quinta-feira, março 24, 2011

Cinco anos após ‘dança da pizza’, Angela Guadagnin luta para levar Samu a São José dos Campos

Jair Stangler, do Estadão.com.br


Quando percebeu que a Câmara dos Deputados livraria o deputado João Magno (PT-MG), acusado de ter recebido dinheiro do mensalão, a deputada federal Angela Moraes Guadagnin (PT-SP) deixou sua natural discrição de lado, saiu do lugar onde estava, sentada nas primeiras fileiras à esquerda do plenário, e dançou, para manifestar sua alegria pela absolvição do amigo.

A “dança da pizza”, como ficou conhecido o episódio ocorrido na madrugada do dia 23 de março de 2006, há exatos cinco anos, foi gravada, apareceu nas TV, circulou pela internet e foi capa de jornais (inclusive do Estadão). 29 segundos que eternizaram o nome de Angela Guadagnin.



À época dos acontecimentos, chegou a pedir desculpas aos eleitores pelo seu comportamento. Justificou-se dizendo ter extravasado sua alegria pela absolvição de um amigo em cuja inocência acreditava – Angela também era integrante do Conselho de Ética da Câmara.

Atualmente, Angela é vereadora na Câmara de São José dos Campos. Tem sua atuação voltada para a saúde e a família. A marca de sua atuação na Câmara é a luta para levar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para São José dos Campos. Procurada pelo Estadão.com.br para falar sobre o episódio e também para falar sobre sua atuação como vereadora, ela preferiu não conceder entrevista. Seu chefe de gabinete, José Oliveira, justificou por telefone e por e-mail (veja abaixo), a recusa de Angela em conceder entrevista.

Segundo ele, o escândalo do mensalão “foi uma farsa articulada pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB) em conjunto com os dois principais partidos de oposição ao governo Lula (PFL e PSDB) com o apoio da mídia tradicional”. De acordo com ele, Angela, que não estava envolvida nas denúncias do mensalão, foi eleita por esse movimento como “ícone nacional da corrupção”. Seu único crime, afirma ainda Oliveira, foi ter agido com isenção no Conselho de Ética da Câmara.

Angela Guadagnin foi alvo de campanha difamatória, diz assessor
Embora a vereadora e ex-deputada federal Angela Guadagnin tenha optado por não conceder entrevista ao Estadão.com.br por conta dos cinco anos da “dança da pizza”, seu chefe de gabinete, José Oliveira, enviou o e-mail transcrito abaixo, justificando as razões para que Angela não se pronunciasse.

De acordo com ele, o mensalão foi “uma farsa articulada pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB) em conjunto com os dois principais partidos de oposição ao governo Lula (PFL e PSDB) com o apoio da mídia tradicional.” Segundo ele, esse movimento explorou uma manifestação espontânea de Angela Guadagnin e a elegeu como “ícone nacional da corrupção.”

Oliveira lembra que Angela nunca havia respondido a qualquer processo disciplinar e nem foi citada no caso do mensalão. Diz que a deputada não foi reeleita para a Câmara em 2006 em razão da “campanha de difamação promovida pela mídia” naquele ano, mas destacou que “no ano de 2008, o povo joseense a conduziu democraticamente ao cargo de vereadora em São José dos Campos.”

Leia abaixo a íntegra do e-mail:

“Nós do Partido dos Trabalhadores, temos claro que o chamado “mensalão” de 2005 foi uma farsa articulada pelo então deputado Roberto Jefferson em conjunto com os dois principais partidos de oposição ao governo Lula (PFL e PSDB) com o apoio da mídia tradicional. Essa farsa tinha como objetivo atingir o governo do presidente Lula e impedir sua reeleição em 2006, para impedir as transformações sociais pelas quais passa o nosso país. Tanto ficou clara a farsa, que o denunciante foi cassado por não ter conseguido provar a denúncia.

Porém, a falcatrua foi tão grande que, na firmeza de seus propósitos repugnáveis, os articuladores desse desserviço a nação foram até as últimas consequências para tentar alcançar seus objetivos espúrios, denegrindo a imagem daqueles que advogavam em favor desses projetos, chegando ao cúmulo por exemplo de cassar o mandato do deputado José Dirceu sem nada provar contra ele.

Como fruto dessa ação nefasta, esse movimento explorou uma manifestação espontânea da então deputada Angela Guadagnin, que nunca sofreu nenhum processo disciplinar em seus mandatos, por comemorar a primeira absolvição do colegiado da Câmara a um dos acusados pelos mentores do golpe, o deputado João Magno. A deputada Angela não apenas nunca havia respondido a qualquer processo disciplinar como sequer foi envolvida nas denúncias dessa malfadada campanha.

Seu único crime, durante aqueles sete anos no exercício do mandato de deputada federal, era agir com isenção no Conselho de Ética da Câmara, na defesa do Estado democrático de direito, não fazendo pré-julgamento, possibilitando a ampla defesa e o contraditório que são consagrados através dos Direitos Universais da Pessoa Humana. Somente por essa postura, esse movimento a elegeu o ícone nacional da corrupção.

Porém a voz do nosso povo brasileiro falou mais alto ao se recusar a cair nessa armadilha e através do voto, reconduziu o operário Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da Republica. Infelizmente, o mesmo não ocorreu naquele momento com a deputada Angela, devido à campanha de difamação promovida pela mídia naquele momento. Mas, no ano de 2008, o povo joseense a conduziu democraticamente ao cargo de Vereadora em São José dos Campos.

Face ao exposto, acredito ter lhe respondido os motivos pelos quais a vereadora não se pronunciará sobre o assunto.

Sem mais,

Saudações!

JOSÉ OLIVEIRA

Chefe de gabinete da Dra Angela Guadagnin e Secretário Geral do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores de São José dos Campos

***** COMENTANDO A NOTÍCIA:

A política brasileira tornou-se tão nojenta e asquerosa por comportar e manter impunes, e com assento no poder, pessoas deste baixo calibre, que o melhor às vezes, é nem comentar nada, apenas lamentar e torcer para que um dia, talvez, num futuro não muito distante, possamos respirar ares mais puros. O caso todo da senhora Ângela Guadagnin é bem emblemático destes tempos tortuosos. Ele acaba falando tudo por si mesmo.

Não é à toa que, apesar do discurso professar o contrário, a classe política deste país jamais dará à educação a importância que ela merece. Quanto mais baixo o nível da população, mais facilmente pessoas desta jaez se manterão atuantes na vida política e, claro, privilegiados por toda a porcaria e proveito que dela podem tirar e usufruir.

E, convenhamos: num casos destes, assim como acontece com os Barbalhos, Malufs e Roriz da vida, não há Lei Ficha Limpa que dê jeito.