quinta-feira, dezembro 21, 2006

Os verdadeiros burros da história

Lula afirma que passageiros 'devem ser respeitados'
Veja Online
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou nesta quinta-feira a crise no sistema aéreo do país. De acordo com ele, os passageiros precisam ser tratados com respeito pelas empresas aéreas e autoridades do setor. Lula disse ter cobrado respostas dos responsáveis pela aviação civil no país. "Isso não pode continuar", reconheceu ele, durante rápida entrevista concedida no Palácio do Planalto.
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Lula mostrou irritação diante do problema, que seu governo ainda não conseguiu resolver. "O mínimo que o povo espera é ser tratado com respeito. É isso que nós temos que fazer", admitiu. O presidente afirmou que seu governo pretende encontrar saídas para a crise o quanto antes. "A determinação é resolver definitivamente esse problema. Já não é mais um problema dos controladores porque eles estão trabalhando direito, compromissados. Não é possível que o passageiro fique três, quatro horas no aeroporto e não se comunique qual é o problema."
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O presidente disse que as companhias aéreas devem revelar aos passageiros qual é o motivo dos atrasos nos vôos. "Cada empresa que tiver problema precisa comunicar o passageiro", pediu. Lula conversou sobre o tema com o presidente da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), Milton Zuanazzi, com o comandante da Aeronáutica, Luiz Carlos Bueno, e com os ministros Waldir Pires, da Defesa, e Dilma Roussef, da Casa Civil. Foi depois desse encontro que a Anac veio a público para culpar as empresas aéreas pela nova série de atrasos.
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COMENTANDO A NOTÍCIA
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Lula não admite sua irresponsabilidade
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Pois é, estamos de volta ao apagão aéreo. Apesar de ficar evidentemente comprovada a culpabilidade do governo Lula pela situação de caos que vem se vivendo há mais de dois meses nos aeroportos do País, ainda assim, Lula insiste em querer vender uma versão mentirosa onde ele demonstra uma falsa preocupação para com os brasileiros que padecem e se amontoam nos saguãos de espera. Muitos sem sequer saberem se chegarão a embarcar ou não.
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O próprio Tribunal de Contas da União já apreciou detidamente e chegou a única conclusão que o bom senso indica: o governo federal foi relapso ao deixar de investir aquilo que o próprio orçamento determinava em equipamento e pessoal para o Controle de Tráfego Aéreo. Nem por isso Lula comoveu-se. Insiste, como de resto tem feito desde chegou ao poder, em atribuir a terceiros seus próprios erros. Não houvesse aí pesada dose de irresponsabilidade e maldade, restaria pelo menos a incompetência e a negligência. O problema localizou-se ao final deste primeiro mandato, portanto, e apesar dos alertas emitidos pelo comando aéreo, o governo empurrou o problema com a barriga e deixou de cumprir seu dever em relação ao assunto. E insiste na cantilena de culpar os outros por sua desídia e omissão, menos ele. Sobretudo ele é o culpado. Determinou ao Ministro da Defesa (que ele escolheu e, apesar da incapacidade de responder pelo cargo que ocupa, Lula o mantém), e nada foi resolvido. Determinou para a gerentona (que ele mantém no posto por escolha livre e pessoal) Dilma Rousseff tratar do assunto e esta fez reuniões, aplicou discursos e sermões, seguiu à risca as determinações do chefe, e nada do problema se resolver. Somente agora o Senado aprovou a contratação emergencial de 60 controladores de vôo. E o concurso que Lula mandou cancelar lá atrás ? E as verbas contingenciadas para compor o superávit primário ? E os investimentos que foram retardados e aplicados em montante insuficiente, acaso foram heranças de FHC, senhor Lula?
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O que fica evidente é que os próximos quatros anos serão repletos com a mesma tática. Diante de problema ou crise, Lula ao invés de procurar resolver, vai caçando bruxas para responsabilizar pelos desastres de seu governo. Enquanto pôde, mentiu ao longo de 48 meses atribuindo à FHC todas as mazelas de seu governo ridículo. Reeleito sob a pecha da suspeita de uma campanha falsa e criminosa (só o TSE brasileiro é capaz de abençoar com parcimônia o descumprimento da lei), saiu garganteando aos quatro cantos do mundo que seu segundo mandato seria muito melhor porque ele havia apreendido a conhecer o caminho das pedras e não cometeria mais os mesmos erros (ou crimes !). Nem bem lustrava as palavras, e a crise nos aeroportos já corria solta por todo o país. Isto nos lembra a mentira pregada quanto a alardeada auto-suficiência de petróleo, conforme noticiamos aqui em um dos boletins do TOQUEDEPRIMA.
