Pedro do Coutto, na Tribuna da Imprensa
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O índice de desemprego no País, de acordo com o IBGE, não cedeu ao longo de 2006, mantendo-se elevado, na escala de 9,8 por cento. Os dados, publicados pelo caderno de economia de "O Globo", 24 de novembro, são relativos ao mês de outubro. No idêntico mês de 2005, a taxa era de 9,6 por cento, praticamente igual. O desemprego não cedeu. Ao contrário, agravou-se, porque temos de considerar que ao longo dos últimos doze meses nasceram 2 milhões de pessoas no Brasil.
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O crescimento demográfico, também segundo o IBGE, é de 1,3 por cento. Este percentual, portanto, representa também o grupo de pessoas que, a cada ano, atinge a idade de trabalhar e lutar por um lugar ao sol no mercado de trabalho. Como a mão-de-obra ativa brasileira está em torno de 90 milhões, pode-se estimar que o número de desempregados seja de 9 milhões. Mas a este total devemos somar os não empregados, ou seja, os que não perderam o emprego, mas ainda não o conseguiram. Mas não podemos olhar apenas os números, temos que ver nos números, dar personalidade a eles, como costuma dizer o engenheiro Luis Fernando da Silva Pinto, amigo meu.
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Se a força de trabalho no País representa quase a metade da população e se a cada exercício nascem 2 milhões de brasileiros, esta constatação conduz à certeza de que há necessidade da criação de praticamente 1 milhão de empregos novos por ano para que o déficit não se agrave. Um empate. Mas o empate nos desclassifica, já que temos de partir em busca do tempo perdido. Uma taxa de desemprego de quase 10 por cento é alta demais. A metade é aceitável, em qualquer economia do mundo. Portanto, para descontarmos a diferença, temos que criar não somente 1 milhão de empregos por ano, porém mais que 1 milhão. Um milhão é o empate conservador.
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Menos que 1 milhão é a derrota, com o agravamento do déficit. Mais de 1 milhão é o avanço redutor do déficit, esta é a verdade. Qualquer coisa fora deste quadro é sofismar, distorcer a realidade. O governo tem que enfrentar este problema essencial. Sem emprego e, portanto, sem salário, nenhum país consegue desenvolver-se. E o Brasil precisa reencontrar o caminho do desenvolvimento.
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Sintonizar-se com a produção e a produtividade. O sistema financeiro é um reflexo da atividadeb econômica, não pode ser um fim em si mesmo em matéria de política pública. Como estamos vendo, 2006, apesar de ano eleitoral, tornou-se um período socialmente perdido. O ser humano tem que ser o objetivo maior de tudo. Não está sendo de forma integral.
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O índice de desemprego no País, de acordo com o IBGE, não cedeu ao longo de 2006, mantendo-se elevado, na escala de 9,8 por cento. Os dados, publicados pelo caderno de economia de "O Globo", 24 de novembro, são relativos ao mês de outubro. No idêntico mês de 2005, a taxa era de 9,6 por cento, praticamente igual. O desemprego não cedeu. Ao contrário, agravou-se, porque temos de considerar que ao longo dos últimos doze meses nasceram 2 milhões de pessoas no Brasil.
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O crescimento demográfico, também segundo o IBGE, é de 1,3 por cento. Este percentual, portanto, representa também o grupo de pessoas que, a cada ano, atinge a idade de trabalhar e lutar por um lugar ao sol no mercado de trabalho. Como a mão-de-obra ativa brasileira está em torno de 90 milhões, pode-se estimar que o número de desempregados seja de 9 milhões. Mas a este total devemos somar os não empregados, ou seja, os que não perderam o emprego, mas ainda não o conseguiram. Mas não podemos olhar apenas os números, temos que ver nos números, dar personalidade a eles, como costuma dizer o engenheiro Luis Fernando da Silva Pinto, amigo meu.
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Se a força de trabalho no País representa quase a metade da população e se a cada exercício nascem 2 milhões de brasileiros, esta constatação conduz à certeza de que há necessidade da criação de praticamente 1 milhão de empregos novos por ano para que o déficit não se agrave. Um empate. Mas o empate nos desclassifica, já que temos de partir em busca do tempo perdido. Uma taxa de desemprego de quase 10 por cento é alta demais. A metade é aceitável, em qualquer economia do mundo. Portanto, para descontarmos a diferença, temos que criar não somente 1 milhão de empregos por ano, porém mais que 1 milhão. Um milhão é o empate conservador.
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Menos que 1 milhão é a derrota, com o agravamento do déficit. Mais de 1 milhão é o avanço redutor do déficit, esta é a verdade. Qualquer coisa fora deste quadro é sofismar, distorcer a realidade. O governo tem que enfrentar este problema essencial. Sem emprego e, portanto, sem salário, nenhum país consegue desenvolver-se. E o Brasil precisa reencontrar o caminho do desenvolvimento.
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Sintonizar-se com a produção e a produtividade. O sistema financeiro é um reflexo da atividadeb econômica, não pode ser um fim em si mesmo em matéria de política pública. Como estamos vendo, 2006, apesar de ano eleitoral, tornou-se um período socialmente perdido. O ser humano tem que ser o objetivo maior de tudo. Não está sendo de forma integral.
