Sebastião Nery, Tribuna da Imprensa
Três vezes Aluísio Campos, economista, fazendeiro, muito rico (foi da Sudene, do Banco do Nordeste e mais tarde deputado federal) disputou o Senado na Paraíba e três vezes foi derrotado por Ruy Carneiro.
Em 74, Ernani Satiro, João Agripino e Aluísio reuniram-se no Rio. Ernani e Agripino estavam preocupados com o nome para governador (acabou sendo Ivan Bichara). Aluísio queria o Senado, tentou inverter a conversa:
Três vezes Aluísio Campos, economista, fazendeiro, muito rico (foi da Sudene, do Banco do Nordeste e mais tarde deputado federal) disputou o Senado na Paraíba e três vezes foi derrotado por Ruy Carneiro.
Em 74, Ernani Satiro, João Agripino e Aluísio reuniram-se no Rio. Ernani e Agripino estavam preocupados com o nome para governador (acabou sendo Ivan Bichara). Aluísio queria o Senado, tentou inverter a conversa:
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- Vamos tratar primeiro do Senado. Depois, do governo do Estado.
- Vamos tratar primeiro do Senado. Depois, do governo do Estado.
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Ernani não concordou:
Ernani não concordou:
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- É cedo, Aluísio. Senado, só depois. Agora, é o governador.
- É cedo, Aluísio. Senado, só depois. Agora, é o governador.
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- Neste caso, vocês me garantem que, se eu não for o candidato ao Senado, me arranjarão uma compensação: uma diretoria do Banco do Brasil.
- Neste caso, vocês me garantem que, se eu não for o candidato ao Senado, me arranjarão uma compensação: uma diretoria do Banco do Brasil.
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Ernani engrossou ainda mais sua voz sempre grossa:
Ernani engrossou ainda mais sua voz sempre grossa:
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- Aluísio, amigo velho, você está como aquele vendedor que não consegue vender sua mercadoria e ainda quer tomar o dinheiro da gente.
Imposto Sindical
As centrais sindicais estão exatamente como o vendedor de Ernani Satiro: não conseguem vender sua mercadoria, que seria uma verdadeira e independente representação nacional dos trabalhadores e a real defesa dos seus interesses, e ainda tomam duas vezes o dinheiro deles.
Tomam na contribuição mensal aos sindicatos a que são filiados (onde ainda pagam uma taxa para as centrais) e tomam no Imposto Sindical: um dia de trabalho que o governo cobra, cada ano, compulsoriamente, na folha de pagamento de qualquer trabalhador, seja sindicalizado ou não.
Há bem mais de meio século o Imposto Sindical é denunciado como o câncer do movimento sindical. É com ele que os governos subornam e compram o movimento sindical, e alimentam e sustentam o peleguismo. A primeira grande bandeira do PT, que fez dele um partido de esperança, foi o combate ao Imposto Sindical, que Lula chamava de "mãe do peleguismo".
Centrais sindicais
Mas o PT fundou a CUT e jogou a bandeira no lixo. De câncer e mãe do peleguismo, o Imposto Sindical já tinha virado uma "vaca de divinas tetas" (Caetano), porque jorra dinheiro para sindicatos, federações e confederações. Agora, o crime vai ficar completo. As centrais sindicais não recebiam, porque não existem legalmente, não são entidades legais. Também vão receber.
O governo informou que "Lula pretende anunciar a edição da medida provisória que oficializará as centrais e lhes garantirá R$ 100 milhões (anuais, mínimos), num almoço com sindicalistas no Palácio do Planalto" ("Folha").
Fundar central sindical tornou-se um negócio, como criar partido ou fazer ONG. Estão virando uma praga: o País já tem 9. E muitas outras estão sendo forjadas. Basta pegar um punhado de sindicatos e arranjar um nome.
Com os R$ 100 milhões que Lula vai distribuir já de saída, logo serão 20, sustentadas por dinheiro público e de sindicalizados e não sindicalizados. Lula já os comprava com favores oficiais. Imaginem agora com dinheiro vivo.
Collor
Todo mundo sempre exigia e prometia o fim do Imposto Sindical. Mas a pelegagem sibarita vinha em cima como matilha. O único presidente que ousou enfrentar a pelegagem foi Fernando Collor. Em 90, fez uma medida provisória acabando com o Imposto Sindical de uma vez só.
Quando a MP chegou à Câmara, o PT queria indicar o relator para sabotar e engavetar. Ulysses Guimarães, que era a favor da MP, reagiu: - O relator vai ser o Mario Lima (fundador e mais antigo presidente de Sindicato do Petróleo, o da Bahia, e deputado do PMDB baiano), até porque na Constituinte foi o relator de Direitos Sociais (artigos 6 a 11).
Na comissão, Mario conseguiu negociar uma fórmula de três anos (91, 92 e 93), em vez do fim imediato do Imposto Sindical. Veio a crise do governo Collor e o PT matou a medida provisória e manteve o Imposto Sindical. E Lula garante R$ 100 milhões anuais de leite para a mãe do peleguismo.
Imprensa
No "Estadão", Gabriel Manzano Filho chamou o saudoso filósofo Roland Corbisier, de "Corbusier" (como o arquiteto). Pode dizer que foi erro gráfico. Mas escreveu que, "nos anos 60, juntou-se a um grupo de intelectuais que apoiavam o nacional-desenvolvimentismo no Iseb (Instituto Superior de Estudos Brasileiros)". Não foi "nos anos 60". O Iseb nasceu em 55, com JK.
