Chico Siqueira , Estadão
Léia de Souza enfrentou o concorrido vestibular, passou em 9.º lugar e vai estudar no mesmo campus em que trabalha
Aos 37 anos, pobre, separada e mãe de um filho de 14 anos, a faxineira Léia Rodrigues de Souza tem motivos de sobra para festejar e acreditar que sua vida vai mudar para melhor. Léia voltará aos bancos escolares depois de 20 anos. Aos 16, ela largou a escola, sem concluir o primeiro ano do ensino médio, para dedicar seu tempo ao trabalho e ao casamento.
Léia de Souza enfrentou o concorrido vestibular, passou em 9.º lugar e vai estudar no mesmo campus em que trabalha
Aos 37 anos, pobre, separada e mãe de um filho de 14 anos, a faxineira Léia Rodrigues de Souza tem motivos de sobra para festejar e acreditar que sua vida vai mudar para melhor. Léia voltará aos bancos escolares depois de 20 anos. Aos 16, ela largou a escola, sem concluir o primeiro ano do ensino médio, para dedicar seu tempo ao trabalho e ao casamento.
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No fim de 2006, já separada do marido e com um salário de R$ 700, a faxineira fez o vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), um dos mais concorridos do País. Passou! A partir do dia 26, será uma das alunas do curso de Licenciatura em Pedagogia do campus de São José do Rio Preto, onde trabalha desde maio de 2005 com vassoura e rodo, limpando a sujeira deixada por alunos e professores.
No fim de 2006, já separada do marido e com um salário de R$ 700, a faxineira fez o vestibular da Universidade Estadual Paulista (Unesp), um dos mais concorridos do País. Passou! A partir do dia 26, será uma das alunas do curso de Licenciatura em Pedagogia do campus de São José do Rio Preto, onde trabalha desde maio de 2005 com vassoura e rodo, limpando a sujeira deixada por alunos e professores.
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Léia conta que foi justamente o ambiente de trabalho que despertou novamente nela o gosto pela escola, que tinha deixado em 1986 e depois voltado em 2000 - desta vez em casa - para fazer as provas de supletivo e terminar o ensino médio. “Aqui na faculdade eu via alunos e professores, todos buscando alguma coisa, e isso me deixava sempre arrependida de ter largado a escola”, lembra. Influenciada por uma amiga, Léia prestou em 2005 o vestibulinho para o cursinho pré-vestibular que estudantes da Unesp oferecem aos alunos carentes. Apesar de não ser aprovada imediatamente, Léia acabou entrando no curso pela lista de segunda chamada.
Léia conta que foi justamente o ambiente de trabalho que despertou novamente nela o gosto pela escola, que tinha deixado em 1986 e depois voltado em 2000 - desta vez em casa - para fazer as provas de supletivo e terminar o ensino médio. “Aqui na faculdade eu via alunos e professores, todos buscando alguma coisa, e isso me deixava sempre arrependida de ter largado a escola”, lembra. Influenciada por uma amiga, Léia prestou em 2005 o vestibulinho para o cursinho pré-vestibular que estudantes da Unesp oferecem aos alunos carentes. Apesar de não ser aprovada imediatamente, Léia acabou entrando no curso pela lista de segunda chamada.
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Depois de tirar notas razoáveis nos simulados do primeiro semestre, Léia recebeu apoio dos professores para estudar mais, porque teria chances no vestibular do final de ano. Esforçou-se ao máximo, estudou dentro do ônibus e nos domingos e feriados, até melhorar as notas e se achar pronta para tentar entrar na Unesp. Mas veio outro empecilho. Os R$ 118 cobrados para a inscrição do vestibular iriam lhe fazer falta. “Não podia gastar esse dinheiro por luxo, sem saber se passaria ou não, mas consegui a isenção destinada a alunos carentes”, conta. Léia prestou exame apenas para o curso de Licenciatura em Pedagogia, sem nenhuma outra opção. “Tenho o sonho de ser professora.” Deu certo: ela passou em 9º lugar entre 40 alunos. Eram sete candidatos por vaga.
Depois de tirar notas razoáveis nos simulados do primeiro semestre, Léia recebeu apoio dos professores para estudar mais, porque teria chances no vestibular do final de ano. Esforçou-se ao máximo, estudou dentro do ônibus e nos domingos e feriados, até melhorar as notas e se achar pronta para tentar entrar na Unesp. Mas veio outro empecilho. Os R$ 118 cobrados para a inscrição do vestibular iriam lhe fazer falta. “Não podia gastar esse dinheiro por luxo, sem saber se passaria ou não, mas consegui a isenção destinada a alunos carentes”, conta. Léia prestou exame apenas para o curso de Licenciatura em Pedagogia, sem nenhuma outra opção. “Tenho o sonho de ser professora.” Deu certo: ela passou em 9º lugar entre 40 alunos. Eram sete candidatos por vaga.
