sexta-feira, março 23, 2007

O apagão pode, a CPI não.

Lorenna Rodrigues, Jornal do Brasil

Caos aéreo - Governo não consegue impedir novos transtornos para milhares de passageiros, mas mantém bloqueio às investigações do Congresso

Forte, até agora, para impedir que o Congresso instale a CPI proposta para investigar o caos do transporte aéreo, o governo continua incapaz de evitar o próprio apagão. Ontem, o caos que voltou a tomar conta dos aeroportos desde domingo causou atrasos em 455 vôos, em todo o país, até o início da noite. De acordo com a Infraero, 30,1% dos 1.510 vôos programados decolaram com atraso superior a uma hora. Segundo o Ministério da Defesa, os atrasos refletiram ainda a pane no sistema de gerenciamento de vôos do Centro de Controle de Brasília (Cindacta 1), ocorrida na manhã de domingo, e as chuvas que levaram ao fechamento do Aeroporto de Congonhas, no fim de semana.

A explicação parece não ter convencido o presidente Lula. Ontem, Lula convocou para uma reunião "de emergência" o ministro da Defesa, Waldir Pires, e o comandante da Aeronáutica, brigadeiro Juniti Saito, além de representantes da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e Infraero. O presidente cobrou explicações e exigiu a apuração "imediata e rigorosa das causas do ocorrido".

- (O presidente) Determinou que os usuários recebam as informações de modo rápido e correto nos aeroportos e que sejam implementados equipamentos reserva eficientes e eficazes - informou nota do Ministério da Defesa.

Apesar de a Aeronáutica e controladores de tráfego negarem que os atrasos estejam sendo causados por uma greve branca, a exemplo da que aconteceu no fim de 2006, a categoria voltou a pressionar o governo para retirar o controle de vôo das mãos dos militares. Amanhã, representantes dos controladores se reúnem com o ministro da Defesa para cobrar maior agilidade no processo de desmilitarização do setor, a criação de uma carreira e melhores salários.

Ontem, a situação no aeroporto de Brasília se agravou com o apagão nos painéis da Infraero. De acordo com o presidente da estatal, José Carlos Pereira, o problema foi causado por um pico de energia. A estatal abriu sindicância para apurar se houve negligência na manutenção ou operação dos painéis.

- Ninguém avisa nada, ninguém sabe dar explicação e nem os painéis funcionam. A situação é caótica - reclamou a enfermeira Kátia Montenegro, que esperava há duas horas por um vôo de Brasília para o Rio.