sexta-feira, março 23, 2007

A caminho do bolsa-tudo (seus problemas acabaram)

Guilherme Fiúza, Política & Cia., NoMínimo

Uma das conseqüências mais concretas da vitória eleitoral de Lula em 2006 foi a consagração das bolsas assistenciais – uma classificação elegante para o bom e velho dinheiro de graça. E agora o governador do Rio vem com uma novidade assustadoramente criativa.

O princípio é excelente. No caso da Bolsa Escola, por exemplo, hoje englobada pelo Bolsa Família, ganha o subsídio do Estado a família que ajuda o Estado a educar. Faz sentido. Mas como o controle das matrículas é assumidamente de araque (“o importante é que o dinheiro chegue aos pobres”, declarou tranqüilamente o ministro Patrus Ananias), a coisa é eminentemente mais um milagre da máquina populista.

Além dos correligionários de prefeitos e líderes locais que ganham a bolsa mesmo tendo carro na garagem (deve ser o bolsa gasolina), há um exército de candidatos a pobres, recusando empregos para merecer o benefício estatal (ter salário é bom, mas ganhar sem trabalhar é melhor). Carteira assinada nem pensar.

A vocação para bolsista do Lula já é uma coqueluche nacional, e agora chega a uma área socialmente sensível: o pessoal do 171. A idéia é de Benedita da Silva, de quem não se ouvia falar desde aquelas viagens evangélicas à Argentina pagas com o bolsa-contribuinte.

É simples: os pais dos menores delinqüentes passam a ter direito ao bolsa família. Assim podem se estruturar para acolher novamente o filho pervertido no seio do lar. Um ovo de Colombo.

É claro que a trinca Benedita da Silva, Sérgio Cabral Filho e Lula, todos de esquerda (sic) e do bem, não acredita que vai ter moleque roubando bolsa para ganhar a bolsa (fica detido um pouquinho e depois volta para o seio da família com as duas bolsas – a estatal e a da madame).

Não, é claro que o ser humano não é tão mau assim. O programa certamente vai funcionar. E provavelmente vai gerar outros, como o bolsa mala, para pais que queiram mandar seus filhos chatos para um internato na Antártida, e o bolsa escroque, um prêmio para as famílias que impedirem seus filhos sem caráter de ir à escola, salvando os filhos dos outros do contágio.

Aliás, não dá para entender o que o Brasil está esperando para criar de uma vez o bolsa-tudo. Vai ver está previsto no PAC.