Camila Arêas
"Uma nova conspiração alimentada pelos interesses da oligarquia". Assim, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, classificou em cadeia nacional as manifestações que há três dias levam milhares de pessoas às ruas de todo o país em protesto contra o fechamento da RCTV, o canal de televisão mais popular do país. Irredutível diante dos apelos pela liberdade de expressão, o líder ameaça fechar a Globovisión - o canal crítico restante - e, se preciso, invocar um novo 13 de abril, em referência ao golpe de 2002.
Um dia depois de ser alvo de uma investigação contra a suposta associação que faz de imagens do presidente a fatos violentos, a Globovisión foi atacada pelo presidente. Chávez a acusou de "distorcer os fatos", repetindo "mil vezes grandes mentiras, como a forma agressiva e selvagem de ataque e repressão dos manifestantes":
- Saudações a Globovisión, peço que calculem bem até onde vão chegar. Recomendo que tomem calmante, que diminuam o ritmo.
Empregando a habitual fórmula, mediante a qual quem não lhe respalda se converte automaticamente em apátrida, Chávez advertiu que se "se seguirem incentivando a desobediência, deverão assumir as conseqüências de seus atos".
- Esse discurso apenas acentua o conflito e polariza os extremos. O presidente não entende que vivemos uma fratura sentimental e não política, como pretende fazer crer - explica Marcelino Bisbal, da Universidade Católica de Caracas. - As pessoas simplesmente gostavam daqueles programas televisivos. Chávez mexeu com o imaginário coletivo e não é com esse discurso que acalmará os ânimos.
O presidente lamentou que um "grupo de estudantes seja manipulado por interesses obscuros".
- Eles não podem estar sendo manipulados politicamente porque simplesmente não há líder expressivo da oposição - atenta Bisbal.
Enquanto isso, as manifestações continuavam por todo o país. Estudantes da Universidade Central de Venezuela realizaram uma marcha em defesa da pluralidade de idéias que terminou na a sede da Organização dos Estados Americanos, onde entregaram uma série de petições.
O protesto na praça Brión, com estudantes que gritavam slogans como "Povo, amadureça, isto é ditadura" e "Não à violência, sim à resistência", foi cercado por um forte dispositivo de segurança e terminou com vários feridos. Algumas ruas foram bloqueadas com pedaços de madeira e latas de lixo, que incendiados viraram barricadas.
Depois de três dias de silêncio, os líderes latino-americanos começaram a se manifestar. A presidente chilena, Michelle Bachelet, recorreu à ditadura para dizer que "que no Chile, a liberdade de expressão é a regra de ouro". O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, declarou que a decisão "é uma ferida mortal no sistema democrático".
Mas o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, se esquivou ao dizer que este "é um problema da legislação e do governo venezuelano".
"Uma nova conspiração alimentada pelos interesses da oligarquia". Assim, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, classificou em cadeia nacional as manifestações que há três dias levam milhares de pessoas às ruas de todo o país em protesto contra o fechamento da RCTV, o canal de televisão mais popular do país. Irredutível diante dos apelos pela liberdade de expressão, o líder ameaça fechar a Globovisión - o canal crítico restante - e, se preciso, invocar um novo 13 de abril, em referência ao golpe de 2002.
Um dia depois de ser alvo de uma investigação contra a suposta associação que faz de imagens do presidente a fatos violentos, a Globovisión foi atacada pelo presidente. Chávez a acusou de "distorcer os fatos", repetindo "mil vezes grandes mentiras, como a forma agressiva e selvagem de ataque e repressão dos manifestantes":
- Saudações a Globovisión, peço que calculem bem até onde vão chegar. Recomendo que tomem calmante, que diminuam o ritmo.
Empregando a habitual fórmula, mediante a qual quem não lhe respalda se converte automaticamente em apátrida, Chávez advertiu que se "se seguirem incentivando a desobediência, deverão assumir as conseqüências de seus atos".
- Esse discurso apenas acentua o conflito e polariza os extremos. O presidente não entende que vivemos uma fratura sentimental e não política, como pretende fazer crer - explica Marcelino Bisbal, da Universidade Católica de Caracas. - As pessoas simplesmente gostavam daqueles programas televisivos. Chávez mexeu com o imaginário coletivo e não é com esse discurso que acalmará os ânimos.
O presidente lamentou que um "grupo de estudantes seja manipulado por interesses obscuros".
- Eles não podem estar sendo manipulados politicamente porque simplesmente não há líder expressivo da oposição - atenta Bisbal.
Enquanto isso, as manifestações continuavam por todo o país. Estudantes da Universidade Central de Venezuela realizaram uma marcha em defesa da pluralidade de idéias que terminou na a sede da Organização dos Estados Americanos, onde entregaram uma série de petições.
O protesto na praça Brión, com estudantes que gritavam slogans como "Povo, amadureça, isto é ditadura" e "Não à violência, sim à resistência", foi cercado por um forte dispositivo de segurança e terminou com vários feridos. Algumas ruas foram bloqueadas com pedaços de madeira e latas de lixo, que incendiados viraram barricadas.
Depois de três dias de silêncio, os líderes latino-americanos começaram a se manifestar. A presidente chilena, Michelle Bachelet, recorreu à ditadura para dizer que "que no Chile, a liberdade de expressão é a regra de ouro". O presidente da Costa Rica, Oscar Arias, declarou que a decisão "é uma ferida mortal no sistema democrático".
Mas o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, se esquivou ao dizer que este "é um problema da legislação e do governo venezuelano".