sexta-feira, março 23, 2007

Lula decide demitir ministro Waldir Pires

Jornal do Brasil

A crise no setor aéreo voltou a tempo de incluir na reforma ministerial o cargo de ministro da Defesa, hoje ocupado por Waldir Pires. Depois de ser poupado do troca-troca nos ministérios, Pires voltou à lista do presidente Luiz Inácio Lula da Silva por conta dos atrasos de vôo que voltaram a acontecer desde domingo. Segundo interlocutores, Lula cogita substituir Pires imediatamente, e não esperar dois ou três meses, como planejava.

A cabeça de Pires está a prêmio desde o fim do ano passado, quando a crise no setor aéreo começou. Em respeito ao currículo e à lealdade do ministro, Lula preferiu esperar por um momento em que o ministro não ocupasse os holofotes para substituí-lo. A sucessão de crises na pasta que Pires administra pode tornar sua permanência no ministério insustentável.

A situação do ministro piorará ainda mais se os atrasos e as filas nos aeroportos continuarem. Ontem, o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira, disse que não poderia garantir que o problema não continuaria.
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- Até amanhã (hoje) à noite estará resolvido - declarou.

- Mas não posso dizer que daqui a 15 dias não vai acontecer a mesma coisa. Estaria mentindo. Para dizer a verdade para a população, a qualquer momento pode ocorrer um problema como o de ontem (domingo).

O brigadeiro não quis comentar a pane no sistema de gerenciamento de vôos, em Brasília. Pereira ressaltou que a responsabilidade pelo controle de tráfego aéreo é da Aeronáutica.

- Caiu o programa de computador da Aeronáutica e eu só respondo pela Infraero - informou.

- Quando vimos o que estava ocorrendo, já nos preparamos para a madrugada.
Sobre a situação de Congonhas - cuja pista principal é fechada praticamente toda vez que chove - o brigadeiro disse que a questão melhorará em 35 dias, quando a reforma na pista auxiliar será concluída.

Pereira foi uma das vítimas do apagão aéreo. Por conta da demora em seu vôo, o brigadeiro chegou atrasado a um encontro com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

- Foi um atrasinho de duas horas - minimizou.