sexta-feira, maio 18, 2007

O ministro que atropela

Paulo César de Souza(*), Jornal do Brasil

O ministro da Previdência, Luiz Marinho, ex-presidente da CUT e ex-ministro do Trabalho, disse que não atropelou os velhinhos que lhe pediram uma audiência (negada), pois sua agenda anda sobrecarregada da silva.

Mas se não esfolou, passou por cima e matou, foi, no mínimo, cruel, antipático e grosseiro com os velhinhos da Cobap, que só queriam protestar em frente ao ministério com faixas, cartazes e apitos contra os míseros 3,3% de aumento concedidos aos que ganham mais de um salário mínimo - que acumulam perdas de 60% e que estão sendo empurrados, desde 1994, para a zona da pobreza.

Coincidência que o ministro chegou ao ministério no seu reluzente carro preto e quando viu os manifestantes refugiou-se no dito cujo. Foi cercado. Abriu o vidro, mas não suportou o apitaço e o vozerio dos protestos. Desacostumado a estas práticas reivindicatórias desde que virou vidraça, esquecendo-se que fora presidente da CUT, determinou ao motorista que rompesse o cerco. Rompendo, acabou por atropelar, causar arranhões, raiva, indignação naqueles que deveria proteger.

Faltou ao ministro postura, dignidade, respeito e a majestade do cargo. Comportou-se como um chulcro.

Despiu-se da condição de ministro de Estado, do Estado brasileiro, para ser ministro de ocasião, arrogante e desrespeitoso.

Mas o ministro, desde que desconfortavelmente, teve que ir para o MPS, vem atropelando, chutando a barraca, o pau e o que vê pela frente.

Começou assinando um monte de portarias demitindo servidores do INSS. Tem raiva e ódio dos servidores. Não importa as razões. Para ele, não passam de pessoas peçonhentas. Herdou a carapuça do seu antecessor que enganou a Deus e ao diabo na terra do sol...

Atropela a terceira reforma da Previdência com propostas que nada vão mudar a receita e reduzir o déficit e que vão retirar direitos sociais e garantias constitucionais.

Atropela as viúvas, quando quer cortar os benefícios adquiridos - pelos quais o PT tanto brigou, quando o PT era de briga, de protesto e de resistência aos "donos do poder".

Atropela os trabalhadores acidentados, quando encampa a redução do valor do auxílio doença e da aposentadoria por invalidez.

Atropela os médicos peritos quando, por pressão de sua bancada sindical, quer relaxar a perícia média e voltar às práticas fraudulentas da terceirização da perícia.

Atropela o controle sobre as concessões de benefícios rurais, igualmente por pressão da bancada sindical, mesmo que sejam facilidades geralmente geradoras de fraudes.

Atropela a moralidade pública quando permite acordo com a base política para abertura de postos do INSS (Prevcidade) em que as prefeituras entram com prédios e servidores, os políticos com a concessão e a fraude.

Por último, um lembrete da minha avó: ministro, quem mata velhinho não vai para o Céu.

(*)Paulo César de Souza, presidente da Associação Nacional dos Servidores da Previdência Social (Anasps)

COMENTANDO A NOTÍCIA: Na qualidade de ministro da Previdência, Luiz Marinho precisa aprender a ser mais ministro e menos jagunço. Afinal, somos nós que lhe pagamos o salário, portanto merecemos o devido respeito. Até porque se Marinho não gosta de sua posição, ou detesta lidar com os pobres, velhos e pensionistas de quem parece nutrir preconceito e ódio, pegue o chapéu e se mande. Se ficar, trate de ser civilizado.