quarta-feira, maio 30, 2007

Coincidências

Reinaldo Azevedo

Por André Michael e Andreza Matais, na Folha desta quarta, volto depois:
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O STJ (Superior Tribunal de Justiça) determinou o afastamento de três delegados da Polícia Federal de suas funções públicas por 60 dias, sob o argumento de que teriam atrapalhado investigações relacionadas à Operação Navalha e vazado dados sigilosos. A decisão judicial inclui o delegado Zulmar Pimentel, diretor-executivo da PF e segundo homem na hierarquia do órgão.Além de Zulmar, foram afastados do cargo o delegado César Nunes, superintendente da PF na Bahia, e o delegado aposentado Paulo Bezerra, que atualmente é secretário de Segurança Pública da Bahia. A decisão abrange outros 15 servidores, acusados de envolvimento com o esquema de fraude a licitações descoberto pela Navalha e que hoje é investigado em inquérito presidido pela ministra do STF Eliana Calmon.Em nota oficial, a PF informou que irá instaurar procedimento disciplinar administrativo para apurar as denúncias e requisitou ao STJ documentos ligados à investigação.A ministra registra em seu despacho, com base em dados da PF, que Pimentel teria revelado dados sigilosos ao colega João Batista Santana, em março deste ano, quando ele era superintendente da PF no Ceará e estava sob investigação.O inquérito da Navalha revela que o diretor-executivo da PF viajou para Fortaleza, no dia 3 daquele mês, encontrou Batista e o exonerou do cargo. Mas também teria repassado ao colega informações sobre a investigação da qual o demissionário era um dos alvos.Conforme o inquérito, ao avisar Santana, a informação sobre a investigação, cujos primeiros alvos eram policiais federais, teria se disseminado e prejudicado o seu andamento.Em relação a Nunes e Bezerra, o argumento é de que teriam atrapalhado a investigação.Quanto ao então superintendente da PF na Bahia, a ministra cita um episódio ocorrido em 25 de maio passado, no qual ele teria confiscado um computador usado por um delegado do NIP (Núcleo de Inteligência Policial da PF), o braço regional da instituição que conduz a investigação da Navalha.A decisão da ministra deve dificultar as pretensões de Pimentel de substituir Paulo Lacerda na direção-geral da PF. Desde que as denúncias vieram à tona, Lacerda o sustenta no cargo, apesar da pressão para que fosse afastado.
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Voltei
Esse mundo é mesmo cheio de coincidências. No podcast que está no ar, Diogo Mainardi rememora um caso. Transcrevo aqui um trecho: “No ano passado, me entregaram uma cópia de um contrato de Naji Nahas com a Telecom Italia. A VEJA publicou uma reportagem sobre o assunto. Pouca gente deu bola para a história. Passou batida. Mas ela não terminou aí. Na semana passada, a revista italiana Panorama revelou que uma auditoria interna da Telecom Italia está investigando todos os pagamentos efetuados pela empresa a Naji Nahas, num total de vinte e cinco milhões de euros. Para onde foi o dinheiro? É o que os auditores da Telecom Italia querem descobrir. Eu tenho minhas suspeitas. Se elas se confirmarem, a gente poderá desvendar um pouco da sujeira do país. Caso contrário, o Diego acabará na miséria. Azar dele. Quem mandou o bestalhão se meter nessa história?
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Aí eu me lembrei que Diogo se referia A Zulmar numa coluna de outubro do ano passado, de que reproduzo alguns trechos:
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O lulismo está indo para a cadeia. Na Itália.
O caso estourou duas semanas atrás. Os promotores públicos milaneses descobriram que a Telecom Italia tinha um esquema de pagamentos ilegais a autoridades brasileiras. O esquema era simples. A Telecom Italia do Brasil remetia dinheiro a empresas de fachada sediadas nos Estados Unidos e na Inglaterra. A dos Estados Unidos era a Global Security Services. A da Inglaterra era a Business Security Agency. O dinheiro depositado nas contas dessas duas empresas era imediatamente repassado a intermediários brasileiros, que o distribuíam a terceiros.

A Business Security Agency era administrada por Marco Bernardini, consultor da Pirelli e da Telecom Italia. Ele entregou todos os seus documentos bancários à magistratura italiana. Há uma série de pagamentos em favor do advogado Marcelo Ellias: 50.000 dólares em 13 de julho de 2005, 200.000 em 5 de janeiro de 2006, 50.000 em 2 de fevereiro de 2006. De acordo com Angelo Jannone, outro funcionário da Telecom Italia, Marcelo Ellias era o canal usado pela empresa para pagar Luiz Roberto Demarco, aliado da Telecom Italia na batalha contra Daniel Dantas, e parceiro dos petistas que controlavam os fundos de pensão estatais.Entre 11 de julho de 2005 e 6 de janeiro de 2006, Marco Bernardini deu dinheiro também à J.R. Assessoria e Análise. Em seu depoimento aos promotores públicos, Marco Bernardini disse que esses pagamentos eram redirecionados à cúpula da Polícia Federal.

Paulo Lacerda e Zulmar Pimentel, números 1 e 2 da Polícia Federal, devem estar muito atarefados no momento, investigando a origem do dinheiro usado para comprar os Vedoin. Mas quando sobrar um tempinho na agenda eles podem procurar seus colegas italianos.
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É isso. Eu sabia que mais um estranho nome da fauna político-adminitrativa no Brasil não nos era estranho.