terça-feira, dezembro 19, 2006

Juristas, políticos, juízes, advogados discutem

Por Hélio Fernandes, para Tribuna da Imprensa

21 anos para um banqueiro corrupto, 18 para assassino covarde, frio, hediondo

Ontem, em São Paulo, com muita repercussão em Brasília, discussão sobre o sistema penal brasileiro. Em um almoço estavam políticos e advogados.

Juristas foram consultados e se manifestaram. O assunto: confirmações, no mesmo dia, das condenações do ex-banqueiro Edemar Cid Ferreira e do ex-jornalista Pimenta Neves.

O ex-banqueiro foi condenado a 21 anos de prisão, e preso imediatamente. Lógico, seu advogado recorrerá, embora tenha dito, espantosamente, "não leu a sentença". Objetivo do recurso: anular a punição, mas para início de tudo entrará com habeas-corpus, para que seu cliente se defenda em liberdade. O crime de Edemar foi em dezembro de 2004, tem apenas 2 anos.

O ex-banqueiro, que era dono do Banco Santos, subiu e fez fortuna espetacular, em alta velocidade, protegido por políticos muito bem sucedidos. E foi "corretíssimo": avisou a eles que o banco ia falir.

O outro caso, ocorrido no ano de 2 mil, com enorme repercussão, 6 anos depois ainda se arrasta. Esse assassino, um ex-jornalista, Pimenta Neves, foi julgado pelo tribunal mais democrático do mundo, que é o júri popular. Foi condenado a 19 anos de prisão, depois reduzido e arredondado para 18.

Seu crime: assassinou PELAS COSTAS, com 2 tiros, a namorada que não queria mais nada com ele. Assassinato inominável, motivo fútil, frio, planejado, a jovem nem sabia quem tirava sua vida. O tribunal do júri foi até condescendente, devia ter sido condenado à pena máxima.

Como sempre o advogado recorreu, também com duas alegações.

1 - Ficar em liberdade até o final da apelação, isso foi concedido pelo mais alto tribunal do País. Absurdo, pelo crime.

2 - Novo julgamento para ouvir a ex-mulher que mora nos EUA. Por que não foi ouvida? Era testemunha da defesa, tanto que o ASSASSINO COVARDE diz que sua palavra é importantíssima. Simples jogo de protelação.

Não conheço nem o "assassino" financeiro nem o assassino verdadeiro. Não quero inocentar o banqueiro, apenas comparar com o que se faz nos Estados Unidos, muito mais adiantado em matéria de justiça, embora com muitas falhas. Não quero e não posso inocentar o assassino da namorada, desprezível, imoral, covarde, não matou por emoção, por "privação de sentidos". Nem por "defesa putativa da honra", como fizeram a partir dos anos 50 os competentíssimos Evandro e Raul Lins e Silva.

Nos EUA (e em outros países) os responsáveis por crimes financeiros, banqueiros e donos de corretoras que jogam nas bolsas com informações privilegiadas têm 3 tipos de punição.

1 - Ficam presos em locais que eles mesmos pagam, não são considerados perigosos para a coletividade.

2 - Têm que pagar multa rigorosamente igual ao prejuízo que causaram.
3 - Não podem, NUNCA MAIS, exercer qualquer atividade financeira.

Quanto aos crimes como o de Pimenta Neves, são condenados, no mínimo, à prisão perpétua. E em 13 estados (já foram mais de 30), pena de morte. Não sou a favor da pena de morte, mas as facilidades dadas ao ex-jornalista são assombrosas. No momento em que escrevo, Pimenta Neves "negocia" com autoridades a forma de se entregar, mas quer as maiores facilidades.

PS - Ele ficará em liberdade, é o que o Supremo vai decidir. E aí, apesar do absurdo, é apenas "coerência". Quando ele foi condenado pelo tribunal do júri seu advogado pediu ao Supremo que ficasse em liberdade até o final de todas as apelações.

PS 2 - Um juiz de São Paulo não poderia decidir contra o Supremo. Como o CRIME HEDIONDO ainda está em fase de apelação, o Supremo terá que reafirmar o próprio julgado.