Jiane Carvalho , Jornal Do Brasil
Pela primeira vez, o número de mulheres com cartão de crédito superou o de homens que têm o produto na carteira. Ao final do primeiro trimestre deste ano, as mulheres já detinham mais da metade dos cartões em circulação no Brasil, ou 39,8 milhões de unidades, que correspondem a 50,2% do mercado. Os dados constam do estudo Cartões de Crédito para as Mulheres, realizado pelo banco Itaú.
Em termos de faturamento, entretanto, os homens ainda estão na dianteira. O público feminino movimentou R$ 18,8 milhões entre janeiro e março, aumentando sua participação também no volume transacionado, que passou de 44,7% no primeiro trimestre do ano passado para 45% no mesmo período deste ano. Ou seja, embora as mulheres tenham mais plásticos, os homens são responsáveis pela maior parte do faturamento, com 55% de participação.
O estudo do Itaú também revelou outras características do comportamento feminino quando de posse do cartão de crédito.
- As mulheres fazem um uso mais racional do cartão, usam o produto mais vezes do que os homens, o que mostra que incorporaram sua utilização no dia-a-dia - revela Fernando Chacon, diretor de Marketing de Cartões do Itaú. - Quando comparados os dois sexos, as mulheres usam muito mais a opção parcelada sem juros do que os homens.
Segundo o estudo, de todo o volume movimentado pelas mulheres entre janeiro e março, 53% foram na modalidade de parcelamento sem juros, ou R$ 10 bilhões. Já os homens movimentaram 43% do volume total em parcelamentos sem juros.
- Isso mostra que existe um consumo consciente por parte do público feminino - avalia Chacon.
Em relação ao perfil de compras, os gastos em supermercados e padarias não diferem entre homens e mulheres, com 20% do total da fatura do cartão. No entanto, as mulheres gastam mais em vestuário (19%), enquanto os gastos masculinos ficam em 11%. Os homens ultrapassam com folga as mulheres nos gastos com restaurantes, companhias aéreas e agências de turismo, com 13% do total da fatura. Nestes itens, os gastos femininos não passam de 9%.
Fernando Chacon reafirmou a expectativa de que o setor de cartões de crédito como um todo feche este ano com crescimento de 20%, atingindo um faturamento de R$ 188,3 bilhões.
- Neste começo de ano, o faturamento tem crescido entre 13% e 15%, mas a expectativa é que para o segundo semestre haja uma aceleração nestas taxas - avalia Chacon.
O setor de cartões de crédito, segundo o diretor de Marketing, responde por 10% do resultado do banco. O Itaú é líder no mercado de cartões de crédito com 25% de participação e espera fechar o ano com 14 milhões de unidades.
- Metade destes cartões são destinados a correntistas e a outra metade a não-correntistas - explica Chacon. - O cartão é importante porque ajuda na venda de produtos financeiros a não-clientes do banco.
Nos próximos dias, segundo Fernando Chacon, o Itaú deve anunciar uma nova parceria na área de cartões.
- Estamos próximos de um acordo para introduzir uma nova metodologia no uso do cartão, que facilite o seu uso de forma massificada.
A advogada Andréa Müller, que gasta em média R$ 500 semanais em compras, encara o cartão de crédito como item básico de sobrevivência. Para ela, além da praticidade, a maior vantagem do produto é a opção de pagamento a longo prazo.
- Uso cartão no supermercado, na farmácia, no shopping, restaurantes, enfim, em todos os lugares - conta. - Além de não ter que ficar carregando dinheiro, o que faz do cartão uma opção bem mais segura, a gente gasta sem sentir que está gastando.
Popularização do produto impulsiona inadimplência
Luciana Gondim
Pela primeira vez, o número de mulheres com cartão de crédito superou o de homens que têm o produto na carteira. Ao final do primeiro trimestre deste ano, as mulheres já detinham mais da metade dos cartões em circulação no Brasil, ou 39,8 milhões de unidades, que correspondem a 50,2% do mercado. Os dados constam do estudo Cartões de Crédito para as Mulheres, realizado pelo banco Itaú.
Em termos de faturamento, entretanto, os homens ainda estão na dianteira. O público feminino movimentou R$ 18,8 milhões entre janeiro e março, aumentando sua participação também no volume transacionado, que passou de 44,7% no primeiro trimestre do ano passado para 45% no mesmo período deste ano. Ou seja, embora as mulheres tenham mais plásticos, os homens são responsáveis pela maior parte do faturamento, com 55% de participação.
O estudo do Itaú também revelou outras características do comportamento feminino quando de posse do cartão de crédito.
