sexta-feira, maio 18, 2007

Dólar baixo ameaça empregos no Brasil a médio prazo

Ivone Portes, Editora-assistente de Dinheiro da Folha Online
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A incessante queda do dólar em relação ao real ameaça o emprego no Brasil a médio prazo, principalmente nas pequenas e médias empresas com produção voltada para a exportação. A avaliação é do economista-chefe do Iedi, Edgard Pereira (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial).
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"Todos os estudos apontam para uma relação forte entre desvalorização cambial e emprego. Quando a moeda [brasileira] se desvaloriza, o nível de emprego cresce. Quando a moeda se valoriza, como está acontecendo agora [em relação ao dólar] o nível de emprego diminui. Então, cedo ou tarde essa valorização do real sobre o dólar vai se manifestar mais fortemente no nível de emprego", afirmou.
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O dólar comercial fechou hoje a R$ 1,953, em leve queda de 0,05% sobre o encerramento dos negócios nesta quarta-feira. No ano, o dólar já caiu cerca de 7%. A queda da divisa norte-americana gera preocupação principalmente nas empresas exportadoras, pois reduz a competitividade dos produtos brasileiros no exterior.
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Dados divulgadas nesta semana pelo Ciesp (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo) sobre o emprego na indústria paulista já mostram o efeito da queda do dólar nas empresas exportadoras.
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É o caso, por exemplo, do segmento de Celulose, Papel e Papelão, que reduziu em 0,48% o número de postos de trabalho em abril. O nível de emprego na indústria de produção de têxteis caiu 0,21% no mês. Apesar destes resultados negativos, no geral, o emprego industrial no Estado cresceu 2,25% em abril, maior percentual mensal da série histórica, sustentado pelo desempenho das empresas voltadas para o mercado interno, principalmente pelo setor sucroalcooleiro.
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Segundo Marcelo Villela, diretor da Quest investimentos, para sobreviver à queda do dólar muitas empresas têm cortado custos, o que significa redução de pessoal.
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"Algumas delas estão trabalhando com a parte de redução de custos, como Gerdau e Usiminas. Outras estão fazendo investimento no exterior para diminuir a exposição cambial, o que significa a transferência de empregos para outros países", afirmou.
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Para o economista-chefe do Iedi, as exportadoras de produtos básicos, como commodities, ainda conseguem sobreviver à queda do dólar. "De certa forma, os preços das commodities ainda compensam a desvalorização da moeda americana em relação ao real. Mas até quando elas conseguem se sustentar, não se sabe."
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"Já as indústrias de manufaturados, com uma quantidade maior de trabalho envolvida na produção, não têm muitas saídas, porque os custos salariais são dados pelo mercado de trabalho interno. A alternativa é exportar menos, não exportar, ou se mudar para outros países onde os custos são mais favoráveis."
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Com o dólar baixo, Pereira avalia que a tendência é o aumento do consumo de artigos importados. "Como esses produtos acabam ficando mais baratos, aumentam as vendas. Com isso, o segmento de comércio, os supermercados, vão aumentar o faturamento com a maior comercialização de importados. Isso já está acontecendo. Os fornecedores domésticos é que serão prejudicados, pois vão começar a perder espaço nas prateleiras dos supermercados para os importados."