Por Fabio Grecchi, na Tribuna da Imprensa
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A história da mulher de Cezar encerra uma verdade inegável: não basta ser honesto, tem que parecer honesto. A isto se diz por conta das próprias voltas que o mundo dá. Não se acredita em pessoas cujos relacionamentos são polêmicos. São encaixados numa série de ditos populares incontestáveis: "Dize-me com quem andas e te direi quem és" ou "Quem com porcos dorme, farelo come" ou ainda "Passarinho que voa com morcego dorme de cabeça para baixo". Honestidade, enfim, pressupõe a existência de uma cadeia de contatos pessoais que por si mesmos são a garantia da reputação. A defesa própria não basta.
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Ney Suassuna (PMDB-PB), Serys Slhessarenko (PT-MT) e Magno Malta (PR-ES) livraram-se ontem, no Conselho de Ética do Senado, de terem a recomendação para que cassassem seus mandatos. Os relatores de cada caso, respectivamente Jefferson Péres (PDT-AM), Demósthenes Torres (PFL-GO) e Paulo Octávio (PFL-DF), não acreditavam na natureza cândida de cada acusado. Mas não conseguiram reunir provas de que haviam se servido do esquema das sanguessugas. Quer dizer: foram absolvidos mais pelas lacunas no processo do que por terem crédito junto à comunidade de senadores.
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Talvez os três acusados apenas parecessem honestos. Parte menor neste ritual de impressões e formas de se classificar alguém. De qualquer jeito, trata-se de uma medida que não engrandece o Parlamento. Já se convivia com a idéia de que honestidade não era quesito fundamental na lide política e agora se sabe que nem a necessidade de parecer honesto é mais necessária. Um julgamento como o que Serys, Suassuna e Magno foram submetidos reflete as duas coisas: o ser e o parecer. Que não por acaso são rima pobre, assim como uma solução.
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A absolvição é o que menos importa, não no caráter político, mas no moral. Os três estão manchados, embora o voto deles valha tanto quanto os dos demais. Isso explica a decepção, manifestada meses atrás, por Jefferson Péres a respeito dos rumos da vida pública. Disse que estava enojado com o que vira nos últimos tempos e que, por causa disso, pretendia se retirar da política. Ontem se viu mais um passo nesta direção: todos estão nivelados à falta de provas.
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Medidas contra...
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Final de ano é um inferno. Ontem, secretária de um amigo desta coluna caiu no golpe do seqüestro. Os vagabundos ligam para a vítima, dizem que alguém da família está seqüestrado e cobram resgate para libertá-la. Geralmente não são quantias tão grandes, além de um certo número de cartões de celular.
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O golpe só foi descoberto porque ele teve a lucidez de ligar para o filho da secretária e conseguiu falar com o rapaz. Mesmo assim, a secretária, em desespero, chegou a correr ao caixa eletrônico para fazer o saque e pagar o suposto regaste.
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...os vagabundos
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Nestas horas, as autoridades recomendam não seguir as determinações dos vagabundos. O que a vítima deve fazer, imediatamente, é procurar a pessoa dita seqüestrada. Uma vez localizada, ir à delegacia de polícia mais próxima e registrar a queixa da tentativa de extorsão.
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Como prevenção, as autoridades recomendam também a combinação de senhas. Se alguém disser que fez um refém, cobre do bandido algo que ajude a identificar o suposto seqüestrado. Geralmente tais golpes são praticados por presidiários com objetivo fazer alguém pagar por uma certa quantidade de cartões para celulares.
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Vale tentar
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Parlamentares do PSOL, PC do B, PV e PRB fazem hoje, às 10h, no auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, ato político contra cláusula de barreira e por uma reforma política, democrática e pluripartidária. O evento pretende denunciar o caráter da violação do princípio da igualdade de chances entre os partidos políticos, no que se refere ao direito à participação nos recursos do fundo partidário e à exibição de propaganda no rádio e na TV.
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A senadora Heloísa Helena (AL), presidente do PSOL, junto com os presidentes de partidos, Renato Rabelo (PC do B), José Luiz Penna (PV) e Vitor Paulo (PRB), assinam a convocação.
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Assim eu...
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Quem deve estar triste é o ex-prefeito de São Gonçalo, Henry Charles. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio manteve sua condenação por fazer propaganda irregular na eleição de outubro de 2004. Buscando a reeleição, o então prefeito usou como símbolo um bonequinho vestido de médico, profissão que exerce. O mesmo bonequinho era o símbolo da prefeitura.Além disso, às vésperas do pleito, mandou cartas a milhares de moradores da cidade, isentando-os do pagamento de IPTU.
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...também quero
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Devido a todas estas irregularidades, por unanimidade (6 a 0) o plenário do TRE-RJ manteve sua condenação. O juiz da 69ª Zona Eleitoral, Eduardo Klausner, considerou que o então Charles utilizou-se da máquina administrativa e de símbolos da prefeitura para fazer propaganda pela reeleição. Além de cassação de seu registro, Charles ainda foi considerado inelegível por três anos, contados desde 2004.
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Na-na-ni-na-não
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Os profissionais das escolas municipais do Rio farão um ato hoje, na sede da prefeitura, na Praça Onze, a partir das 16h, para entregar o resultado de um plebiscito organizado pelo Sepe junto às escolas municipais. Foi consultado se a categoria aprovava a implementação do sistema de ciclos de progressão nas escolas da rede.
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Por esmagadora maioria (mais de 90% de votos), os professores rejeitaram os ciclos, que nada mais é do que um sistema de aprovação automática. Consideram que as condições de trabalho - escolas sucateadas, turmas superlotadas, falta de professores e funcionários - não permitem que o sistema funcione a contento na rede.
