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Um Engov, por favor. Dois! Um antes, outro depois
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Tarso Genro, ministro das Relações Institucionais, classificou de “madura” proposta de acordo do PT feita ao PMDB segundo a qual os dois partidos rachariam o comando da Câmara nos próximos quatro anos. Os peemedebistas apoiariam agora o petista Arlindo Chinaglia (PT-SP), e o petistas, um candidato do PMDB em 2009. A combinação, como se vê, prega um pé no traseiro de Aldo Rebelo (PC do B-SP), que sai destroçado do episódio do aumento salarial. Destroçado e traído pelo PT, que o deixou falando sozinho, ficou exposto à fúria até do bispo. Bom comunista, ele disse estar em companhia de Deus...
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Os peemedebistas devem medir direitinho as conseqüências. Se Aldo está sendo traído agora, não há nenhuma boa razão para que os petistas não traiam o PMDB no futuro. Não existe acordo firmado em cartório para essas coisas. A palavra do PT que vale é sempre a última. Não sei se entendem: é um partido cheio de “últimas palavras”.
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O ministro também se congratulou com o Congresso pela “decisão madura” de ter deixado o debate sobre o reajuste dos salários para o ano que vem. Entenderam? Parece que esta sempre foi a escolha e a indicação do Planalto. É mentira! O PT participou ativamente da decisão de elevar os salários em 91%. Era a medida que cimentava o apoio das bases para a reeleição de Aldo Rebelo e Renan Calheiros (PMDB-AL) à presidência, respectivamente, da Câmara e do Senado. Mas o Lula e o PT conseguiram dar nó em pingo d’água, saindo ilesos do embate. Por enquanto, o governo joga sozinho, sem oposição partidária organizada, exceção feita a dois deputados: Fernando Gabeira (PV-RJ) e Raul Jungmann (PPS-PE). Aliás, vou pedir a ambos que me enviem a lista de outros que estejam ajudando a salvar a honra do Congresso e que, eventualmente, não estejam presentes no noticiário.
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Viram só? Já estou como Diógenes, o de Sínope (não o Laércio), saindo por aí com uma lamparina à procura de homens honestos. Só me falta morar dentro de um barril. Ao cínico, atribui-se uma frase impagável ao ser surpreendido masturbando-se: “Que bom se pudéssemos matar a fome só esfregando a barriga”. Seria o fim da história, hehe. O verdadeiro desenvolvimento sustentado. E sem Estado!
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O filósofo grego é citado por Padre Vieira no magnífico Sermão do Bom Ladrão: "Diógenes, que tudo via com mais aguda vista que os outros homens, viu que uma grande tropa de varas e ministros de justiça levavam a enforcar uns ladrões, e começou a bradar: — Lá vão os ladrões grandes a enforcar os pequenos." É isso aí.
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As histórias são muitas, de fontes sempre incertas. Pouco importa. Uma deles dá conta de que Alexandre o encontrou em Corinto. Estava sobre o cavalo.
Vendo o seu estado miserável, parou e perguntou o que poderia fazer por ele. Diógenes pediu apenas que o Grande saísse da frente do sol: “Não me tire o que não pode me dar”, teria emendado. Verdadeira ou falsa, a frase é excelente e poderia ser uma divisa dos liberais na relação com o Estado e com os políticos: “Não venham nos tirar o que não podem nos dar”. Da decência às riquezas — que espoliam com seus impostos estúpidos.
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Mais vale asno que me carregue...
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Aliás, lembrei-me do mote de A Farsa de Inês Pereira, do excelente humanista português Gil Vicente (1470?-1536?): “Mais vale asno que me carregue que cavalo que me derrube”. Trata-se de uma ironia um tanto triste e conformista. Mas em breve estaremos nós: “Mais vale asno que me carregue que avião que me derrube”. Lula prometeu igualdade no Brasil. Ainda vai conseguir. Em breve, ninguém mais andará de avião. Igualmente.
