quinta-feira, dezembro 21, 2006

A cegueira da Saúde

Por Xico Vargas, em NoMínimo
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O Serviço de Oftalmologia do Hospital Universitário do Fundão atravessou longo e tenebroso inverno. Por falta de equipamentos passou quatro meses incapacitado de realizar cirurgias primárias, como a eliminação de cataratas.
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Privou mais de 1.600 pessoas do direito de recobrar a visão desembaraçada e impediu que mais de uma centena de estudantes de medicina cumprissem período obrigatório e importante da formação médica.
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Sabe por que, leitor? Porque a saúde está jogada às traças não só no Rio de Janeiro, mas no país inteiro. Para ficar neste lado da Ponte Aérea (e por enquanto só no Hospital do Fundão), não faltam apenas os instrumentos conhecidos como lápis e utilizados na cirurgia de catarata.
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Os recursos são escassos até para lâmpadas indispensáveis aos equipamentos de exames para medir pressão do globo ocular e prevenir eventuais glaucomas.
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Na atual crise da catarata, além de ter aumentado o déficit dessa cirurgia no Estado e jogado a formação dos estudantes no lixo, a imobilidade do Fundão gerou mais desconforto para os doentes e novo prejuízo para os cofres públicos. Todas as pessoas que deveriam ter sido operadas nesse período serão obrigados a repetir os exames de risco de cirúrgico. Os que haviam feito, a esta altura, perderam a validade.
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Em qualquer lugar do mundo, hospitais universitários são lugares onde se oferece medicina de primeira qualidade, de ponta, como costumam dizer os médicos. Nunca foi o caso do Brasil, porém.