quinta-feira, novembro 30, 2006

Assunto: Reforma Política

por Augusto de Franco
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Algumas dezenas de movimentos e organizações da sociedade civil - ditos independentes, mas que, com toda a certeza e não por acaso, fizeram campanha para candidatos petistas ou votaram em Lula nas duas últimas eleições - estão se mobilizando para apresentar propostas de reforma política.
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Paradoxalmente, declaram que seu objetivo é radicalizar a democracia, quando, na verdade, entendem por isso o controle corporativo ou para-corporativo da esfera pública. Por exemplo, insistem em querer controlar os meios de comunicação a partir de conselhos onde possam disputar hegemonia.
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Na verdade, consciente ou inconscientemente, atuam como linha auxiliar da estratégia do lulopetismo para o Brasil, qual seja, a de instaurar uma hegemonia neopopulista de longa duração no país (para poder reter o poder nas mãos do mesmo líder ou do mesmo grupo indefinidamente).
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Enquanto isso, 40% do Brasil mais esclarecido e menos corporativizado - que não votou em Lula nas últimas eleições - não se mexe, não se mobiliza, não discute. E os chamados partidos de oposição também não tomam qualquer iniciativa para ampliar o debate.
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Preparem-se, portanto, para muitos anos de retrocesso.
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Para ter uma idéia das propostas agitadas pela chamada "esquerda", entrem, por exemplo, no site www.participacaopopular.org.br e leiam os textos. Valeria a pena fazer uma análise crítica do que anda propondo esse pessoal. Mas fico me perguntando: para que? Quem vai ler? Quem vai se interessar?
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Para as oposições só interessam dois assuntos atualmente (nessa ordem): a) como serão as eleições de 2008 e 2010?; b) como os eleitos agora em 2006 poderão fazer excelentes governos para se cacifar para 2010, tendo muitas maravilhas administrativas para mostrar na televisão?
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Todo resto é resto. Nossos oposicionistas não estão nem mais preocupados em apurar de onde veio o dinheiro do mensalão e do falso-dossiê e o que faziam os homens de Lula na trama. Não estão preocupados com o avanço do processo de perversão da política e de degeneração das instituições nesta segunda etapa (e ao que tudo indica não a última) da 'Era Lula'. Sequer cogitam de organizar a necessária resistência democrática no país. Como esperar que estejam preocupados em ampliar o debate sobre a reforma política?
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www.democracia.org.br