CPI quer indiciar 'aloprados', mas tem dificuldades
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Após último depoimento, parlamentares começaram a discutir internamente como pedir o indiciamento de todos os envolvimentos na compra do dossiê
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Leandro Colon, do G1, em Brasília
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A CPI dos Sanguessugas tem um desafio para os próximos 15 dias: identificar os crimes cometidos pelos "aloprados", pessoas envolvidas na compra do dossiê contra políticos do PSDB. Integrantes da CPI querem pedir o indiciamento deles no relatório final que será votado até 15 de dezembro, mas, internamente, admitem a dificuldade para formular o pedido por conta da falta de definição do crime cometido por cada um na negociação com os Vedoin, chefes da máfia dos sanguessugas.
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Após último depoimento, parlamentares começaram a discutir internamente como pedir o indiciamento de todos os envolvimentos na compra do dossiê
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Leandro Colon, do G1, em Brasília
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A CPI dos Sanguessugas tem um desafio para os próximos 15 dias: identificar os crimes cometidos pelos "aloprados", pessoas envolvidas na compra do dossiê contra políticos do PSDB. Integrantes da CPI querem pedir o indiciamento deles no relatório final que será votado até 15 de dezembro, mas, internamente, admitem a dificuldade para formular o pedido por conta da falta de definição do crime cometido por cada um na negociação com os Vedoin, chefes da máfia dos sanguessugas.
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Uma tarefa, aliás, que nem a própria Polícia Federal conseguiu solucionar. Até agora, a PF indiciou, por ocultação de documentos, apenas o advogado Gedimar Passos, preso com R$ 700 mil dos R$ 1,7 milhão que seriam usados para comprar o dossiê - o restante foi preso com Valdebran Padilha, ligado ao PT do Mato Grosso. Ambos foram presos no dia 15 de setembro no hotel Íbis, em São Paulo.
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No momento, o máximo que o relator da CPI, senador Amir Lando (PMDB-RO), e os sub-relatores conseguiriam apontar num pedido de indiciamento é o crime eleitoral pela convicção de que é irregular a origem dos R$ 1,7 milhão. E, neste crime, dizem os parlamentares, nem todos os envolvidos poderiam ser incluídos porque nenhum deles assumiu até agora a responsabilidade pelo dinheiro.
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Depois do depoimento de Hamilton Lacerda na terça-feira (28) à CPI - o último "aloprado" (apelido dado pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva) a falar na comissão - os parlamentares começaram a discutir internamente como abordar os indiciamentos no relatório final. Uma autoridade jurídica chegou a ser consultada nesta terça para ajudar a CPI.
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A CPI tem certeza, por exemplo, de que Lacerda, Gedimar, Valdebran, Expedito Veloso, ex-diretor do Banco do Brasil, e Jorge Lorenzetti, ex-analista da campanha à reeleição de Lula, participaram da compra do dossiê e que sempre souberam que os documentos seriam pagos aos Vedoin. Entretanto, os depoimentos dos cinco nos últimos dias pouco ajudaram na elucidação do papel de cada um na operação e também sobre a origem do dinheiro.
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Lando e os sub-relatores vão mergulhar nos próximos dias em cima dos depoimentos e das provas sobre o caso para encontrar a tipificação dos crimes cometidos pelos envolvidos. Além disso, precisam ainda evitar um conflito sobre a responsabilização ou não da campanha de Lula. Isso porque, para a CPI, Lorenzetti comandou a operação.
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Parlamentares de oposição chegam a defender que a campanha de Lula seja responsabilizada no relatório final. Porém, sabem que isso inviabilizaria a aprovação do documento. A tarefa de encontrar uma saída que agrade governo e oposição e que não comprometa o relatório terá que ser resolvida pelo relator Amir Lando, considerado "em cima do muro" pelos colegas.
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Crime... que crime?
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Roberto Jefferson
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Pronto! A Polícia Federal já quebrou o sigilo telefônico de cerca de 800 números e a CPI dos Sanguessugas já ouviu todos os aloprados. Agora se aproxima a hora de apresentar as conclusões. A vontade dos membros da comissão parlamentar é pedir o indiciamento dos envolvidos, mas há um problema: quais os crimes cometidos. O relatório final será votado até 15 de dezembro pelos integrantes da CPI, "mas, internamente, admitem a dificuldade para formular o pedido por conta da falta de definição do crime cometido por cada um na negociação com os Vedoin, chefes da máfia dos sanguessugas" .