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A história da mulher de Cezar encerra uma verdade inegável: não basta ser honesto, tem que parecer honesto. A isto se diz por conta das próprias voltas que o mundo dá. Não se acredita em pessoas cujos relacionamentos são polêmicos. São encaixados numa série de ditos populares incontestáveis: "Dize-me com quem andas e te direi quem és" ou "Quem com porcos dorme, farelo come" ou ainda "Passarinho que voa com morcego dorme de cabeça para baixo". Honestidade, enfim, pressupõe a existência de uma cadeia de contatos pessoais que por si mesmos são a garantia da reputação. A defesa própria não basta.
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Ney Suassuna (PMDB-PB), Serys Slhessarenko (PT-MT) e Magno Malta (PR-ES) livraram-se ontem, no Conselho de Ética do Senado, de terem a recomendação para que cassassem seus mandatos. Os relatores de cada caso, respectivamente Jefferson Péres (PDT-AM), Demósthenes Torres (PFL-GO) e Paulo Octávio (PFL-DF), não acreditavam na natureza cândida de cada acusado. Mas não conseguiram reunir provas de que haviam se servido do esquema das sanguessugas. Quer dizer: foram absolvidos mais pelas lacunas no processo do que por terem crédito junto à comunidade de senadores.
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Talvez os três acusados apenas parecessem honestos. Parte menor neste ritual de impressões e formas de se classificar alguém. De qualquer jeito, trata-se de uma medida que não engrandece o Parlamento. Já se convivia com a idéia de que honestidade não era quesito fundamental na lide política e agora se sabe que nem a necessidade de parecer honesto é mais necessária. Um julgamento como o que Serys, Suassuna e Magno foram submetidos reflete as duas coisas: o ser e o parecer. Que não por acaso são rima pobre, assim como uma solução.
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A absolvição é o que menos importa, não no caráter político, mas no moral. Os três estão manchados, embora o voto deles valha tanto quanto os dos demais. Isso explica a decepção, manifestada meses atrás, por Jefferson Péres a respeito dos rumos da vida pública. Disse que estava enojado com o que vira nos últimos tempos e que, por causa disso, pretendia se retirar da política. Ontem se viu mais um passo nesta direção: todos estão nivelados à falta de provas.
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Medidas contra...
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Final de ano é um inferno. Ontem, secretária de um amigo desta coluna caiu no golpe do seqüestro. Os vagabundos ligam para a vítima, dizem que alguém da família está seqüestrado e cobram resgate para libertá-la. Geralmente não são quantias tão grandes, além de um certo número de cartões de celular.
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O golpe só foi descoberto porque ele teve a lucidez de ligar para o filho da secretária e conseguiu falar com o rapaz. Mesmo assim, a secretária, em desespero, chegou a correr ao caixa eletrônico para fazer o saque e pagar o suposto regaste.
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...os vagabundos
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Nestas horas, as autoridades recomendam não seguir as determinações dos vagabundos. O que a vítima deve fazer, imediatamente, é procurar a pessoa dita seqüestrada. Uma vez localizada, ir à delegacia de polícia mais próxima e registrar a queixa da tentativa de extorsão.
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Como prevenção, as autoridades recomendam também a combinação de senhas. Se alguém disser que fez um refém, cobre do bandido algo que ajude a identificar o suposto seqüestrado. Geralmente tais golpes são praticados por presidiários com objetivo fazer alguém pagar por uma certa quantidade de cartões para celulares.
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Vale tentar
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Parlamentares do PSOL, PC do B, PV e PRB fazem hoje, às 10h, no auditório Nereu Ramos da Câmara dos Deputados, ato político contra cláusula de barreira e por uma reforma política, democrática e pluripartidária. O evento pretende denunciar o caráter da violação do princípio da igualdade de chances entre os partidos políticos, no que se refere ao direito à participação nos recursos do fundo partidário e à exibição de propaganda no rádio e na TV.
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A senadora Heloísa Helena (AL), presidente do PSOL, junto com os presidentes de partidos, Renato Rabelo (PC do B), José Luiz Penna (PV) e Vitor Paulo (PRB), assinam a convocação.
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Assim eu...
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Quem deve estar triste é o ex-prefeito de São Gonçalo, Henry Charles. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio manteve sua condenação por fazer propaganda irregular na eleição de outubro de 2004. Buscando a reeleição, o então prefeito usou como símbolo um bonequinho vestido de médico, profissão que exerce. O mesmo bonequinho era o símbolo da prefeitura.Além disso, às vésperas do pleito, mandou cartas a milhares de moradores da cidade, isentando-os do pagamento de IPTU.
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...também quero
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Devido a todas estas irregularidades, por unanimidade (6 a 0) o plenário do TRE-RJ manteve sua condenação. O juiz da 69ª Zona Eleitoral, Eduardo Klausner, considerou que o então Charles utilizou-se da máquina administrativa e de símbolos da prefeitura para fazer propaganda pela reeleição. Além de cassação de seu registro, Charles ainda foi considerado inelegível por três anos, contados desde 2004.
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Na-na-ni-na-não
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Os profissionais das escolas municipais do Rio farão um ato hoje, na sede da prefeitura, na Praça Onze, a partir das 16h, para entregar o resultado de um plebiscito organizado pelo Sepe junto às escolas municipais. Foi consultado se a categoria aprovava a implementação do sistema de ciclos de progressão nas escolas da rede.
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Por esmagadora maioria (mais de 90% de votos), os professores rejeitaram os ciclos, que nada mais é do que um sistema de aprovação automática. Consideram que as condições de trabalho - escolas sucateadas, turmas superlotadas, falta de professores e funcionários - não permitem que o sistema funcione a contento na rede.