quinta-feira, novembro 30, 2006

O Governo é do Estado de Mato Grosso

por Adriana Vandoni, no Prosa & Política
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Muito grave a notícia publicada no jornal Folha de São Paulo do dia 26 de novembro. Grave em vários sentidos. Primeiro, claro, a revelação em si, sugerindo a participação do então candidato ao governo do estado de Mato Grosso, Blairo Maggi, na compra de acusações para interferir no processo eleitoral do estado. Essa revelação deve ser averiguada pela Polícia Federal e pelo Tribunal Regional Eleitoral, afinal, se o então candidato pagou, como sugere a reportagem, para os Vedoins e assim tumultuar as eleições, ele cometeu uma infração. Mas este caso está ou deve estar nas mãos da justiça. Espero que ela cumpra suas funções.
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O que me chamou a atenção e até me deixou constrangida foi ver o Secretário Estadual de Comunicação Social, no exercício de suas funções, responder em nome do cidadão Blairo Maggi. Está havendo confusão ai. O Secretário não é assessor de imprensa ou porta-voz da pessoa física Blairo Maggi. A ele compete formular e executar a política de comunicação social do Estado e não a defesa dos atos cometidos pelo candidato ao governo Blairo Maggi. Ou o que sugere a matéria é que o Governo do Estado de Mato Grosso tenha participado de negociações de informações? Não. Em nenhum momento a matéria diz que foi o Governo do Estado de Mato Grosso que negociou com Vedoin o envolvimento de quem quer que seja no esquema dos sanguessugas, o que aliás, deixaria a denúncia com teores mais graves ainda. A matéria diz que o deputado Abicalil contou a Berzoini que Blairo “havia pago Vedoin para que este falasse à revista Veja” e incriminasse seu adversário político.
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Se a suspeita é de que tenha sido o cidadão Blairo Maggi, ele deveria se pronunciar, já que não quis fazer pessoalmente, através de seu advogado ou porta-voz de sua campanha ou até através de um imediato de suas empresas.
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Jamais usar o Secretário Estadual de Comunicação Social que é um funcionário público com função definida em Lei. E se este tenha atuado como assessor de imprensa da sua campanha política, que então se identificasse como tal e não como Secretário de Estado.
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O que é isso? Confusão entre o que é Público e o que é Privado? Mato Grosso está com a imagem mais que desgastada por intermináveis escândalos, não acho conveniente um Secretário Estadual ficar dando entrevistas em defesa das ações praticadas pelo cidadão, não pelo governador. A menos que tenha sido um ato do Governo do Estado, mas isso só quem poderá confirmar é o Deputado Abicalil, o deputado Berzoini, o petista Valdebran Padilha ou quem mais estiver envolvido nesse golpe todo.
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O que é inadmissível e vexatório, é a nota como foi publicada pelo jornal: “O Secretário de Comunicação Social do governo do Mato Grosso, José Carlos Dias, nega que Maggi tenha comprado a denúncia e atribui a acusação a seu adversário, o senador tucano Antero de Barros (MT).”
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Não pode haver confusão de função, por mais bem intencionado e solícito que o Secretário possa ser, a menos que seja institucionalizado que o Governo do Estado está a serviço das questões privadas de Blairo Maggi. Por acaso a secretaria de Fazenda responde pela prestação de contas da campanha de Blairo Maggi junto ao TRE? Então porque o Secretário de Comunicação responde por acusações feitas ao candidato Blairo? Era só o que faltava!
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Transparência não é uma palavrinha para discursos eleitorais nem apenas um link no site oficial do governo. Transparência se alcança com ações, com atitudes sérias e respeitosas. O Secretário não pode se comportar como assessor de imprensa ou porta-voz particular, ele é um funcionário público responsável pelas relações entre a administração estadual e os meios de comunicação, além da publicidade oficial, jamais pessoal.
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O governo é do Estado de Mato Grosso, não do cidadão Blairo Maggi.