por Denis Rosenfieldm Blog Diego Casagrande
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O Brasil atravessa um momento particularmente delicado de sua história. A Operação Navalha desmontou mais um esquema de corrupção, envolvendo principalmente uma empreiteira, políticos e administradores públicos envolvidos na corrupção. Os desdobramentos da operação terminaram comprometendo uma outra empresa e nada menos do que o Presidente do Senado. A triangulação entre empreiteiras, parlamentares e políticos escancarou mais uma face do modo mediante o qual recursos públicos são desviados. Não há suficientes verbas para educação, saúde e habitação, mas o país se mostra próspero na corrupção.
O Brasil atravessa um momento particularmente delicado de sua história. A Operação Navalha desmontou mais um esquema de corrupção, envolvendo principalmente uma empreiteira, políticos e administradores públicos envolvidos na corrupção. Os desdobramentos da operação terminaram comprometendo uma outra empresa e nada menos do que o Presidente do Senado. A triangulação entre empreiteiras, parlamentares e políticos escancarou mais uma face do modo mediante o qual recursos públicos são desviados. Não há suficientes verbas para educação, saúde e habitação, mas o país se mostra próspero na corrupção.
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Neste processo, do ponto de vista político, há perdedores, que não são apenas os parlamentares, donos de empresas, lobistas e políticos. E dentre esses perdedores, as instituições estão ponteando. O Poder Legislativo, em particular, está acrescentando danos à sua imagem, de tal maneira que políticos começam a ser identificados a corruptos, em todo caso, a pessoas desonestas. É preocupante para um país que uma de suas mais importantes instituições sofra um desgaste de tal monta. Ora, o Poder Executivo esteve também diretamente envolvido, particularmente em ministérios que são os que liberam os recursos, mas saíram, agora, do foco. Sempre se poderá dizer que a Polícia Federal, órgão do Executivo, cumpriu, por sua vez, com sua missão. É bem verdade, porém isto acrescenta ainda um outro problema.
Neste processo, do ponto de vista político, há perdedores, que não são apenas os parlamentares, donos de empresas, lobistas e políticos. E dentre esses perdedores, as instituições estão ponteando. O Poder Legislativo, em particular, está acrescentando danos à sua imagem, de tal maneira que políticos começam a ser identificados a corruptos, em todo caso, a pessoas desonestas. É preocupante para um país que uma de suas mais importantes instituições sofra um desgaste de tal monta. Ora, o Poder Executivo esteve também diretamente envolvido, particularmente em ministérios que são os que liberam os recursos, mas saíram, agora, do foco. Sempre se poderá dizer que a Polícia Federal, órgão do Executivo, cumpriu, por sua vez, com sua missão. É bem verdade, porém isto acrescenta ainda um outro problema.
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Para além da correção das prisões e das descobertas, não podemos deixar de assinalar o espetáculo que orienta essas prisões e apreensões. Ele é tanto ou mais importante que os próprios fatos. O estardalhaço ganha as imagens televisivas, as ondas de rádio e ocupa páginas e páginas dos jornais. Passa, então, a mensagem de que a corrupção está sendo combatida no país, graças às ações de um governo atento à moralidade. Ora, toda a corrupção do primeiro mandato, atingindo diretamente pessoas próximas ao presidente, obrigando à renúncia de ministros, ceifando a presidência do PT, com denúncia do Procurador-Geral da República, desaparece do horizonte. É como se fosse um outro governo, do qual o atual seria opositor. E o próprio presidente emerge sobranceiro desses episódios, como se estivesse acima de qualquer contenda partidária e seus assessores não estivessem eles mesmos envolvidos.
Lula paira sobre os diferentes partidos políticos e, de uma maneira geral, sobre todos os grupos e movimentos sociais. Ele está representando muito bem o seu papel de líder, que se situa acima das lutas partidárias, como se encarnasse, em sua pessoa, todo o país. Não importa o que diga, o que conta é o seu modo de dizer, o seu modo de comunicação com a população brasileira. O que vale é o seu sorriso, a sua maneira de expressar, numa postura carismática que o coloca, neste sentido político preciso, como um líder populista. Neste segundo mandato, ele se coloca como populista, cuja posição seria suprapartidária e supra-social. É como se a corrupção não fosse do seu governo, mas de algum outro, do qual ele é opositor.