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Mulas com cabeça
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É mais científico andar de mula no Brasil do que de avião, lembram-se? Isso se a mula não for temperamental. No dia em que o deputado Carlos Willian (PTC-MG), relator da comissão especial da Câmara que analisou as razões do caos aéreo, culpa o governo e pede a cabeça de Waldir Pires (Defesa) e de Luiz Carlos Bueno (comandante da Aeronáutica), Lula se reúne com os dois — mais o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, e a ministra Dilma Roussef (Casa Civil) — e conclui que a culpa é das empresas. E o Apedeuta aproveitou para fazer um pequeno comício: “O mínimo que o povo espera é ser tratado com respeito. É isso que nós temos que fazer. Não pode continuar com isso”. Mais um pouco, ainda acabaria reclamando de FHC, que não toma nenhuma providência... E o governo Lula? Pode fazer o quê? “A determinação é resolver definitivamente esse problema. Já não é mais um problema dos controladores porque eles estão trabalhando direito, compromissados. Não é possível que o passageiro fique três, quatro horas no aeroporto e não se comunique qual o problema: se é falta de tripulação, se o avião quebrou ou não quebrou". Ou seja: já fez tudo! “Cada empresa que tiver problema precisa comunicar ao passageiro. Determinei que em cada aeroporto importante a Anac, a Infraeroe a Aeronáutica assumam a responsabilidade de fazer que, para cada vôo que atrasar, expliquem a razão do atraso”.
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As histórias são muitas, de fontes sempre incertas. Pouco importa. Uma deles dá conta de que Alexandre o encontrou em Corinto. Estava sobre o cavalo.
Vendo o seu estado miserável, parou e perguntou o que poderia fazer por ele. Diógenes pediu apenas que o Grande saísse da frente do sol: “Não me tire o que não pode me dar”, teria emendado. Verdadeira ou falsa, a frase é excelente e poderia ser uma divisa dos liberais na relação com o Estado e com os políticos: “Não venham nos tirar o que não podem nos dar”. Da decência às riquezas — que espoliam com seus impostos estúpidos.
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Mais vale asno que me carregue...
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Aliás, lembrei-me do mote de A Farsa de Inês Pereira, do excelente humanista português Gil Vicente (1470?-1536?): “Mais vale asno que me carregue que cavalo que me derrube”. Trata-se de uma ironia um tanto triste e conformista. Mas em breve estaremos nós: “Mais vale asno que me carregue que avião que me derrube”. Lula prometeu igualdade no Brasil. Ainda vai conseguir. Em breve, ninguém mais andará de avião. Igualmente.
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Mulas com cabeça
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É mais científico andar de mula no Brasil do que de avião, lembram-se? Isso se a mula não for temperamental. No dia em que o deputado Carlos Willian (PTC-MG), relator da comissão especial da Câmara que analisou as razões do caos aéreo, culpa o governo e pede a cabeça de Waldir Pires (Defesa) e de Luiz Carlos Bueno (comandante da Aeronáutica), Lula se reúne com os dois — mais o presidente da Anac, Milton Zuanazzi, e a ministra Dilma Roussef (Casa Civil) — e conclui que a culpa é das empresas. E o Apedeuta aproveitou para fazer um pequeno comício: “O mínimo que o povo espera é ser tratado com respeito. É isso que nós temos que fazer. Não pode continuar com isso”. Mais um pouco, ainda acabaria reclamando de FHC, que não toma nenhuma providência... E o governo Lula? Pode fazer o quê? “A determinação é resolver definitivamente esse problema. Já não é mais um problema dos controladores porque eles estão trabalhando direito, compromissados. Não é possível que o passageiro fique três, quatro horas no aeroporto e não se comunique qual o problema: se é falta de tripulação, se o avião quebrou ou não quebrou". Ou seja: já fez tudo! “Cada empresa que tiver problema precisa comunicar ao passageiro. Determinei que em cada aeroporto importante a Anac, a Infraeroe a Aeronáutica assumam a responsabilidade de fazer que, para cada vôo que atrasar, expliquem a razão do atraso”.
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O Brasil pode não conseguir fazer vôo sair no horário. Mas vai se tornar especialista em explicações. O Ibope descobriu que 83% dos brasileiros são felizes. Já sei: 17% ainda não renunciaram ao avião para andar de mula.