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Deixemos de firulas e hipocrisia: está fechado o acordão que embola o Judiciário e o Congresso nos vagões superlotados do trem de alegria natalino do aumento dos vencimentos de ministros, desembargadores, juízes e promotores e, pegando carona no carro-dormitório, dos senadores e deputados federais - o que inunda nos percentuais proporcionais as assembléias legislativas estaduais e as câmaras municipais.
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Para o fingido constrangimento do pior Congresso de todos os tempos, desta vez o Supremo Tribunal Federal (STF) facilitou a farra parlamentar ao tomar a dianteira com o auto-aumento generoso da toga - um teto salarial elevado à altura de R$ 24.600.
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Mas ninguém encosta ou supera os ilustres representantes do povo na orgia dos saques aos cofres da viúva. Tudo se aperfeiçoa com a experiência, como acaba de filosofar o presidente-reeleito ao justificar a sua conversão do socialismo de esquerda das barbas negras da juventude de líder sindical ao conservadorismo centrista dos cabelos grisalhos. Em reuniões, encontros, acertos, conversas e sussurros, as ilustres mesas da Câmara e do Senado decidiram equiparar os subsídios parlamentares, ora na faixa da miséria de R$ 12.847 para os R$ 24.600 do céu dos ministros do STF.
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Os presidentes das duas Casas e candidatos à reeleição, senador Renan Calheiros (PMDB-AL) e deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP), com o desprendimento e o zelo cívico que ornamentam suas biografias, assumiram o compromisso, sob palavra que dispensa o fio de barba, de assinar o ato conjunto sacramentando o agrado na semana que vem, antes do encerramento da atual e histórica legislatura do mensalão, do caixa 2, dos sanguessugas e outras proezas. Para adoçar o caldo, ambos acrescentaram a advertência de uma hipotética fórmula alternativa mais modesta do reajuste dos subsídios com a correção da inflação no período, o que daria R$ 16.500.
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Sem papas na língua presa, o deputado Inocêncio de Oliveira (PL-PE), de olho no retorno à presidência, deu o serviço completo: o reajuste está decidido e será oficializado no dia 22, na última sessão desta legislatura, atendendo a reivindicação do baixo clero - o novo bloco informal majoritário na Câmara, com cerca de 300 dos 513 deputados.
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Como ensina o manual da malandragem, convém dourar a pílula para não arranhar a garganta dos pacóvios. Como a verba indenizatória - impostura, disfarce de salário indireto livre do Imposto de Renda - é intocável, seria mantida, com a extinção da taxa postal e telefônica, de R$ 4.287 para deputados e R$ 5.513 para líderes, vice-líderes e demais graduados da elite das mordomias.
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Vamos às contas, em números redondos. Os subsídios de R$ 24.600 devem ser multiplicados por 15 com as ajudas de custo e as convocações extraordinárias e desovam nas contas bancárias de suas excelências R$ 30 mil. Mais os R$ 50.815 da verba de gabinete para a contratação de cinco a 20 cupinchas, cabos eleitorais e os poucos servidores que efetivamente trabalham. O resto lá não aparece. Embolsa os reais para não fazer nada ou para a atividade de cabos eleitorais nas zonas de votos dos patrões. Outra parcela para a verba indenizatória de R$ 15 mil para ressarcir as despesas de fim de semana mediante a apresentação de notas fiscais, que jamais faltam e sobram para acertar as contas. O auxílio de moradia de R$ 3 mil para quem recusa o apartamento funcional, deixa um troco nas duas diárias semanais dos hotéis de Brasília. Passagens aéreas, de acordo com o Estado do agraciado, de R$ 4.100 a R$ 15.700. E mais R$ 6 mil de crédito na gráfica do Senado. Um senador ou deputado federal desfalcará os cofres públicos, na próxima legislatura, por mês, de R$ 110.175 a R$ 126.128!