Para além da correção das prisões e das descobertas, não podemos deixar de assinalar o espetáculo que orienta essas prisões e apreensões. Ele é tanto ou mais importante que os próprios fatos. O estardalhaço ganha as imagens televisivas, as ondas de rádio e ocupa páginas e páginas dos jornais. Passa, então, a mensagem de que a corrupção está sendo combatida no país, graças às ações de um governo atento à moralidade. Ora, toda a corrupção do primeiro mandato, atingindo diretamente pessoas próximas ao presidente, obrigando à renúncia de ministros, ceifando a presidência do PT, com denúncia do Procurador-Geral da República, desaparece do horizonte. É como se fosse um outro governo, do qual o atual seria opositor. E o próprio presidente emerge sobranceiro desses episódios, como se estivesse acima de qualquer contenda partidária e seus assessores não estivessem eles mesmos envolvidos.
Lula paira sobre os diferentes partidos políticos e, de uma maneira geral, sobre todos os grupos e movimentos sociais. Ele está representando muito bem o seu papel de líder, que se situa acima das lutas partidárias, como se encarnasse, em sua pessoa, todo o país. Não importa o que diga, o que conta é o seu modo de dizer, o seu modo de comunicação com a população brasileira. O que vale é o seu sorriso, a sua maneira de expressar, numa postura carismática que o coloca, neste sentido político preciso, como um líder populista. Neste segundo mandato, ele se coloca como populista, cuja posição seria suprapartidária e supra-social. É como se a corrupção não fosse do seu governo, mas de algum outro, do qual ele é opositor.
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A situação ainda se agrava mais pela falta de postura crítica das oposições. O Presidente do Senado não respondeu diretamente a nenhuma das acusações que lhe foram feitas, encenando todo um drama pessoal. Os diferentes partidos políticos apressaram-se a dizer que tudo estava resolvido, nenhuma outra investigação fazendo-se necessária. A ressalva, de praxe, consistiu em dizer que seria necessário aguardar novas revelações da imprensa, como se coubesse a ela realizar a investigação de um parlamentar. Seria interesse do próprio Senado levar essa investigação adiante, o que não está sendo feito. O seu desprestígio só tende a aumentar e leva consigo a credibilidade dos partidos políticos, onde situação e oposição se mostram igualmente coniventes.
A situação ainda se agrava mais pela falta de postura crítica das oposições. O Presidente do Senado não respondeu diretamente a nenhuma das acusações que lhe foram feitas, encenando todo um drama pessoal. Os diferentes partidos políticos apressaram-se a dizer que tudo estava resolvido, nenhuma outra investigação fazendo-se necessária. A ressalva, de praxe, consistiu em dizer que seria necessário aguardar novas revelações da imprensa, como se coubesse a ela realizar a investigação de um parlamentar. Seria interesse do próprio Senado levar essa investigação adiante, o que não está sendo feito. O seu desprestígio só tende a aumentar e leva consigo a credibilidade dos partidos políticos, onde situação e oposição se mostram igualmente coniventes.
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Enquanto isto, há dois grandes ganhadores na etapa atual do processo. O próprio Presidente Lula, que fortalece a sua imagem, não tendo hesitado em se despedir rapidamente do seu Ministro de Minas e Energia. Seguindo o script do primeiro mandato, ela não assume a responsabilidade do seu governo e essa postura passa bem junto à opinião pública. A Polícia Federal, por sua vez, graças ao seu posicionamento- espetáculo, transmite a mensagem de que a corrupção está sendo combatida, independentemente de empresas e políticos. As práticas escusas do governo são, assim, veladas por suas próprias operações policiais, de modo que o desvio de recursos públicos e as práticas partidárias não respingam na figura do presidente. Ora, o problema reside precisamente aí: um presidente que consegue se colocar acima dos partidos políticos e do esquema de desvio de recursos públicos, instalado em seu próprio governo, e uma Polícia que age muitas vezes ao arrepio dos direitos dos cidadãos.
Enquanto isto, há dois grandes ganhadores na etapa atual do processo. O próprio Presidente Lula, que fortalece a sua imagem, não tendo hesitado em se despedir rapidamente do seu Ministro de Minas e Energia. Seguindo o script do primeiro mandato, ela não assume a responsabilidade do seu governo e essa postura passa bem junto à opinião pública. A Polícia Federal, por sua vez, graças ao seu posicionamento- espetáculo, transmite a mensagem de que a corrupção está sendo combatida, independentemente de empresas e políticos. As práticas escusas do governo são, assim, veladas por suas próprias operações policiais, de modo que o desvio de recursos públicos e as práticas partidárias não respingam na figura do presidente. Ora, o problema reside precisamente aí: um presidente que consegue se colocar acima dos partidos políticos e do esquema de desvio de recursos públicos, instalado em seu próprio governo, e uma Polícia que age muitas vezes ao arrepio dos direitos dos cidadãos.