- Aluísio, amigo velho, você está como aquele vendedor que não consegue vender sua mercadoria e ainda quer tomar o dinheiro da gente.
Imposto Sindical
As centrais sindicais estão exatamente como o vendedor de Ernani Satiro: não conseguem vender sua mercadoria, que seria uma verdadeira e independente representação nacional dos trabalhadores e a real defesa dos seus interesses, e ainda tomam duas vezes o dinheiro deles.
Tomam na contribuição mensal aos sindicatos a que são filiados (onde ainda pagam uma taxa para as centrais) e tomam no Imposto Sindical: um dia de trabalho que o governo cobra, cada ano, compulsoriamente, na folha de pagamento de qualquer trabalhador, seja sindicalizado ou não.
Há bem mais de meio século o Imposto Sindical é denunciado como o câncer do movimento sindical. É com ele que os governos subornam e compram o movimento sindical, e alimentam e sustentam o peleguismo. A primeira grande bandeira do PT, que fez dele um partido de esperança, foi o combate ao Imposto Sindical, que Lula chamava de "mãe do peleguismo".
Centrais sindicais
Mas o PT fundou a CUT e jogou a bandeira no lixo. De câncer e mãe do peleguismo, o Imposto Sindical já tinha virado uma "vaca de divinas tetas" (Caetano), porque jorra dinheiro para sindicatos, federações e confederações. Agora, o crime vai ficar completo. As centrais sindicais não recebiam, porque não existem legalmente, não são entidades legais. Também vão receber.
O governo informou que "Lula pretende anunciar a edição da medida provisória que oficializará as centrais e lhes garantirá R$ 100 milhões (anuais, mínimos), num almoço com sindicalistas no Palácio do Planalto" ("Folha").
Fundar central sindical tornou-se um negócio, como criar partido ou fazer ONG. Estão virando uma praga: o País já tem 9. E muitas outras estão sendo forjadas. Basta pegar um punhado de sindicatos e arranjar um nome.
Com os R$ 100 milhões que Lula vai distribuir já de saída, logo serão 20, sustentadas por dinheiro público e de sindicalizados e não sindicalizados. Lula já os comprava com favores oficiais. Imaginem agora com dinheiro vivo.
Collor
Todo mundo sempre exigia e prometia o fim do Imposto Sindical. Mas a pelegagem sibarita vinha em cima como matilha. O único presidente que ousou enfrentar a pelegagem foi Fernando Collor. Em 90, fez uma medida provisória acabando com o Imposto Sindical de uma vez só.
Quando a MP chegou à Câmara, o PT queria indicar o relator para sabotar e engavetar. Ulysses Guimarães, que era a favor da MP, reagiu: - O relator vai ser o Mario Lima (fundador e mais antigo presidente de Sindicato do Petróleo, o da Bahia, e deputado do PMDB baiano), até porque na Constituinte foi o relator de Direitos Sociais (artigos 6 a 11).
Na comissão, Mario conseguiu negociar uma fórmula de três anos (91, 92 e 93), em vez do fim imediato do Imposto Sindical. Veio a crise do governo Collor e o PT matou a medida provisória e manteve o Imposto Sindical. E Lula garante R$ 100 milhões anuais de leite para a mãe do peleguismo.
Imprensa
No "Estadão", Gabriel Manzano Filho chamou o saudoso filósofo Roland Corbisier, de "Corbusier" (como o arquiteto). Pode dizer que foi erro gráfico. Mas escreveu que, "nos anos 60, juntou-se a um grupo de intelectuais que apoiavam o nacional-desenvolvimentismo no Iseb (Instituto Superior de Estudos Brasileiros)". Não foi "nos anos 60". O Iseb nasceu em 55, com JK.
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Imprensa (2)
O veterano e exemplar jornalista Dacio Malta publicou, no fim de semana, em sua coluna no jornal "O Dia", do Rio, singela notícia sobre "o aniversário de 70 anos de Sergio Cabral, o bom" (sic). O governador Sergio Cabral Filho sentiu-se "o ruim" e exigiu de Gigi Carvalho, jovem diretora do jornal do saudoso Ary Carvalho, a demissão de Dacio Malta.
A diretora passou a tarefa para o editor-chefe Elcimar de Oliveira. Elcimar disse que não havia razão para a demissão e se negou a demitir Malta. Gigi atendeu à exigência do "democrático" governador e demitiu os dois.
Dacio não entende como o Serginho não gosta de um pai tão bonzinho.
Imprensa (2)
O veterano e exemplar jornalista Dacio Malta publicou, no fim de semana, em sua coluna no jornal "O Dia", do Rio, singela notícia sobre "o aniversário de 70 anos de Sergio Cabral, o bom" (sic). O governador Sergio Cabral Filho sentiu-se "o ruim" e exigiu de Gigi Carvalho, jovem diretora do jornal do saudoso Ary Carvalho, a demissão de Dacio Malta.
A diretora passou a tarefa para o editor-chefe Elcimar de Oliveira. Elcimar disse que não havia razão para a demissão e se negou a demitir Malta. Gigi atendeu à exigência do "democrático" governador e demitiu os dois.
Dacio não entende como o Serginho não gosta de um pai tão bonzinho.