sexta-feira, maio 18, 2007

Cortando Caminho

Por Márcio Accioly, Alerta Total
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O Brasil inteiro está se transformando numa zona conflagrada de guerra. E até mesmo os que insistem na defesa alienada (como fuga ou compensação), do caráter “bondoso” e “pacífico” do nosso povo, não mais se arriscam a circular em lugares isolados de nossas cidades, temerosos de assalto ou agressão.
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O foco do desastre, por conta de impacto exercido pela mídia, parece estar centrado no Rio de Janeiro e São Paulo. Mas é nos esquecidos estados das regiões Norte e Nordeste onde se registram índices calamitosos de violência, corroendo a base de nossa atividade econômica e causando incalculáveis prejuízos.São milhares de pessoas mutiladas, abarrotando hospitais desprovidos, que não dispõem de material adequado nem de cirurgiões qualificados como seria de se exigir. O Brasil que se vê na propaganda oficial está, a cada dia, mais distante da cruel realidade.
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No Rio de Janeiro, autoridades ditas responsáveis se mostram agora preocupadas com a aproximação do mês de julho, data dos Jogos Pan-americanos. É que a atividade criminosa do tráfico já obrigou, inclusive, a criação de um mapa de “exclusão aérea”.
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Matéria assinada por Antônio Werneck, no jornal O Globo do último domingo (13), mostrou que helicópteros civis que “invadem” áreas proibidas, no Rio de Janeiro, estão sendo alvejados com tiros de fuzis sofisticados.
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As “Rotas Penha, Ferrovia e Maracanã” são consideradas áreas de “alto risco”. Elas passam por cima de favelas do Complexo Alemão, do Jacarezinho (bairro do Méier) e complexos de morros da Tijuca.
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Já existem ameaças diretas, por parte dos traficantes, de se matar familiares de militares no caso de ações armadas contra suas organizações criminosas instaladas em favelas e morros. Junte-se a isso a possibilidade concreta de derrubada de helicópteros e teremos o caos generalizado.
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Com suas ramificações se estendendo aos poderes da República (a recente prisão de magistrados e as denúncias contra parlamentares deixam bem claro o nível de seu alcance), chega-se à conclusão de que o crime organizado no Brasil é o próprio Estado constituído.
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De indefeso mesmo somente o povo, pagando impostos e esperando ações por parte de autoridades corrompidas. As consideradas legítimas vivem ocupadas na criação de mecanismos de entrega perpétua de riquezas naturais do país, as quais poderiam propiciar meios indispensáveis à nossa libertação.
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A inglória tarefa de desmonte nacional vem de há muito e não parece ter fim. Passa por cima de tudo aquilo que se possa crer racional ou justo. Até mesmo da legislação mais explícita. Nos Atos das Disposições Transitórias Constitucionais, em seu artigo 26, lê-se com todas as letras que:
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No prazo de um ano a contar da promulgação da Constituição, o Congresso Nacional promoverá, através de comissão mista, exame analítico e pericial dos atos e fatos geradores do endividamento externo brasileiro.”
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Pois bem: passadas quase duas décadas, nenhum dedo se moveu no sentido de se instalar tal comissão, apesar de esforços empreendidos por alguns parlamentares e pela OAB – Ordem dos Advogados do Brasil.
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A instituição de superávits primários, no pagamento de dívida externa já saldada, gera miséria e dor, enquanto se aprofunda o fosso diante de um Estado que não defende os interesses da população. Estado mergulhado em contradições e que acirra duramente seus conflitos. De cenário como tal, não se tem como receber bonomia.