CUIABÁ - Quase cinco meses depois da colisão entre o jato Legacy e o avião Boeing da Gol, que resultou na morte de 154 pessoas, a Polícia Federal ainda tem nove dúvidas sobre os funcionamentos do Transponder e do sistema TCAS, que podem definir as causas do maior acidente aéreo da história do País. Mas o delegado que preside o inquérito, Renato Sayão, de Cuiabá (MT), já tem como certa a culpa dos pilotos americanos Joe Lepore e Jan Paul Paladino. O fato de os dois não quererem prestar esclarecimentos contribuiu para o atraso no inquérito e o pedido de mais 60 dias para a conclusão do trabalho.
Sayão encaminhou uma série de perguntas a dois peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília. As dúvidas chegam a ser básicas, mas o laudo é necessário para finalizar a apuração. "Tem coisas que já sabemos desde o começo, só que não tem como colocar da minha boca, pois não sou técnico "
A PF ainda não sabe, por exemplo, como funciona o transponder e o TCAS. Desconhece também se é possível confundir os botões que ligam os equipamentos a outros localizados na mesma mesa; se são ligados - ou desligados - em conjunto ou separadamente. Há ainda outras questões que, com a ida de Paladino e Lepore para os Estados Unidos e sua recusa em depor, podem não ser respondidas nunca. "Tem coisas que são impossíveis que nunca vamos saber, então vamos trabalhar com o que temos", admitiu.
Entre as dúvidas está o fato de os pilotos terem notado ou não que o transponder estava desligado, seja por desatenção, seja por usarem algum tipo de equipamento - um laptop ou um mini DVD - enquanto pilotavam. "Eu acho que na verdade eles não querem prestar declarações. Não vejo diferença nenhuma de prestar aqui ou no processo penal depois. Quem tá a fim de esclarecer, esclarece logo, não é?"
Outro problema, que segundo Sayão, falta ser esclarecido é sobre a altitude em que os pilotos americanos voavam. É certo que estavam a 37 mil pés, mas pode ter existido uma má interpretação de uma ordem dada por um controlador de tráfego aéreo. Mesmo assim, o delegado já descartou totalmente que tenha ocorrido qualquer tipo de erro por parte dos controladores aéreos de Manaus ou São José dos Campos. Resta avaliar a parcela de culpa dos operadores de Brasília.
Até agora, a Polícia Federal ouviu 17 militares - 16 controladores aéreos. Com base nisso, os investigadores se fixaram em três operadores da base de Brasília, que estão tendo as ações no dia do acidente analisadas mais detalhadamente.
COMENTANDO A NOTICIA: Nenhuma surpresa. A PF é ótima para enquadrar sonegadores e traficantes. Mas há crimes que a nossa “republicana PF não sabe (ou quer) avançar. Casos como o mensalão, CPI dos Correios, e principalmente, o caso das cartilhas pagas e não feitas, o dossiê anti-tucanos na eleição de outubro, são exemplos de crimes que ficaram em aberto. No caso do avião da Gol, que seria até simples, parece que tem “gente” que se chegue a resultado algum, tal qual nos exemplos citados. E isto é danoso para a imagem de uma instituição que deveria estar acima de interesses políticos no desvendar de crimes.
Sayão encaminhou uma série de perguntas a dois peritos do Instituto Nacional de Criminalística (INC), em Brasília. As dúvidas chegam a ser básicas, mas o laudo é necessário para finalizar a apuração. "Tem coisas que já sabemos desde o começo, só que não tem como colocar da minha boca, pois não sou técnico "
A PF ainda não sabe, por exemplo, como funciona o transponder e o TCAS. Desconhece também se é possível confundir os botões que ligam os equipamentos a outros localizados na mesma mesa; se são ligados - ou desligados - em conjunto ou separadamente. Há ainda outras questões que, com a ida de Paladino e Lepore para os Estados Unidos e sua recusa em depor, podem não ser respondidas nunca. "Tem coisas que são impossíveis que nunca vamos saber, então vamos trabalhar com o que temos", admitiu.
Entre as dúvidas está o fato de os pilotos terem notado ou não que o transponder estava desligado, seja por desatenção, seja por usarem algum tipo de equipamento - um laptop ou um mini DVD - enquanto pilotavam. "Eu acho que na verdade eles não querem prestar declarações. Não vejo diferença nenhuma de prestar aqui ou no processo penal depois. Quem tá a fim de esclarecer, esclarece logo, não é?"
Outro problema, que segundo Sayão, falta ser esclarecido é sobre a altitude em que os pilotos americanos voavam. É certo que estavam a 37 mil pés, mas pode ter existido uma má interpretação de uma ordem dada por um controlador de tráfego aéreo. Mesmo assim, o delegado já descartou totalmente que tenha ocorrido qualquer tipo de erro por parte dos controladores aéreos de Manaus ou São José dos Campos. Resta avaliar a parcela de culpa dos operadores de Brasília.
Até agora, a Polícia Federal ouviu 17 militares - 16 controladores aéreos. Com base nisso, os investigadores se fixaram em três operadores da base de Brasília, que estão tendo as ações no dia do acidente analisadas mais detalhadamente.
COMENTANDO A NOTICIA: Nenhuma surpresa. A PF é ótima para enquadrar sonegadores e traficantes. Mas há crimes que a nossa “republicana PF não sabe (ou quer) avançar. Casos como o mensalão, CPI dos Correios, e principalmente, o caso das cartilhas pagas e não feitas, o dossiê anti-tucanos na eleição de outubro, são exemplos de crimes que ficaram em aberto. No caso do avião da Gol, que seria até simples, parece que tem “gente” que se chegue a resultado algum, tal qual nos exemplos citados. E isto é danoso para a imagem de uma instituição que deveria estar acima de interesses políticos no desvendar de crimes.