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O IBGE revelou também que a renda dos salários de outubro do ano passado para outubro deste ano avançou 5,4 por cento. Um avanço nominal. A progressão real, no caso, foi de 0,4 por cento, pois o mesmo IBGE apontou para 2005 uma taxa inflacionária da ordem de 5 por cento. Efetivamente, a massa salarial permaneceu estagnada, na melhor das hipóteses. Pois se levarmos em conta o aumento populacional de um exercício para outro, vamos ver que, em termos per capita, ela perdeu posição relativa: foi menor. Elevou-se de 0,4 por cento acima da inflação, mas sobre uma população 2 milhões de pessoas maior.
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O que houve mesmo foi um retrocesso. Uma perda de espaço e de tempo. Quanto vale um ano na vida de um país como o Brasil de 185 milhões de habitantes? Esta perspectiva tem que ser considerada para que cheguemos à medida exata da situação. A política econômica, sem dúvida, tem que ser alterada para melhor. Modificada a partir do objetivo estratégico de alargar o mercado de trabalho. Não podemos continuar como estamos.
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Paralelamente a tudo isso, foi publicado também, agora com base em informação do Banco Central, que o crédito consignado em folha, em 2006, atingiu 145,7 bilhões de reais, apontando um crescimento real, portanto descontada a inflação, de 4 por cento em relação a 2004. O endividamento popular assim aumentou. O que é negativo e prova que, sem o giro do crédito, que custa taxas elevadas, o consumo teria alcançado um desempenho ruim.
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Até quando os assalariados poderão obter acesso às linhas de crédito? Tal capacidade tem limite, sobretudo porque as taxas de juros superam por larguíssima margem os reajustes aplicados aos vencimentos e a própria taxa inflacionária oficial. Outro dia mesmo saiu publicado que os cartões de crédito vão fechar este ano com um faturamento na escala de 156 bilhões de reais, correspondendo praticamente a 25 por cento da massa salarial paga no País.
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Ora, se o crédito consignado alcança 145 bilhões e os cartões 156 bilhões de reais, temos aí a metade da remuneração anual de todos os trabalhadores e servidores públicos. Por isso, inclusive, a capacidade de poupança interna é baixa, ao contrário do que ocorre nas nações desenvolvidas. Poupar como? A margem disponível para tal prática é das mais estreitas. E como a margem é estreita, nos deparamos com um novo fator de concentração de renda, impulsionado principalmente pelos juros cobrados no crédito pessoal (bancos e cartões de crédito) e nas vendas feitas pelo comércio.
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Comprova-se a tese do labirinto econômico-social em que mergulhou a população brasileira. Os índices de correção aplicados aos salários são infinitamente menores que os dirigidos para o crédito e para as aplicações financeiras. Estamos num círculo vicioso. O presidente Lula precisa rompê-lo. Urgentemente. Hoje. Porque amanhã poderá ser tarde demais.
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O que houve mesmo foi um retrocesso. Uma perda de espaço e de tempo. Quanto vale um ano na vida de um país como o Brasil de 185 milhões de habitantes? Esta perspectiva tem que ser considerada para que cheguemos à medida exata da situação. A política econômica, sem dúvida, tem que ser alterada para melhor. Modificada a partir do objetivo estratégico de alargar o mercado de trabalho. Não podemos continuar como estamos.
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Paralelamente a tudo isso, foi publicado também, agora com base em informação do Banco Central, que o crédito consignado em folha, em 2006, atingiu 145,7 bilhões de reais, apontando um crescimento real, portanto descontada a inflação, de 4 por cento em relação a 2004. O endividamento popular assim aumentou. O que é negativo e prova que, sem o giro do crédito, que custa taxas elevadas, o consumo teria alcançado um desempenho ruim.
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Até quando os assalariados poderão obter acesso às linhas de crédito? Tal capacidade tem limite, sobretudo porque as taxas de juros superam por larguíssima margem os reajustes aplicados aos vencimentos e a própria taxa inflacionária oficial. Outro dia mesmo saiu publicado que os cartões de crédito vão fechar este ano com um faturamento na escala de 156 bilhões de reais, correspondendo praticamente a 25 por cento da massa salarial paga no País.
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Ora, se o crédito consignado alcança 145 bilhões e os cartões 156 bilhões de reais, temos aí a metade da remuneração anual de todos os trabalhadores e servidores públicos. Por isso, inclusive, a capacidade de poupança interna é baixa, ao contrário do que ocorre nas nações desenvolvidas. Poupar como? A margem disponível para tal prática é das mais estreitas. E como a margem é estreita, nos deparamos com um novo fator de concentração de renda, impulsionado principalmente pelos juros cobrados no crédito pessoal (bancos e cartões de crédito) e nas vendas feitas pelo comércio.
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Comprova-se a tese do labirinto econômico-social em que mergulhou a população brasileira. Os índices de correção aplicados aos salários são infinitamente menores que os dirigidos para o crédito e para as aplicações financeiras. Estamos num círculo vicioso. O presidente Lula precisa rompê-lo. Urgentemente. Hoje. Porque amanhã poderá ser tarde demais.