- As mulheres fazem um uso mais racional do cartão, usam o produto mais vezes do que os homens, o que mostra que incorporaram sua utilização no dia-a-dia - revela Fernando Chacon, diretor de Marketing de Cartões do Itaú. - Quando comparados os dois sexos, as mulheres usam muito mais a opção parcelada sem juros do que os homens.
Segundo o estudo, de todo o volume movimentado pelas mulheres entre janeiro e março, 53% foram na modalidade de parcelamento sem juros, ou R$ 10 bilhões. Já os homens movimentaram 43% do volume total em parcelamentos sem juros.
- Isso mostra que existe um consumo consciente por parte do público feminino - avalia Chacon.
Em relação ao perfil de compras, os gastos em supermercados e padarias não diferem entre homens e mulheres, com 20% do total da fatura do cartão. No entanto, as mulheres gastam mais em vestuário (19%), enquanto os gastos masculinos ficam em 11%. Os homens ultrapassam com folga as mulheres nos gastos com restaurantes, companhias aéreas e agências de turismo, com 13% do total da fatura. Nestes itens, os gastos femininos não passam de 9%.
Fernando Chacon reafirmou a expectativa de que o setor de cartões de crédito como um todo feche este ano com crescimento de 20%, atingindo um faturamento de R$ 188,3 bilhões.
- Neste começo de ano, o faturamento tem crescido entre 13% e 15%, mas a expectativa é que para o segundo semestre haja uma aceleração nestas taxas - avalia Chacon.
O setor de cartões de crédito, segundo o diretor de Marketing, responde por 10% do resultado do banco. O Itaú é líder no mercado de cartões de crédito com 25% de participação e espera fechar o ano com 14 milhões de unidades.
- Metade destes cartões são destinados a correntistas e a outra metade a não-correntistas - explica Chacon. - O cartão é importante porque ajuda na venda de produtos financeiros a não-clientes do banco.
Nos próximos dias, segundo Fernando Chacon, o Itaú deve anunciar uma nova parceria na área de cartões.
- Estamos próximos de um acordo para introduzir uma nova metodologia no uso do cartão, que facilite o seu uso de forma massificada.
A advogada Andréa Müller, que gasta em média R$ 500 semanais em compras, encara o cartão de crédito como item básico de sobrevivência. Para ela, além da praticidade, a maior vantagem do produto é a opção de pagamento a longo prazo.
- Uso cartão no supermercado, na farmácia, no shopping, restaurantes, enfim, em todos os lugares - conta. - Além de não ter que ficar carregando dinheiro, o que faz do cartão uma opção bem mais segura, a gente gasta sem sentir que está gastando.
Popularização do produto impulsiona inadimplência
Luciana Gondim
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Analistas do setor de varejo acreditam que o crescimento da participação feminina no número de transações com o cartão de crédito é resultado da associação de dois fatores: a ampliação do poder de compra da mulher e a popularização desta modalidade de pagamento.
- É fato que as mulheres estão ascendendo no mercado de trabalho, e isso amplia a capacidade de crédito - comenta o professor de Marketing e Varejo da ESPM, Ricardo Scaroni. - Mas precisamos considerar também que o varejo abraçou o produto como alternativa ao cheque especial. Isso acabou tornando o cartão mais acessível às camadas mais pobres.
A assessora econômica da Fecomércio, Kelly Carvalho, alerta contudo que, apesar de o cartão facilitar a vida dos consumidores de menor poder aquisitivo, a utilização do produto exige cuidado redobrado.
- O nível de inadimplência é maior entre os consumidores que ganham até três salários mínimos. Não tenho dúvidas de que o cartão é um estímulo para comprar mais do que se pode pagar.
Analistas do setor de varejo acreditam que o crescimento da participação feminina no número de transações com o cartão de crédito é resultado da associação de dois fatores: a ampliação do poder de compra da mulher e a popularização desta modalidade de pagamento.
- É fato que as mulheres estão ascendendo no mercado de trabalho, e isso amplia a capacidade de crédito - comenta o professor de Marketing e Varejo da ESPM, Ricardo Scaroni. - Mas precisamos considerar também que o varejo abraçou o produto como alternativa ao cheque especial. Isso acabou tornando o cartão mais acessível às camadas mais pobres.
A assessora econômica da Fecomércio, Kelly Carvalho, alerta contudo que, apesar de o cartão facilitar a vida dos consumidores de menor poder aquisitivo, a utilização do produto exige cuidado redobrado.
- O nível de inadimplência é maior entre os consumidores que ganham até três salários mínimos. Não tenho dúvidas de que o cartão é um estímulo para comprar mais do que se pode pagar.