Reinaldo Azevedo
Realizou-se uma operação gigantesca, como viram. Por US$ 4 bilhões, o grupo Ultra, a Brasken e a Petrobras arremataram o grupo Ipiranga. O Jornal da Globo sintetizou bem a operação: “A refinaria no Rio Grande do Sul, será dividida em três partes iguais entre o grupo Ultra, líder na distribuição de gás engarrafado; a Braskem, do poderoso grupo Odebrecht; e a Petrobras. Sessenta por cento do setor petroquímico vai para a Braskem, e 40% para a Petrobras. Na distribuição de combustível, a Petrobras fica com os postos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e o grupo Ultra com os do Sul e do Sudeste. A marca Ipiranga será do grupo Ultra. Com o negócio, a BR, que é a distribuidora da Petrobras, passará a ter 7.100 postos em todo o país. A participação na venda de combustíveis vai subir de 33% para cerca de 38% – uma presença dominante. Por isso, a operação só será finalizada depois de passar pelas Secretarias de Direito Econômico e Acompanhamento Econômico e pelo Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Esses órgãos vão analisar se a livre concorrência não será prejudicada. A dúvida é se a Petrobras, com grande parte do mercado na mão, não será tentada a ditar os preços não só nas refinarias, mas também nas bombas.”
Realizou-se uma operação gigantesca, como viram. Por US$ 4 bilhões, o grupo Ultra, a Brasken e a Petrobras arremataram o grupo Ipiranga. O Jornal da Globo sintetizou bem a operação: “A refinaria no Rio Grande do Sul, será dividida em três partes iguais entre o grupo Ultra, líder na distribuição de gás engarrafado; a Braskem, do poderoso grupo Odebrecht; e a Petrobras. Sessenta por cento do setor petroquímico vai para a Braskem, e 40% para a Petrobras. Na distribuição de combustível, a Petrobras fica com os postos do Norte, Nordeste e Centro-Oeste, e o grupo Ultra com os do Sul e do Sudeste. A marca Ipiranga será do grupo Ultra. Com o negócio, a BR, que é a distribuidora da Petrobras, passará a ter 7.100 postos em todo o país. A participação na venda de combustíveis vai subir de 33% para cerca de 38% – uma presença dominante. Por isso, a operação só será finalizada depois de passar pelas Secretarias de Direito Econômico e Acompanhamento Econômico e pelo Cade, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica. Esses órgãos vão analisar se a livre concorrência não será prejudicada. A dúvida é se a Petrobras, com grande parte do mercado na mão, não será tentada a ditar os preços não só nas refinarias, mas também nas bombas.”
Vazamento de informação
Só que há um probleminha. Na sexta, quando, em teoria, ninguém sabia da operação, as ações da Ipiranga dispararam. Conforme resume o mesmo Jornal da Globo: “As ações ordinárias da Ipiranga – aquelas que dão direito a voto no conselho que tem o poder decisório na empresa – chegaram a ter alta superior a 33%. ‘Isso é um forte indicio de operação com informação privilegiada, o chamado insider trading, especialmente porque essas ações ordinárias do grupo Ipiranga são ações com pouco volume de negociação e esse volume subiu, assim como as cotações das ações’, afirma Marcelo Trindade, presidente da Comissão de Valores Mobiliários. (...) Negociar ações com informação privilegiada é crime – e, de acordo com a CVM, o caso deve ser apurado também pelo Ministério Publico Federal.”
O que fazer?
Vamos ver. O mercado é mesmo uma coisa meio sem-vergonha. O capitalismo está longe de pôr a ética acima do interesse objetivo: ganhar dinheiro para poder fazer mais dinheiro. Nesse percurso, faz a civilização. O comunismo tentou disciplinar essa selvageria e produziu, em nome de uma idéia que se queria moral, perto de 200 milhões de cadáveres. Então, não acho boa a alternativa, hehe.
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Mas é claro que devemos nos espelhar nas regras dos países que já foram mais longe nessa experiência: os EUA por exemplo. Fraudes desse natureza, a se confirmar qualquer irregularidade, rendem, lá, nada menos que cadeia. E o sujeito fica proibido de voltar a operar no mercado. A CVM dispõe de instrumentos para concluir se houve ou não vazamento e obtenção de lucro em razão de informações privilegiadas. Convenham: se houve, na sexta, um movimento atípico de ações da Ipiranga, normalmente pouco negociadas, e a empresa é vendida entre sábado e domingo, das duas uma: ou alguém recebeu um sopro do Espírito Santo, ou a informação vazou.
Mas é claro que devemos nos espelhar nas regras dos países que já foram mais longe nessa experiência: os EUA por exemplo. Fraudes desse natureza, a se confirmar qualquer irregularidade, rendem, lá, nada menos que cadeia. E o sujeito fica proibido de voltar a operar no mercado. A CVM dispõe de instrumentos para concluir se houve ou não vazamento e obtenção de lucro em razão de informações privilegiadas. Convenham: se houve, na sexta, um movimento atípico de ações da Ipiranga, normalmente pouco negociadas, e a empresa é vendida entre sábado e domingo, das duas uma: ou alguém recebeu um sopro do Espírito Santo, ou a informação vazou.
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Tudo que sei do Santo Espírito me diz que Ele não costuma se meter nesse tipo de operação.
Tudo que sei do Santo Espírito me diz que Ele não costuma se meter nesse tipo de operação.