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Para nós fica claro, pois, que Lula insistirá em seguir a mesma estratégia adotada no primeiro mandato: diante da crise ou do escândalo, primeiro se nega. Depois, quando as evidências já são abundantes o tanto que fica impossível continuar negando (e mentindo), se apronta a cara mais cínica e deslavada do mundo dizendo que vai mandar investigar (enquanto isso, a tropa de choque petista entra em campo para bloquear as investigações, retardar CPIs, tumultuar o processo investigativo). Enquanto isto, arranja-se um culpado de ocasião. O único episódio que fugiu ao script foi o caso do dossiê, e assim mesmo, porque não conseguiram arrebanhar um culpado de ocasião. Como a PF descobriu quem eram os envolvidos, o golpe final foi sonegar ao conhecimento do povo brasileiro a origem do dinheiro.
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Retroagindo-se no tempo, vamos verificar que esta estratégia tem sido a constante do governo Lula até aqui. Dou outro exemplo: em junho deste ano, especialistas econômicos já anteviam que o crescimento do PIB não ultrapassaria a barreira dos 3,5%, assim mesmo contando com boa dose de otimismo. E de lá para cá, quanto mais evidente fica que não chegará sequer a 2,8%, o governo vem reduzindo a conta-gotas sua previsão: 4,5%, 4%, 3,5%, 3,2%, 3%. Agora retrocedam nas leituras de jornais, e relacionem todas as desculpas, cada uma mais cretina do que a outra, com as quais Lula justificou crescimento tão miserável.
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Ou seja, este é o governo da mentira, da falsidade, da propaganda enganosa, da empulhação, da hipocrisia, do cinismo. Sendo Lula o maior responsável por seu próprio governo, jamais o povo brasileiro viu seu presidente tomado de humildade, assumindo seus próprios erros. Enquanto isto, o país que trabalha, que produz, que paga impostos, que não tem assistência minimamente digna e decente do Estado, que é assaltada por juros exorbitantes e uma carga tributária perversa, padece, perde compromissos, sofre prejuízos de toda sorte e conta, e vem um presidente moleque dizer-lhe que a culpa é dos outros quando, a verdade nua e crua, é a de que somente Lula é responsável pela crise que vivemos há mais de dois meses nos aeroportos, sem poder contar com um mínimo de decência de parte do presidente de pôr um basta nisto tudo !
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Seria oportuno que nosso governante maior parasse de bancar o negociador de banca de peixe. Largasse a molecagem de lado, assumisse com altivez, mas com humildade e maturidade, a responsabilidade que lhe cabe diante deste padecimento sem fim nos aeroportos. Parasse, por exemplo, de engambelar, de mentir, de enrolar, e assumisse de vez sua parcela de responsabilidade. A grande verdade nesta história toda é que com esta esperança dificilmente poderemos contar: Lula além de irresponsável, incompetente e negligente, converteu-se no maior mentiroso que já teve assento na cadeira presidencial.
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Não bastasse isto, agora vem de culpar as companhias aéreas pela palhaçada toda. Ou então as chuvas, como se antes jamais houvesse caído um pingo d’água dos céus “deztepaiz” ! Claro que, os responsáveis pela reeleição de Lula, em sua maioria, não usam avião como transporte rotineiro em suas vidas. Talvez,por isso mesmo, Lula não esteja nem aí para os problemas de atrasos e cancelamentos de vôos. Ocorre que esta fala vazia de Lula já vem ocorrendo há algum tempo. Diga-se de passagem, que ele próprio, há questão de 20 dias, afirmou categoricamente que o problema estava resolvido. Já se vê que a palavra de Lula não vale um tostão furado...
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Da mesma forma, estando a 10 dias de ser reempossado, não demonstra pressa alguma em definir que projetos e programas serão empregados em seu segundo mandato. Aliás, após quatro anos, ter programas e projetos não se trata de ação virtuosa: é uma obrigação. Se depois de tanto tempo ele ainda não sabe o que fazer e como destravar o país para ter crescimento saudável, ou país elegeu o presidente errado, ou Lula se candidatou para um concurso no qual não demonstrado o menor preparo possível e que o cargo exige. Sequer equipe tem. Enquanto isto, o desemprego permanece estagnado, a economia permanece estagnada, os serviços públicos cada vez mais indignos, a infra-estrutura cada vez mais sucatada. Se alguém de juízo perfeito tiver pressa para saber qual cenário de país para projetar investimentos no curto prazo, esqueça, meu amigo: este governo 2, só nascerá depois da eleição dos presidentes da Câmara e do Senado. Mas aí teremos carnaval ? Paciência, camarada investidor: em março a gente vê como fica. Enquanto isto, as mulas e os asnos republicanos continuarão a entoar seus resmungos e relinchos canalhas, como a perguntar quem são os verdadeiros burros nesta história toda: se os próprios, que já nasceram de quatro patas e comendo grama, ou nós por insistir em sermos governados pelas bestas que, em quatros anos, conseguiram estagnar o país no ar, na terra e no mar. E que tendo os destinos deste país nas mãos por mais quatro anos, ainda não sabem o que fazer com ele. E o desolador é que este apagão aéreo, além de estar longe de terminar, e pelo andar trôpego da carroça, parece que não terá sido o único apagão que deveremos enfrentar.