terça-feira, dezembro 19, 2006

"Esta casa faz o que o povo quer"

Por Tales Varia, Informe JB
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A frase acima entrou para a história na boca do deputado Ibsen Pinheiro (PMDB-RS). Foi uma resposta do então presidente da Câmara aos repórteres que queriam arrancar-lhe previsões sobre a votação do processo de impeachment do então presidente da República, Fernando Collor de Mello. De fato, como queria o povo, a Câmara votou contra Collor. E, desde então, a máxima de Ibsen tem sido repetida por todo canto.
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Se ela for verdade, o Congresso logo voltará atrás na decisão de aumentar os salários dos parlamentares em 91%. Mas tudo indica que a máxima de Ibsen será desmoralizada.
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Nem o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), nem o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), pareciam ontem dispostos a recuar da decisão, para a qual tiveram o apoio dos líderes do governo e da oposição. Muito pelo contrário. Em conversas reservadas, reservadíssimas, Aldo e Renan festejavam o resultado mais imediato da fixação dos salários dos parlamentares em R$ 24.500: consideram-se praticamente reeleitos para o comando das duas Casas do Congresso.
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O recado que deram foi o seguinte: um Severino Cavalcanti - o ex-presidente da Câmara que prometeu aumentos monstruosos e acabou tendo que renunciar ao mandato de deputado - não conseguia sustentar um reajuste dessa ordem porque tinha sua imagem desgastada na opinião pública e não contava com o apoio incondicional do governo que eles têm.
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Para dar esse aumento, os comandantes da duas Casas têm que ser fortes politicamente. E eles são. Portanto, devem ser reeleitos. Esse é o recado.
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Se voltarem atrás, os dois temem ganhar pontos na opinião pública mas perderem de vez a disputa contra seus adversários pelo comando do Congresso.
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Mais um bode
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O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, coloca em votação na próxima semana o projeto de resolução que formaliza a extinção de 1.150 CNEs (Cargos de Natureza Especial) no funcionalismo da Casa. Os cargos já foram extintos. A votação apenas sacramenta a extinção, dando a entender para o sociedade que o Congresso está cortando gastos num momento em que reajustou em 91% os salários dos deputados. Não é nada, não é nada... Não é nada mesmo!
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Pílulas de juízo
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Logo depois da diplomação do presidente Lula, dois amigos do ministro Marco Aurélio comentavam com ele a formalidade contida e não habitual de seu discurso, que durou menos de cinco minutos, em contraste com o improviso emocionado do presidente da República. O presidente do TSE sorriu e respondeu: "Dizem que tomei duas pílulas de juízo".
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Em público!

Em entrevista sobre os rumos da economia, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Brasil continuará no caminho da redução dos juros e do controle fiscal. "Está aqui o Henrique Meirelles (presidente do Banco do Brasil) que não me deixa mentir em público".
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Lula marqueteiro
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Lula está cobrando dos ministros novidades para divulgar em janeiro. A idéia agora é manter o marketing bombado.
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Os puxa-sacos
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Do ex-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) Nelson Jobim, hoje advogado militante, ao encontrar-se esta semana com o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Roberto Busato: "Depois de anos atuando nos dois lados do balcão - magistratura e advocacia - descobri que todo juiz autoritário é, na verdade, um incompetente. E todo advogado incompetente é sempre subserviente".