quinta-feira, novembro 30, 2006

Fim da era Palocci, início da era Barbalho

Por Guilherme Fiúza / Política & Cia / No Mínimo
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Com ou sem caseiro, não ia durar muito mesmo aquela história de ministro da Fazenda sóbrio, que não fica fazendo política partidária e separa governo de Estado.
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Botaram logo um petista de língua prrresa cheio de pantomimas “desenvolvimentistas”, que se prestasse ao papel de ficar batendo boca com a oposição e enfeitando números para o chefe.
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Agora, a promessa desenvolvimentista de torrar mais dinheiro público, ao invés de cortar, finalmente se consuma – e enterra de fato a era Palocci. A decisão do governo de reduzir o superávit primário de 4,25% do PIB para 3,75% veio acompanhada de informações interessantes.
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A vanguarda (sic) da esquerda, que critica o neoliberalismo, odeia de morte esse superávit primário. Diz que é tirar dinheiro do povo para dar a banqueiro. Provavelmente nunca vão entender que quando se economiza para pagar credores (não necessariamente banqueiros), se consegue crédito mais amplo e mais barato na praça – dinheiro para o povo.
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Mas o governo de Dilma Roussef (gasto corrente é vida) gosta de mostrar que é duro com o mercado e generoso com a nação. E foi logo anunciando o que fará com os bilhões sacados da poupança: entregar ao PMDB.
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É claro que a ministra não disse isso. Ela não é boba. Apenas informou que o grosso desses 10 bilhões de reais (0,5% do PIB, que ela calculou em 6 bi, erradamente) vai irrigar o setor de transportes. Alguém aí tem dúvida de quem são os donos da rubrica de transportes no Brasil?
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Falou também em saneamento básico, mas essa área, como se sabe, já conta com dinheiro do Fundo de Amparo ao Trabalhador e do FGTS.
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Eis o resumo da ópera: o dinheiro que o Brasil economizava para ajustar suas contas vai ser derramado no bom e velho feudo do PMDB – que como todos sabem, administra aquilo com um zelo digno do mais respeitável dos bordéis.
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Para quem não tinha entendido, cenas como aquela de Lula beijando a mão de Jader Barbalho já não precisam mais de legenda.