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Agora, Léia sabe que tem outra empreitada. “São quatro anos em que terei de fazer muito esforço, e depois continuar com mestrado e, se Deus quiser, um doutorado. Quem sabe não consigo um emprego melhor que o meu de hoje.”
Agora, Léia sabe que tem outra empreitada. “São quatro anos em que terei de fazer muito esforço, e depois continuar com mestrado e, se Deus quiser, um doutorado. Quem sabe não consigo um emprego melhor que o meu de hoje.”
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Caminho do aprendizado
Esse caminho já foi trilhado em Campinas. A ex-faxineira Marinalva Imaculada Cuzin, hoje com 42 anos, formou-se pedagoga em 2001, pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e conclui neste ano o doutorado em Educação. Marinalva era monitora de educação infantil em uma creche municipal e trabalhava à noite como faxineira do cursinho vestibular do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unicamp em 1996, quando decidiu voltar a estudar. “Acreditava que podia ter uma vida e um futuro melhores”, afirmou.
Caminho do aprendizado
Esse caminho já foi trilhado em Campinas. A ex-faxineira Marinalva Imaculada Cuzin, hoje com 42 anos, formou-se pedagoga em 2001, pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), e conclui neste ano o doutorado em Educação. Marinalva era monitora de educação infantil em uma creche municipal e trabalhava à noite como faxineira do cursinho vestibular do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unicamp em 1996, quando decidiu voltar a estudar. “Acreditava que podia ter uma vida e um futuro melhores”, afirmou.
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Assistiu às aulas no cursinho, prestou vestibular, fez a faculdade, cursou mestrado na mesma universidade e agora quer terminar o doutorado em relações interpessoais fundamentadas no psicodrama.
Assistiu às aulas no cursinho, prestou vestibular, fez a faculdade, cursou mestrado na mesma universidade e agora quer terminar o doutorado em relações interpessoais fundamentadas no psicodrama.
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Apesar das dificuldades, Marinalva também já passou por experiências pelas quais ela agradece. “Trabalhei como professora no presídio Ataliba Nogueira, em Hortolândia, na alfabetização de presos”, conta.
Apesar das dificuldades, Marinalva também já passou por experiências pelas quais ela agradece. “Trabalhei como professora no presídio Ataliba Nogueira, em Hortolândia, na alfabetização de presos”, conta.
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Além de fazer o doutorado, Marinalva há quatro anos também trabalha na alfabetização de adultos com transtornos mentais.
COMENTANDO A NOTICIA: Eis a prova provada de que é possível ser pobre, mas honesto, viver em condições precárias e trabalhando em empregos bastante humildes, e nem por isso é obrigatório tornar-se bandido, ou marginal ou prostituta. Marinalva como também a Léia, com esforço, sacrifício, empenho e vontade, superaram todas as barreiras e até a falta de oportunidades. Mas buscaram com méritos pessoais indiscutíveis, vencer e superar a todas as dificuldades. Superaram e venceram. E não se venha aqui com a cretinice de se apontar como fruto desta ou daquela política de governo, de assistencialismos demagógicos, ou tentarem tirar os méritos que são todos delas, para colherem na sua horta os frutos de suas vitórias pessoais. Quem quer vencer, luta, batalha, se sacrifica, se supera e chega lá. Agora peguem toda aquela cascata do discurso de Lula e o joguem no lixo. Marinalva Léia são as provas de que ele não serve para nada, a não ser para fabricar pobreza e miséria moral e intelectual.
Além de fazer o doutorado, Marinalva há quatro anos também trabalha na alfabetização de adultos com transtornos mentais.
COMENTANDO A NOTICIA: Eis a prova provada de que é possível ser pobre, mas honesto, viver em condições precárias e trabalhando em empregos bastante humildes, e nem por isso é obrigatório tornar-se bandido, ou marginal ou prostituta. Marinalva como também a Léia, com esforço, sacrifício, empenho e vontade, superaram todas as barreiras e até a falta de oportunidades. Mas buscaram com méritos pessoais indiscutíveis, vencer e superar a todas as dificuldades. Superaram e venceram. E não se venha aqui com a cretinice de se apontar como fruto desta ou daquela política de governo, de assistencialismos demagógicos, ou tentarem tirar os méritos que são todos delas, para colherem na sua horta os frutos de suas vitórias pessoais. Quem quer vencer, luta, batalha, se sacrifica, se supera e chega lá. Agora peguem toda aquela cascata do discurso de Lula e o joguem no lixo. Marinalva Léia são as provas de que ele não serve para nada, a não ser para fabricar pobreza e miséria moral e intelectual.