado ao sabor da oferta e da procura pode trazer dificuldades para economia", diz.
O economista Luis Gonzaga Belluzzo, da Unicamp, também discorda da política cambial do governo. "Como a demanda global está aquecida, os industriais ainda se defendem, mas um país que quer ter um projeto avançado de industrialização não pode ter moeda valorizada. É ridículo", diz o colunista de Terra Magazine.
"Os industriais brasileiros estão virando comerciantes, ao contrário do que ocorre em processos de industrialização, em que os comerciantes passam a ser em industriais", diz o economista da Unicamp, mencionando um dos subterfúgios usados pelos industriais para não perder clientes externos.
Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado em março indica que cerca de 12% das grandes empresas brasileiras - praticamente uma em cada oito - têm parte de sua produção na China.
Esses movimentos dos industriais, na avaliação de Belluzzo, têm reflexo no emprego. "Há um descompasso entre o aumento das vendas e o aumento do emprego industrial. Nos últimos tempos, ou o emprego fica estagnado ou cresce muito pouco", diz o economista.
Quanto às recentes tarifas de importação implementadas pelo governo para proteger setores que têm mais problemas com o Real forte, Belluzzo diz que se trata de remendos. "Mas até quando vamos remendar?".
(*) Fabiano Angélico, 30, é jornalista da PrimaPagina (www.primapagina.com.br), onde atuou como repórter do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (www.pnud.org.br) e hoje é editor do conteúdo para o Brasil da agência européia de notícias Lusa (www.agencialusa.com.br). Trabalhou na EPTV (afiliada TV Globo), na Agência Interior e nos jornais Agora São Paulo, Estado de Minas e Hoje em Dia.
Para evitar dizer a seus clientes externos que o preço vai aumentar - porque a moeda brasileira está mais forte e por isso a margem de lucro caiu -, os exportadores brasileiros têm adotado estratégias como a antecipação do contrato de câmbio (para ganhar aplicando em reais no mercado financeiro), a terceirização de parte da produção (especialmente na China, onde os custos são mais baixos) e até artimanhas tributárias.
Com essas táticas e com o bom momento por que passa a economia mundial, as exportações brasileiras vêm crescendo. Porém, as taxas anuais de mais de 30% estão dando lugar a crescimentos mais tímidos, abaixo de 20%.
Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior indicam que o Brasil exportou US$ 144 bilhões no período de 12 meses encerrado em abril. No período anterior (maio 2005 a abril 2006), esse valor foi de US$ 123 bilhões. No período de 12 meses anterior, as vendas externas do Brasil totalizaram US$ 104 bilhões.
Entre maio de 2004 e abril do ano seguinte, o crescimento das exportações brasileiras foi de 33%. No período seguinte, esse percentual caiu para 19%. Finalmente, nos últimos 12 meses, o ritmo foi reduzido para 17%.
Entre maio de 2006 e o mês passado, o valor médio do dólar foi de R$ 2,14. No período anterior, era R$ 2,26 e, entre maio de 2004 e abril de 2005 - aquele período em que as vendas saltaram 33% -, a moeda norte-americana valia, em média, R$ 2,80.
Com a coincidência nas duas curvas (ritmo de crescimento e valor do dólar decrescentes), alguns economistas elevam o tom nas críticas quanto à política cambial do governo.
"O setor produtivo descobriu que era necessário transpor fronteiras e buscar o mercado externo para crescer, já que a renda per capta do brasileiro ainda é baixa. Num primeiro momento, conquistamos espaço no mercado externo por conta de qualidade e competitividade", avalia o presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon-SP), Wilson Villas Boas Antunes. "Mas isso tem um limite", diz.
"Não podemos ter dólar rígido, como no tempo do Gustavo Franco, quando o valor do dólar não representava a inflação que existia. Mas por outro lado, hoje, este câmbio colocado ao sabor da oferta e da procura pode trazer dificuldades para economia", diz.
O economista Luis Gonzaga Belluzzo, da Unicamp, também discorda da política cambial do governo. "Como a demanda global está aquecida, os industriais ainda se defendem, mas um país que quer ter um projeto avançado de industrialização não pode ter moeda valorizada. É ridículo", diz o colunista de Terra Magazine.
"Os industriais brasileiros estão virando comerciantes, ao contrário do que ocorre em processos de industrialização, em que os comerciantes passam a ser em industriais", diz o economista da Unicamp, mencionando um dos subterfúgios usados pelos industriais para não perder clientes externos.
Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado em março indica que cerca de 12% das grandes empresas brasileiras - praticamente uma em cada oito - têm parte de sua produção na China.
Esses movimentos dos industriais, na avaliação de Belluzzo, têm reflexo no emprego. "Há um descompasso entre o aumento das vendas e o aumento do emprego industrial. Nos últimos tempos, ou o emprego fica estagnado ou cresce muito pouco", diz o economista.
Quanto às recentes tarifas de importação implementadas pelo governo para proteger setores que têm mais problemas com o Real forte, Belluzzo diz que se trata de remendos. "Mas até quando vamos remendar?".
(*) Fabiano Angélico, 30, é jornalista da PrimaPagina (www.primapagina.com.br), onde atuou como repórter do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (www.pnud.org.br) e hoje é editor do conteúdo para o Brasil da agência européia de notícias Lusa (www.agencialusa.com.br). Trabalhou na EPTV (afiliada TV Globo), na Agência Interior e nos jornais Agora São Paulo, Estado de Minas e Hoje em Dia.