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Tal questionamento é absurdo, para falar o mínimo. Não existe crime não definido. Se é crime, está no Código Penal ou em outras leis. Se não está, não se pode falar em ilícito penal. O caso começa agora a mostrar o alvoroço da prisão e da divulgação. E, até agora, nem mesmo a Polícia Federal conseguiu achar os tais crimes. Em uma realidade virada do avesso, neste caso temos culpados de sobra, mas não temos o crime. A busca, no entanto, deve continuar, porque ninguém vai largar deste osso tão cedo. Assim, se alguém achar um crime passeando solto por aí, favor avisar, a CPI está a sua procura. .E Kafka vira e revira em seu túmulo.
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Dilma e Marina brigam feio no Planalto
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O clima esquentou no Planalto, segunda à tarde, com o bate-boca entre as ministras Dilma Rousseff (Casa Civil) e Marina Silva (Meio Ambiente), que disse não aceitar a decisão do governo de passar por cima até de licenças ambientais para “destravar” obras necessárias. Dilma não gostou do tom e o tempo fechou. Só faltaram puxões de cabelos. Agora, o ministério ficou pequeno demais para as duas. Lula gosta de Marina, mas precisa de Dilma.
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A fórmula Lula de desenvolvimento
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Murillo de Aragão, cientista político
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Crime... que crime?
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Roberto Jefferson
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Pronto! A Polícia Federal já quebrou o sigilo telefônico de cerca de 800 números e a CPI dos Sanguessugas já ouviu todos os aloprados. Agora se aproxima a hora de apresentar as conclusões. A vontade dos membros da comissão parlamentar é pedir o indiciamento dos envolvidos, mas há um problema: quais os crimes cometidos. O relatório final será votado até 15 de dezembro pelos integrantes da CPI, "mas, internamente, admitem a dificuldade para formular o pedido por conta da falta de definição do crime cometido por cada um na negociação com os Vedoin, chefes da máfia dos sanguessugas" .
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Tal questionamento é absurdo, para falar o mínimo. Não existe crime não definido. Se é crime, está no Código Penal ou em outras leis. Se não está, não se pode falar em ilícito penal. O caso começa agora a mostrar o alvoroço da prisão e da divulgação. E, até agora, nem mesmo a Polícia Federal conseguiu achar os tais crimes. Em uma realidade virada do avesso, neste caso temos culpados de sobra, mas não temos o crime. A busca, no entanto, deve continuar, porque ninguém vai largar deste osso tão cedo. Assim, se alguém achar um crime passeando solto por aí, favor avisar, a CPI está a sua procura. .E Kafka vira e revira em seu túmulo.
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Dilma e Marina brigam feio no Planalto
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O clima esquentou no Planalto, segunda à tarde, com o bate-boca entre as ministras Dilma Rousseff (Casa Civil) e Marina Silva (Meio Ambiente), que disse não aceitar a decisão do governo de passar por cima até de licenças ambientais para “destravar” obras necessárias. Dilma não gostou do tom e o tempo fechou. Só faltaram puxões de cabelos. Agora, o ministério ficou pequeno demais para as duas. Lula gosta de Marina, mas precisa de Dilma.
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A fórmula Lula de desenvolvimento
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Murillo de Aragão, cientista político
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O modelo do primeiro mandato era tripartite: Palocci na economia; Dirceu na política e Lula na frente do palco. Lula era o cantor. Palocci e Dirceu eram os maestros. Agora, Lula assumiu o papel de maestro e cantor. Rege as orquestras política e econômica e aparece na frente do palco.
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Enquanto funciona, tudo bem. "Lula colhe diretamente os louros da vitória e não tem que dividir o sucesso com “paloccis” e dirceus”. Não tem que ficar constrangido vendo as capas das revistas a respeito dos homens fortes do governo. Ou as matérias que diriam que se o “Palocci” de plantão sair, o mercado vai ficar nervoso.
O modelo do primeiro mandato era tripartite: Palocci na economia; Dirceu na política e Lula na frente do palco. Lula era o cantor. Palocci e Dirceu eram os maestros. Agora, Lula assumiu o papel de maestro e cantor. Rege as orquestras política e econômica e aparece na frente do palco.
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Enquanto funciona, tudo bem. "Lula colhe diretamente os louros da vitória e não tem que dividir o sucesso com “paloccis” e dirceus”. Não tem que ficar constrangido vendo as capas das revistas a respeito dos homens fortes do governo. Ou as matérias que diriam que se o “Palocci” de plantão sair, o mercado vai ficar nervoso.