sábado, fevereiro 24, 2007

Viagens internacionais geram gastos recordes de US$ 574 mi

Fernando Nakagawa, Jornal do Brasil

O Brasil bateu recordes na área de turismo internacional no mês passado. Segundo o Banco Central, brasileiros nunca gastaram tanto dinheiro no exterior e também os estrangeiros jamais deixaram tantos recursos no país como em janeiro. Em plena alta temporada nacional, os brasileiros desembolsaram US$ 574 milhões em viagens internacionais. A despesa com hotéis, restaurantes e compras é a maior da série histórica do Banco Central, iniciada em 1947.

Já os estrangeiros gastaram US$ 484 milhões no Brasil, outra marca histórica. Portanto, houve déficit de US$ 90 milhões na conta do turismo internacional, ante superávit de US$ 5 milhões em janeiro do ano passado. Na comparação entre os dois períodos, as despesas de brasileiros no exterior cresceram 45% e a de estrangeiros no Brasil, 20%.

- Os números mostram que é normal termos déficits na conta de turismo - disse o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes. - O superávit é que é inesperado.

Dados do BC mostram que a tendência de saldo negativo continua neste mês. Até o dia 23, o déficit registrado é de US$ 67 milhões.

- O aumento da renda e o dólar favorável explicam o gasto recorde no exterior - declarou Lopes.

Nesse quadro, a previsão do Banco Central é de que a conta feche o ano ainda mais no vermelho. O déficit esperado é de US$ 1,8 bilhão, quase US$ 400 milhões a mais do totalizado no ano passado.

Mesmo assim, não preocupa. Para o integrante do governo, o fenômeno mais relevante é o aumento da quantidade de recursos de turistas estrangeiros no Brasil.

- Mesmo com a valorização do real, que torna os gastos no Brasil mais caros em moeda estrangeira, a receita continua em crescimento.

Segundo Lopes, o aumento dos gastos dos estrangeiros no Brasil resulta de uma série de fatores, como a melhoria da infra-estrutura de áreas turísticas, como os resorts da região Nordeste e novos hotéis nas grandes cidades. Outro fator que explicaria o fenômeno seria a crescente procura por destinos menos propensos a terrorismo por parte de europeus e americanos.

- É um número excepcional - afirmou o diretor de Estudos e Pesquisas da Embratur, José Francisco Lopes. - Significa dizer que elevamos a qualidade, em termos de receita, do estrangeiro que nos visita. Atualmente, recebemos um turista que gasta mais e permanece mais tempo no Brasil.